terça-feira, setembro 29, 2020
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Fernandão quase jogou no Flamengo.

Foto: Divulgação

ESPN: Em
junho de 2004, o vice-presidente de futebol do Internacional Vitorio Piffero
deixou Porto Alegre às pressas em direção ao Rio de Janeiro com uma missão: convencer
Fernandão a defender o clube colorado. Isso, apesar de o atacante ter
negociações avançadas com o Flamengo, contando com o lobby de Ranieri e Paulo
Nunes. No dia 15 daquele mês, depois de até mesmo ter desistido da contratação,
o cartola obteve sucesso na sua empreitada. Aquele passo ajudou a pavimentar a
conquista da Libertadores dois anos depois.

Em 16
de agosto de 2006, exatamente há 10 anos, Fernandão era o capitão da equipe no
empate por 2 a 2 com o São Paulo, no Beira-Rio, que garantiu ao Internacional a
taça da competição continental. Autor de um dos gols na partida, ele liderou
uma geração que mudou a história do clube.
“Ele
foi uma figura fundamental para nossa conquista. Não só como um grande jogador,
mas como um líder de todo aquele elenco. Se ele não viesse, seria dificílimo ou
nem teríamos conquistado a Libertadores. Era um jogador que nós queríamos há
tempos e que acabou aceitando nosso projeto”, relembrou Newton Drummond,
diretor executivo de futebol, ao ESPN.com.br.
Ele
marcou o gol mil da história do clássico Gre-Nal e rapidamente caiu nas graças
da torcida. No ano seguinte, Fernandão comandou o time que ficou com a segunda
posição do Brasileiro, atrás do Corinthians.
Além
de erguer a taça da competição continental, o jogador terminou como artilheiro
da equipe com 5 gols marcados e como líder de assistências, com 7. No dia 7 de
junho de 2014, Fernandão faleceu aos 36 anos, depois de se envolver em um
acidente de helicóptero no interior de Goiás.
ÍDOLO DO RIVAL E REDENÇÃO DE ABEL
Outra peça
fundamental na engrenagem do técnico Abel Braga foi trazer um antigo ídolo do
clube rival, em 2005. Revelado nas categorias de base do Grêmio, Tinga era um
jogador muito querido pela torcida tricolor e defendia o Sporting, de Portugal.
Logo na sua coletiva de apresentação no Beira-Rio, ele revelou ter o coração
vermelho e branco desde a infância.
Contra
o São Paulo, o jogador fez a última partida no Beira-Rio. Após fazer o último
gol da partida, ele foi expulso por mostrar uma mensagem religiosa por baixo da
camisa.
“A
vinda do Tinga foi decisiva. Ele tinha uma dedicação exemplar e entendíamos que
encaixaria muito bem no time. Tivemos a infelicidade dele ter sido expulso na
final. Aquilo foi um filme de terror, mas no final deu certo”, recordou
Drummond.
Um dos
maiores “figuras” do elenco colorado era o meio-campista Perdigão.
Dono de uma técnica apurada dentro de campo, ele era o responsável por animar
os colegas com suas brincadeiras nos bastidores.
“Se
fosse mais velho, ele seria parceiro do Zico e do Falcão na copa de 82. Ele
tinha uma qualidade impressionante, mas não tinha aquele lado atlético tão
forte. Ele era importante demais para gente, era comprometido com o grupo, não
atrasava nem faltava aos treinos”.
“É
um cara extremamente animado e onde ele estava sempre haveria uma risada e uma
brincadeira. Ele quebrava o gelo quando a situação ficava mais apertada, ele
resolvia com a graça a alegria. É uma figura ímpar”.
Muricy
Ramalho foi o treinador que classificou a equipe para a Libertadores, porém, no
começo de 2006 ele trocou o Internacional pelo São Paulo. Para seu lugar, foi
chamado Abel Braga, que vinha de dois fracassos seguidos na Copa do Brasil. Em
2004, ele comandava o Flamengo que perdeu para o Santo André a final em pleno
Maracanã, e no ano seguinte foi derrotado na decisão para o Paulista de
Jundiaí.
“O
Abel era um nome muito respeitado pela torcida do Inter, tinha identificação e
respaldo. Ele foi o treinador no Gre-Nal do século [semifinal do Campeonato
Brasileiro de 1988] em que vencemos de virada por 2 a 1 de virada e com um
jogador a menos. Depois do segundo gol do Nílson, ele saiu da casamata e se
atirou junto com os jogadores perto da bandeirinha (risos). Ele agregou esse
espírito ao nosso time”, afirmou.
APUROS NA BOMBONERA E COMEÇO DIFÍCIL
De
volta a Libertadores depois de 13 anos, o Internacional aprendeu importantes
lições sobre as competições continentais após disputar a Sul-Americana de 2005.
A equipe caiu na terceira fase para o Boca Juniors. Após vencer por 1 a 0 no
Beira-Rio, foi goleada por 4 a 1 em Buenos Aires.
“No
segundo jogo, os caras não deixaram entrar na Bombonera. Nosso ônibus precisou
dar quatro voltas pelo estádio e tivemos que arrombar o portão. Só conseguimos
entrar 40 minutos antes da partida. Fomos obrigados a passar por dentro do
vestiário do Boca, que já estava aquecendo no gramado”.
“Isso
nos deu a noção do que poderíamos enfrentar. Depois desse caso, íamos dias
antes ao país em que jogaríamos. Olhávamos a cidade, estádio, hotel e falávamos
com até com a polícia local. Não relevávamos nada para evitar problemas. Você
não pode deixar coisas externas atrapalharem teu grupo”.
A
estreia na Libertadores foi mais difícil que o esperado. Um empate por 1 a 1
com Maracaibo na Venezuela. “Esse jogo foi bem marcante porque foi uma
viagem bem difícil e fomos criticados porque deixamos escapar a vitória”,
afirmou o dirigente.
O
Internacional engrenou e avançou para as oitavas de final da competição como
líder do Grupo 6 com 14 pontos. Nas oitavas de final passou pelo Nacional-URU
do jovem atacante Luis Suárez, atualmente no Barcelona.
Nas
quartas de final, a equipe pegou a LDU-QUE, que foi uma pedreira. Na partida de
ida, a única derrota da campanha por 2 a 1 em Quito. No Beira-Rio, a equipe
venceu por 2 a 0, mas quase viu a classificação ser ameaçada.
“Aos
48 minutos do segundo tempo eles tiveram uma falta na risca da grande área. O
Clemer fez uma defesa espetacular e evitou que o duelo fosse para os
pênaltis”.
O time
colorado superou nas semifinais o Libertad-PAR comandado por Tata Martino e que
tinha o futuro ídolo Guiñazú em campo. Na decisão, o Internacional teve pela
frente o São Paulo, atual campeão e tido como muitos como favorito ao bi.
Na
primeira partida no Morumbi lotado, os gaúchos se aproveitaram da expulsão
precoce do volante Josué e venceram por 2 a 1, com dois gols de Rafael Sóbis.
Fabinho ainda recebeu o cartão vermelho e deixou as equipes com 10 homens em
campo. A vantagem construída fora de casa foi fundamental para o duelo de volta
no Beira-Rio.
Como a
Conmebol adiou as finais da Libertadores, o time paulista não teve Ricardo
Oliveira, que tinha contrato de empréstimo até o dia 10 de agosto. O clube do
Morumbi tentou uma manobra para contar seu centroavante: iria prorrogar o
vínculo do jogador por três meses (mínimo exigido pela Fifa) e rescindiria logo
depois da partida. O Bétis decidiu não ceder o atleta.
Dentro
de campo, Fernandão abriu o placar no primeiro tempo, após falha de Rogério
Ceni. Fabão empatou para o São Paulo, mas Tinga marcou o segundo gol gaúcho.
Ele acabou expulso na comemoração e o Internacional jogou os últimos 27 minutos
com um jogador a menos.
Nada
que impedisse a América do Sul de ser pintada de vermelho e branco.
“Durante
a Libertadores de 2006 tive um problema cardíaco e coloquei três pontes de
safena e uma ponte mamária em março. O médico me mandou ficar de fora do
estádio por um bom tempo para evitar fortes emoções. Só fui ver a equipe nas
fases finais e tinha que tomar um calmante. No dia da final precisei tomar dois
(risos)”.
Nesta
terça-feira, Newton reencontrará o mesmo estádio lotado e muitos protagonistas
daquela conquista. Para comemorar os 10 anos da Libertadores, a diretoria
colorada irá promover um amistoso. Desta vez, porém, nada de sofrimento ou
remédios. Será uma noite apenas de festa e homenagens.

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