quarta-feira, setembro 23, 2020
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Final que ‘a Ferj merece’ reúne Clubes quebrados.

O
Globo – Falta uma semana para o início do primeiro Campeonato Brasileiro sob as
regras do Fair Play Trabalhista. Enquanto isso, o Congresso Nacional discute a
lei que refinancia dívidas, mas pretende impor regras rígidas de governança,
entre elas a restrição à criação de novos débitos. Mas os balanços de 2014 dos
clubes do país apontam gestões na direção inversa. E o futebol carioca lidera o
ranking dos devedores. Amanhã, Botafogo e Vasco fazem a decisão do Campeonato
Carioca, num clássico que reúne clubes que, juntos, devem mais de R$ 1,5
bilhão. Os alvinegros são os recordistas de endividamento no Brasil. Os
vascaínos estão em terceiro no ranking nacional.
O
futebol do Rio exibe um cenário preocupante, mas também de extremos. A maior
dívida do Brasil, que chegou a R$ 845 milhões em 31 de dezembro de 2014, aliada
a uma receita anual cinco vezes menor, faz do Botafogo uma unanimidade entre
analistas: é o dono do mais dramático panorama financeiro do país. Já o
Flamengo, que deve R$ 697 milhões, um número muito expressivo, é tido como
exemplo a ser seguido em todo o país. Dos 12 maiores clubes brasileiros, foi o
único que reduziu o seu endividamento. No Rio, foi o único a aumentar receitas.
O
Vasco, que tenta amanhã voltar a ser campeão carioca, viu sua dívida chegar a
R$ 596 milhões no fim de 2014, de acordo com o balanço divulgado pelo clube na
última quinta-feira.
Já o
Fluminense, em ano de transição com a saída do antigo parceiro, é o grande que
menos deve no Rio e o quinto no Brasil — está atrás do Atlético-MG. A dívida do
tricolor é de R$ 439 milhões. Juntos, os quatro grandes cariocas devem R$ 2,5
bilhões, um recorde histórico.
— O
cenário no Rio é complicado. O custo dos clubes ainda é elevado, a operação é
deficitária. Não fecharam a torneira. O Flamengo se tornou um exemplo positivo
para o país. Não só por ampliar receitas, mas por ter sido superavitário e ter
priorizado pagar dívidas. Criou um círculo virtuoso — afirma o consultor Pedro
Daniel, responsável pela área de esportes da empresa de auditoria BDO.
Segundo
Daniel, as novas regras de regulação resultariam em sanções para boa parte dos
clubes brasileiros. Uma das contrapartidas da Medida Provisória que institui o
Profut, programa que refinancia as dívidas dos clubes, é o impedimento na
geração de novas dívidas. Além disso, muitos clubes iniciam a temporada às
voltas com dívidas com seus jogadores, contrariando o Fair Play Trabalhista
imposto pelo regulamento do Campeonato Brasileiro de 2015.
— Por
isso a MP cria prazos, tem um escalonamento. Caso contrário, criaria um
quebra-quebra nos clubes. Sem regulação, está claro que os clubes continuarão a
cavar o buraco — disse.
Finalistas em situação preocupante
Em
campo amanhã, no Maracanã, estarão dois gigantes que precisam se reinventar.
Como se não bastasse ter a maior dívida do Brasil, os R$ 845 milhões devidos
pelo Botafogo tornam-se um fardo ainda mais pesado pelo fato de clube não estar
entre os maiores arrecadadores do Brasil. Ainda que os dados do balanço apontem
que o clube gerou R$ 163 milhões em 2014, mais do que Vasco e Fluminense. O
tricolor, no entanto, ainda contava com a parceria da Unimed, o que fazia com
que boa parte dos recursos investidos no futebol não passassem pelo clube.
Agora, os novos contratos de patrocínio passarão a ser contabilizados como
receita que entrará nas Laranjeiras.
Mais
preocupante ainda foi o resultado operacional do Botafogo em 2014. Só no último
exercício o clube gerou um déficit superior a R$ 174 milhões. Foi o clube
brasileiro que mais aumentou o seu endividamento: deve agora R$ 149 milhões a
mais do que no final de 2013.
— Só a
dívida contraída pelo clube com empréstimos é maior do que a receita anual do
Botafogo — diz Pedro Daniel.
O
estudo da BDO aponta que o Vasco, provavelmente por ter um patrocinador estatal
em sua camisa, o que o obrigava a manter certo controle sobre as dívidas
tributárias, não ampliou seus débitos na área pública. No entanto, ampliou seu
endividamento com empréstimos. E há ressalvas: os auditores entendem que se
trata do balanço em que há menos clareza e mais dificuldade de obter
informações.
Os
números dos balanços apontam para um problema aparentemente mais grave de
gestão do que de receitas. Nos últimos cinco anos, a receita anual somada dos
quatro grandes cariocas mais do que dobrou, de R$ 341 milhões em 2010 para R$
761 milhões em 2014. Ainda que, em relação a 2013, Fluminense, Vasco e Botafogo
tenham reduzido suas arrecadações. Só o Flamengo cresceu. Fluminense e Vasco
foram ultrapassados pelo Atlético-PR, por exemplo. O rubro-negro do Paraná
arrecadou R$ 138 milhões, contra R$ 129 milhões do Vasco e R$ 122 milhões do
Fluminense — sempre com a ressalva de que o tricolor vai incorporar, em 2015,
novas receitas de patrocínio após romper com a Unimed.
Se
cresceram as receitas desde 2010, o déficit acumulado pelo quarteto no período
foi de R$ 671 milhões. Em 2014, enquanto o Flamengo teve resultado positivo de
R$ 64 milhões, os três rivais tiveram perdas de R$ 194 milhões: mas cabe ao
Botafogo quase 90% deste valor. O déficit de Fluminense e Vasco foi mais
modesto.
Os
cariocas tiveram melhor desempenho na questão tributária. Flamengo, Fluminense
e Vasco reduziram a dívida com impostos. A do Botafogo cresceu quase R$ 80
milhões em 2014, chegando a R$ 264 milhões.

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