segunda-feira, setembro 28, 2020
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Ferroviária de Araraquara, o melhor time do Brasil!

Foto: Gazeta Press

LIVRO A NAÇÃO: A imprensa esportiva brasileira é sórdida e
nojenta.

Não, isto não quer dizer que ela é uma exceção na mídia
brasileira. Mas o objetivo aqui é falar de futebol.
É nojenta a forma como o futebol no Brasil é tratado, mais
do que nunca (porque de certa forma isto sempre existiu), a mídia esportiva é
controlada por um completo jogo de interesses e manipulações, hoje centrados
nos detentores do maior poder econômico-aquisitivo do país: São Paulo.
A mídia é toda paulista. Por sua vez, quase todos os
jornalistas falam com o sotaque paulista. E cá entre nós, a paulistada é foda!
Não nos resta outra se não aturar. Mas tem limite!
O monopólio da opinião paulistana é total. A Rede
Bandeirantes é a maior de todas as representações de uma embaixada do
Corinthians. O Neto então, é insuportável! Em qualquer país minimante sério e
respeitável, um sujeito assim não passaria da roleta de recepção de uma
emissora minimamente respeitável. Mas ele é apenas uma pobre representação
estapafúrdia de uma situação muito maior.
Paulistas são umbigocentristas e provincianos desde que o
Brasil pode ser chamado de um país. Ainda que até hoje sem um mínimo de unidade
nacional, de sentimento verdadeiramente nacionalista e com todas as
particularidades que seu passado presenteou a este estranho local que
co-habitamos. Não há qualquer projeto nacional ou assunto de interesse nacional
relevante para a Maior Metrópole do Brasil que não tenha em Sampa o centro de
tudo. O ego paulistano é tão grande, e suas raízes provincianas são tão fortes,
que mesmo tendo de longe a maior força econômica do país, o paulista precisa se
auto-afirmar o tempo todo! Ele faz questão de dizer “a emissora paulista”,
“a empresa paulista”, …
E o futebol? Bom, ele está imerso numa Guerra Fria,
silenciosa. Os paulistas precisam de tudo. É inconcebível para eles qualquer
coisa maior do que eles! E o Flamengo é maior do que eles! Isto os enlouquece!
Eles inventaram os pontos corridos e esperavam que o poder
do dinheiro iria repartir todos os títulos do futebol brasileiro entre eles.
Não existia espanholização enquanto tudo rumava para uma concentração entre
Corinthians e São Paulo. Aí o Flamengo entrou na pista de dança e as garotas
olharam para ele… E o maior problema do futebol brasileiro passou a ser a
espanholização.
Estadual só faz sentido com o Campeonato Paulista, o resto
que morra! As emissoras esportivas paulistas sempre levantaram esta bandeira.
Era tanto o incomodo que tratam de amassar o nome Campeonato Carioca e
transformá-lo em Estadual do Rio. Marcas concorrentes fortes deveriam ser
afastadas do caminho. Os holofotes precisam ser exclusivos!
O maior projeto desta Guerra Fria é destronar o Flamengo do
posto de maior torcida do Brasil. Todos os meios para se conseguir isto são
justificáveis. Mas tem que fingir que é outra coisa! A guerra é fria, o
discurso precisa ser meticulosamente calculado e camuflado.
O Flamengo era a maior bagunça, e como bater em bêbado sempre
foi fácil, dando coragem até para os covardes, o Flamengo apanhava de todos os
lados! Os ecos eram apoiados pelos rivais do rubro-negro no Rio de Janeiro. Uma
bagunça! Uma várzea! Puta que pariu, é a maior vergonha do Brasil! Foram
décadas de humilhação, esculhambação, achincalhamento. Tudo embasado com
argumentos racionais. Afinal, era uma bagunça mesmo! O bêbado realmente tinha
bebido demais. Era preciso aproveitar o momento e bater, porque uma hora a
bebedeira podia passar… E passou. O Flamengo virou modelo de gestão,
tornou-se campeão nacional de arrecadação. Não vai mais muito para dizer, era
preciso mudar o discurso, mas sem esquecer que ainda era preciso tira-lo da
pista, afastá-lo dos olhos apaixonados que viam mais beleza nele do que em
qualquer outro.
Qualquer tropeço do Flamengo sempre foi vergonha, foi
vexame! Era coisa de várzea! Como se no futebol nunca tivesse existido tropeços
para times de menor expressão, ou, nos termos atuais, de menor investimento.
Mas já disse uma vez Fernando Pessoa: “Nunca conheci quem tivesse levado
porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes
reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil. Eu tantas vezes irrespondivelmente
parasita, indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido
paciência para tomar banho. Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, que tenho
sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, que tenho sofrido enxovalhos e
calado, que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda. Eu, que
tenho sido cômico às criadas de hotel. Eu, que tenho sentido o piscar de olhos
dos moços de fretes. Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido
emprestado sem pagar. Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
para fora da possibilidade do soco. Eu, que tenho sofrido a angústia das
pequenas coisas ridículas. Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste
mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo, nunca teve um ato
ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe – todos eles
príncipes!”
E a gloriosa Ferroviária de Araraquara. O que a coitada tem
a ver com tudo isto? Por que ganhou destaque neste título? Isto tudo porque no
último fim de semana ela empatou em 2 x 2 com o Corinthians pelo Campeonato
Paulista. E vendo um pouco de televisão neste fim de semana. Gastando um pouco
da paciência que me resta para ouvir alguma das opiniões destes
jornalistazinhos que invadem rotineiramente nossas casas, porque a minha
paciência para ouvi-los já se esgotou há muito, e eu realmente já deixei de
prestar atenção em suas vozes há bastante tempo, mas eis que os escutei, meio
por acaso. E terminei este fim de semana com a verdadeira sensação de que
estamos diante de uma nova máquina do futebol brasileiro, destas que marcam
época, e fazem seu tempo. Porque foram muitos os elogios à gloriosa Ferroviária
e seu envolvente futebol.
E eu que não tenho prestado nenhuma atenção nem tido
paciência para aturar a Segunda Divisão do Campeonato Paulista nos meus canais
de televisão, devo ter desapercebidamente não notado a revolução futebolística
por trás daquela camisa grená de Araraquara. Não posso perder seus próximos
jogos, pois certamente estou perdendo um novo gênio que deve estar surgindo no
futebol brasileiro, ou um gênio da bola ou um gênio estrategista, mestre
supremo dos esquemas táticos. Mantenham-me informado por favor sobre as
evoluções trazidas pela Ferroviária de Araraquara!
Marcel Pereira

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