segunda-feira, setembro 21, 2020
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Federações arrecadam mais com ingressos do que os clubes.

ÉPOCA
ESPORTE CLUBE – Seis milhões de reais. É a quantia que federações estaduais de
futebol arrecadaram no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, mais do que os
clubes dos próprios estados em alguns casos. Elas não pagam salários de
atletas, não arcam com despesas das partidas, não trabalham na promoção, mas
ficam com 5% da receita bruta.
A
Federação Paulista de Futebol (FPF), na carona dos altos números de Corinthians
e Palmeiras, recebeu R$ 2,3 milhões. Ponte Preta e Santos, somados, tiveram
receita líquida de R$ 1,8 milhão. A quantia deixa a entidade com mais renda do
que 11 dos 20 times que jogam a primeira divisão, entre eles Fluminense e
Vasco. A do Rio de Janeiro, mesmo sem Botafogo na elite, ficou com mais renda
do que sete.
Ou
vamos radicalizar na comparação: se as entidades formassem o Federação Futebol
Clube, este time de cartolas teria a quarta maior receita líquida com ingressos
– só Corinthians, Palmeiras e Grêmio conseguiram mais do que R$ 6 milhões
“limpos” no primeiro turno.

O pior
é que, em alguns casos, a federação leva a parte dela mesmo quando o mandante
toma prejuízo. Em oito das 190 partidas do primeiro turno, clubes tiveram que
tirar dinheiro do caixa para cobrir despesas e impostos. Mas a taxa da chefia
seguiu intacta.
A
solução é mais simples do que se imagina, e nem é tão radical: taxar a receita
líquida em vez da bruta. A federação passaria a jogar junto. O clube – e a
gestora do estádio, se houver – precisaria acertar na precificação do tíquete,
atrair público, enxugar despesas, para que a entidade pudesse ganhar o dela.
Senão, ao menos, não atrapalharia ao taxar quem já paga INSS, seguro,
arbitragem, exame antidoping, policiamento e até quadro móvel (funcionários) da
própria federação.
Pode
parecer discussão pequena, de trocados em milhões, mas não é. As federações,
sem fins lucrativos, que existem (só) para regular o futebol, tiram dinheiro
dos clubes em bilheterias, patrocínios – elas vendem placas no campo para
empresas que, por isso, desistem de investir em times – e nas várias taxas do
dia a dia. Muitas faturam mais do que os próprios times. Em tempos de bonança,
vá lá, daria para perdoar. Mas a crise econômica está aí, meu amigo cartola.

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