sábado, setembro 26, 2020
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Fla foi o 3º Clube que mais faturou com Programa de ST!

Teoria
dos Jogos – A obrigação legal dos clubes publicarem suas demonstrações
financeiras faz deste início de maio um prato cheio para análises de marketing
esportivo. Já foi extensamente propagada, por exemplo, a ordem de receita e
endividamento. Mais recentemente, se explorou o faturamento com transmissões
televisivas. Uma análise um pouco mais complexa, contudo, se refere ao ranking
de receitas com projetos de sócio-torcedor.

alguns anos os brasileiros despertaram para esta que pode ser vista como uma
das fórmulas para o gigantismo de alguns europeus. O advento do Movimento por
um Futebol Melhor fomentou projetos associativos a ponto de, hoje, apenas o
Vasco não possuir iniciativa do gênero*. Os sócios-torcedores no Brasil
ganharam tanto corpo que já existem três clubes com mais de 100 mil adesões,
dois tendo ultrapassado a barreira recentemente (Palmeiras e Corinthians).
*Segundo
o marketing cruzmaltino, há um litígio com a empresa contratada pela antiga
diretoria para gerir o projeto. O clube alega que a mesma não possui condições
de geri-lo, cabendo apenas aguardar pelo termo do contrato.
Enquanto
alguns comemoram, outros lamentam não fazerem valer suas reais potencialidades.
Debate que traz à tona uma questão pouco respondida: quanto, afinal, os clubes
capitalizam com seus sócios-torcedores? Naturalmente, a resposta reside nos
balanços, só que explicitada de maneira não tão simples.
Um dos
grandes problemas da contabilidade é a falta de padronização do plano de contas,
o que atrapalha desde fiscalizações tributárias até simples análises de
balanço. É o que ocorre na questão do sócio-torcedor. Se contas exclusivas para
receitas de “televisionamento” ou “venda de direitos federativos” são comuns a
quase todos os clubes, por algum motivo a arrecadação com sócios costuma ser
aglutinada com receitas de outras naturezas. Desde bilheterias, passando por
premiações ou até loterias – vários clubes os agregam ao faturamento com
sócio-torcedor, atrapalhando a clareza da análise. Mas não a inviabilizando.
Dito
isto, o Blog Teoria dos Jogos preparou planilha contendo o faturamento com
projetos associativos de alguns dos maiores clubes do Brasil em 2014. Num
comparativo com as mesmas contas em 2013, eis o resultado:

PS: A
coluna da direita expõe a nomenclatura da conta. Clubes que contabilizam
receitas com sócio-torcedor à parte estão em negrito.
Informação
que denota o quão irreversível é o fomento aos planos de associação: apenas os
14 relacionados faturaram R$ 300 milhões em 2014, um expressivo aumento de 27%
em relação ao ano anterior. Nos próximos parágrafos, alguns deles serão
dissecados.
A
maior receita provém da maior base de associados: o Internacional. Referência
na área, o colorado ainda teria margem para inflar os atuais R$ 58,9 milhões.
Segundo Alexandre Perin, do Blog Almanaque Esportivo, parte do aumento viria da
locação anual de cadeiras (que em 2014 só ocorreu por seis meses) e pelo fim
dos descontos concedidos a novos associados.
Ainda
que a liderança do Inter soe natural, a verdade é que o lado vermelho do Sul
destronou seu principal rival. Balanços 2013 apontavam o Grêmio como líder, mas
sua queda de faturamento (R$ 57,9 milhões para R$ 50,6 milhões) levou os
tricolores ao segundo posto no ranking. E se antigamente os gaúchos nadavam de
braçada, a cada ano que passa a concorrência se aproxima – vide os R$ 35
milhões arrecadados pelo Cruzeiro com seu projeto “Sócio do Futebol”.
Chegar
a este valor foi um desafio. O plano de contas celeste unifica a arrecadação
dos sócios com bilheterias e premiações. Considerando o atual bicampeão
brasileiro (a quem a CBF pagou R$ 9 milhões pelo título), tem-se um a conta
denominada “Bilheterias/Premiação” de R$ 85,7 milhões. Então o Blog Teoria dos
Jogos entrou em contato com Marcone Barbosa, diretor de marketing da Raposa,
que esclareceu a questão. Em 2013, o “Sócio do Futebol” rendeu R$ 30 milhões em
mensalidades e R$ 8,5milhões em venda de ingressos para sócios. Já em 2014, R$
35 milhões em mensalidades e R$ 20,6 milhões em ingressos para sócios.
Em
seguida surge o Flamengo, primeiro a manter conta separada para seu “Nação Rubro-Negra”. Projeto que, apesar de estagnado, injetou consideráveis R$ 30
milhões nos cofres rubro-negros ano passado. Depois do Fla, dois paranaenses e
o Palmeiras, todos acima dos R$ 20 milhões. A junção da “Timemania” à conta
alviverde gera pouco reflexo pela baixa rentabilidade proporcionada pela
loteria. Santos e Atlético-MG são outros a alcançarem oito dígitos na
arrecadação com associados.
O
Corinthians vem apenas em 10º, tendo amealhado menos que os R$ 9 milhões
indicados (pois loterias e premiações estão inclusas). Trata-se de um valor
incompatível com a grandeza da segunda maior torcida do Brasil. O lançamento de
uma nova categoria popular no Fiel Torcedor sinaliza que o clube seguirá na
proposta de angariar muitos contribuintes que paguem pouco, o que foi bem
recebido pela torcida. Por fim, os projetos de São Paulo, Bahia, Fluminense e
Botafogo gerando pouco impacto em seus fluxos de receita.
A
experiência corintiana aponta o ticket médio como fator determinante por
sinalizar o tamanho que um projeto pode ou deve atingir. Quem cobra quatro
vezes mais pode ter até quatro vezes menos adeptos. Eis um fator primordial
para que se determine o sucesso ou fracasso de uma empreitada, embora poucos
assim o compreendam.
Para
calcular o ticket médio dos projetos, o Blog Teoria dos Jogos procurou o
Movimento por um Futebol Melhor, sendo informado do número de adeptos no começo
e ao final de 2014**. Pela média aritmética dos cenários, chegamos a um número
que minimiza movimentos de aumento e queda, melhor se aproximando da
base-padrão de associados no período:
 **
Não foi possível incluir Atético-PR e Coritiba uma vez que ambos não são
filiados ao Movimento

Dividindo
o faturamento da primeira tabela pela média de associados da segunda, eis o
ticket médio de cada projeto:

Ordenamento
diferente, clubes semelhantes. Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e Internacional
compõem o top-5 dos que mais alto cobram, tendo apenas o Botafogo como
“intruso”. Todos os citados estão acima de R$ 40. No extremo oposto, projetos
de Fluminense e Corinthians custam menos de R$ 20 (em média), com tendência de
queda ainda maior para os paulistas.
A
comparação entre Flamengo e Corinthians mostra o ticket flamenguista mais de
três vezes superior. Assim, para equivaler aos 50 mil rubro-negros pagantes, os
alvinegros precisam atingir uma base de 150 mil associados. Botafogo e
Fluminense também nos trazem situação interessante: faturam igual, mesmo
havendo 2,5 vezes mais sócios tricolores.
Cobrar
muito ou pouco é política interna de cada clube. Mas as análises permitem
auferir que se a opção é cobrar menos, será necessário angariar uma base
colossal – algo cada vez mais difícil à medida que se saciarem demandas
reprimidas e os heavy users se virem cooptados.
Um
grande abraço e saudações!
E-mail
da coluna: [email protected]
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@vpaiva_btj

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