quarta-feira, setembro 23, 2020
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Feitos de trouxa por Zé Ricardo, saímos no lucro.

Zé Ricardo, técnico do Flamengo – Foto: Eduardo Valente

ESPN
FC
: Por Marcos Almeida

Desde
1999, o Flamengo não conquista um título internacional. Em 17 anos, nunca teve
uma oportunidade tão grande como nessa Copa Sul-Americana. Mengo à parte, os
maiores clubes brasileiros do torneio são Coritiba e Sport. Entre os
estrangeiros, destacam-se Independiente, Estudiantes, San Lorenzo e um Atlético
Nacional campeão da Libertadores há menos de um mês, possivelmente ainda na
ressaca da conquista.
Nos
atuais moldes, para o Flamengo disputar a Sul-Americana, é que algo deu muito
errado lá atrás. Não se chega a ela sem passar por um vexame na Copa do Brasil.
Racionalmente injusto tal “prêmio de consolação”, mas é assim que funciona.
Pois bem, passamos pelo nosso em maio e desde então alimentamos a vontade de
voltar a triunfar no cenário internacional. Alimentamos nós, torcedores. Zé
Ricardo não.
Foi
necessário levar um banho de um combalido Figueirense, no 1° tempo, para Zé
entender que o objetivo do Flamengo é ser campeão. Inacreditavelmente, até as
22:30 da quarta-feira, ele não sabia.
A
primeira prova da ignorância do treinador é a escalação, aberta pelo goleiro
reserva Paulo Victor. Na lateral direita, abriu mão de um Pará que vem jogando
bem por um Rodinei que não entrava em campo desde o dia 3 de julho. Na zaga,
simplesmente trocou a dupla titular. Saíram Réver e Vaz, que vêm atuando, para
a entrada de Donatti – que não tinha 40 minutos jogados com a camisa do
Flamengo – e Juan, que não consegue se livrar das lesões. Fechou a linha
defensiva com o horroroso Chiquinho, que já provou por A+B que deve ser tratado
como terceira opção para a lateral esquerda, atrás de Jorge e Éverton.
Do
meio pra frente, até houve coerência, coisa que faltou na montagem do banco de
reservas. O volante era Ronaldo, o meia Adryan, o centroavante Felipe Vizeu e o
segundo atacante Fernandinho. Nenhum titular no último domingo, contra o
Grêmio. Márcio Araújo, Diego, Leandro Damião e Éverton – além de Gabriel –
sequer foram relacionados.
A
segunda prova é a postura do time, que fez seu pior jogo na temporada. Dos 11
escalados, 10 entraram encarando a partida como um jogo-treino. Apenas Cuéllar
foi a campo pensando em vencer. Desesperado pela passividade dos companheiros,
o colombiano subia, buscava algo, abandonando sua função de marcador. Cabia a
Juan dar o combate na intermediária, deixando a zaga desprotegida. Aí o
Figueirense deitava e rolava. Isso com a bola rolando. Com ela parada, era
ainda pior. Foram 4 cruzamentos perigosos na nossa área – 1 quase gol, 2 gols e
1 gol anulado. Paulo Victor entregou o último dos caras, Donatti o terceiro.
Impressionante a falta de reação do argentino no lance. Quem acompanha o blog
sabe que sou crítico da dupla Réver-Vaz. Depois de hoje, não há como não
defendê-la.
Demos
sorte de acharmos 1 gol e “só” sofrermos 3 no primeiro tempo – 3×1 foi pouco.
Aparentemente, Zé Ricardo foi descobrir no intervalo que a Copa Sul-Americana é
importante para o Flamengo, e passou isso aos jogadores. A equipe voltou para o
segundo tempo mais comprometida. Na etapa final houve equilíbrio: 3 chances
claras e 1 gol pra cada lado.
“Foi
um dia ruim, em que não nos recuperamos nos primeiros momentos da partida.
Acreditamos que o segundo jogo vai ser bem melhor e que vamos reverter a
situação. Fica uma lição para que em todos os jogos o time entre ligado, sempre
se condicionado ao trabalho de competitividade que faltou hoje. Mas a
responsabilidade é da comissão, é minha. De forma geral a gente não repete essa
atuação de hoje.”
Palavras
de Zé Ricardo após a derrota por 4×2. Sincero. Assumiu a culpa pelos erros,
ressaltando a falta de competitividade e o “desligamento” do time no primeiro
tempo. O que dá raiva é essa história de “fica uma lição”.
Precisava
mesmo tomar um passeio do Figueirense pra aprender que o Flamengo tem de levar
a sério todos os jogos? Era necessário lidar com a frustração do torcedor pra
entender que a Sul-Americana não é brincadeira e que temos de encará-la com o
mesmo espírito do Brasileiro? Rubro-Negro quer ser campeão sempre, professor!

Ricardo poupou titulares porque considerava a partida contra a Chapecoense mais
importante. Não era, e agora só é por ser a próxima. A verdade é que os 90
minutos na Arena Condá serão os únicos, nos próximos 7 dias, em que o
flamenguista não estará pensando no confronto da volta com o Figueirense.
Fomos
presenteados com o segundo gol no Orlando Scarpelli. O tento da esperança, que
nos fez voltar a crer que é possível, sim, avançar na Sul-Americana.
Acreditamos não pelo time – que tem imensa dificuldade de vencer por mais de um
gol –, mas porque somos apaixonados pelo Flamengo. Zé Ricardo e jogadores,
respeitem nossa paixão. Na quarta-feira, em Cariacica, se entreguem pelos 90
minutos, mais pelos 45 deixados de lado em Florianópolis.
Mordido
de raiva e banhado de fé, saudações Rubro-Negras.

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