Ficou impossível defender o Flamengo.

Gazeta Press

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FC
: Por João Luis Jr.

O
flamenguista é, acima de tudo, um otimista. Somos a torcida que transforma um
Obina num Eto’o, os alucinados que lotam aeroportos para abraçar jogadores que
nem estrearam, os românticos que veem em cada vitória mais bonita um passaporte
direto para a final do Mundial. O que muitos chamam de presunção, o que muitos
veem como excesso de confiança, é apenas a verdade óbvia de que torcer é
acreditar e, se você não acredita que o seu atacante é o melhor, que vale
buscar seu reforço quando ele chega, que seu time pode ser o maior do mundo,
então nem faz sentido torcer.
E por
isso em 2017 acreditamos. Um time que havia brigado pelo título brasileiro ano
passado, um jovem treinador promissor, alguns reforços interessantes, uma
Libertadores pela frente. No começo do ano parecia que o céu seria o limite
para o Flamengo. Mas após a eliminação humilhante na competição sul-americana e
a derrota patética de ontem no Campeonato Brasileiro, ficou claro que é a hora
de deixar o otimismo de lado e reconhecer que o Flamengo tem problemas graves.
Vários deles.
Coletivamente,
o time não joga. A defesa é uma bagunça, a saída de bola é inexistente, a
movimentação no meio de campo só acontece porque os jogadores sabem que se não
se mexerem por 24 horas serão dados como mortos e não receberão mais salário.
Não existe variação tática a não ser em momentos de extremo desespero, o que
significa que o Flamengo está no já manjado “4-3-3” de 2016 ou então
está numa espécie de bumba-meu-boi com 6 laterais, 3 atacantes, um gandula
cruzando pro Guerrero disputar com 6 zagueiros.
Individualmente,
a situação de alguns jogadores também se tornou insustentável. Muralha vem
falhando de tal forma que seu apelido, antes um elogio, agora virou uma ironia,
como quando chamam o amigo baixinho de “gigante” ou você chega atrasado e seu
chefe fala “boniiito, hein?”. William Arão, que já foi um destaque da equipe
hoje, é aquele nome que você ouve na escalação do time e vira a cerveja de um
gole só. Isso sem falar em Márcio Araújo, que segue titular mesmo mantendo seu
estilo “toco e me voy esconder atrás de outro jogador para não dar opção na
saída de bola” de jogar.
Diante
disso, por mais que alguns aspectos sejam culpa do planejamento errado do
departamento de futebol – não termos um reserva confiável para Muralha, todo o
tempo que ficamos sem um substituto para Diego -, muita coisa precisa, sim, ir
para a conta de Zé Ricardo, que é quem treina, escala e comanda o time na beira
do campo.
E a
situação de Zé, ao menos no momento, é insustentável. Apegado demais a um jeito
de jogar que não vem funcionando e confiando demais em jogadores dos quais
nenhum de nós jamais aceitaria ser fiador num conjugado na zona sul, cabe a Zé
Ricardo tomar alguma atitude drástica para mostrar que ainda quer ser técnico
do Flamengo e que o Flamengo, com ele como técnico, ainda pode brigar por
alguma coisa – por mais que olhando para o Zé você imagine que o conceito de
“atitude drástica” dele envolva algo como “dar mais liberdade pro Márcio Araújo
atacar”.
Se o
Flamengo no papel e na planilha é um grande time, já passou da hora de ser
também dentro de campo. E se as pessoas que estão nesse time, dentro e fora de
campo, não mostrarem que estão dispostas a isso, pode ter chegado a hora de
procurar pessoas novas pra essa tarefa.
Essa
torcida merece ter motivos para continuar otimista.
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