domingo, setembro 27, 2020
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Façamos da América um imenso Maracanã.

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ESPN
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: Por Marcos Almeida

Não
foi em casa que o Flamengo conquistou a Libertadores. Mas, quase 36 anos
depois, o gol do título saiu lá. No nosso Maracanã. Falta para o Mengo, Zico na
bola, bola na rede.
Flamengo
é isso. Transcende, sente-se. Não se explica. O mesmo gol em outro estádio, pra
lá de 3 décadas mais tarde. A bola não esférica na rede que não tem barbante.
Que valeu um título no Uruguai e sequer alterou o placar no Rio de Janeiro.
A quem
não é Flamengo, motivo de risada. Mar de piadas com a feição de nosso camisa
10. Não parecia Zico, é nítido. Assim como não vestia a 10. O Manto Sagrado não
tinha número. Não precisava ter. Todos sabem qual era, todos sabem quem era
aquele jogador. Sabem também que aquilo ali era jogo grande, Maracanã lotado.
Aquilo ali é Flamengo.
A
eles, as sátiras; a nós, ser Flamengo. A multidão jogou. Milhões de vozes em
milhares de gargantas, grito que toma a alma de quem tangencia o gramado. Passe
de Nivaldo Trauco para Fabíola Guerrero. Gol nosso, gol do Flamengo. Início
arrasador, grande chute de Diego Antunes Coimbra – 2 a 0. Por pouco, Dejan
Ribas não marcou o seu segundo na partida. O disparo na forquilha só não
sacudiu a trave porque ela já balançava. Maracanã em dia de Flamengo não para
de pulsar.
Não
para, mas perde ritmo. Intervalo com boa vantagem é um convite para o
descompasso. Sem ter bola para olhar, a mente começa a calcular e decidir se
gosta ou não do gol de empate que saiu em Santiago. Para recuperar o
equilíbrio, um choque. Renê Alvim se descuidou e foi visto o primeiro sorriso
da pequena ala vermelha e preta do estádio. Não se pode confundir as cores: o
Maracanã é rubro-negro.
E o
rubro-negrismo voltou a imperar. Paixão emanada a todos os cantos. Aplausos ao
zagueiro sério, ao criticado volante que fez jogo exemplar. Flamengo é isso. É
transformar tudo e todos em uma coisa só. É respeitar os demais sem deixar de
lado a própria natureza. E nossa natureza diz: “Vencer, vencer, vencer”. Para
vencer, às vezes é preciso perdoar, e foi perdoado o indesejado atacante saído
do banco de reservas. Um estrondo de incentivo em forma de segunda, ou
terceira, chance.
Vencemos
sem nos calar. No Maracanã lotado, como deve ser. Como é o Flamengo, como somos
Flamengo. No Maracanã em que escrevemos as mais belas páginas da história; no
Maracanã no qual nosso maestro deixou lascas de sua batuta.
Não se
sabe quando ele voltará a reger, mas a experiência de Flamengo no Maracanã
ensina. Para cada joelho de Diego que faltar, ponhamos três pernas nossas à
disposição. A cada partida em outro lugar, tornemos portas e portões a rampa do
Bellini. Em cada dia em que estivermos vivos, portemo-nos como nesse 12 de
abril de 2017.
Em
Montevidéu, Buenos Aires ou no Rio de Janeiro, a Libertadores há de ser nossa
outra vez. Façamos da América um imenso Maracanã.

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