segunda-feira, setembro 28, 2020
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Fla gastou R$ 195,3 milhões só em juros nos últimos 5 anos.

Olhar
Crônico – Mais precisamente R$ 535,4 milhões em despesas financeiras,
constituídas basicamente por juros. Foi o quanto gastaram apenas 5 de nossos
grandes clubes nos últimos 5 anos.
Loucuras,
investimentos ou foi a venda do almoço de amanhã para pagar o jantar de
anteontem?
A
priori, não é errado ou perigoso assumir dívidas e pagar os custos
correspondentes. Nenhuma empresa cresce e se desenvolve sem contrair dívidas,
sejam elas pequenas ou grandes, de curto, médio ou longo prazo. Grosso modo,
grossíssimo modo, podemos dividir dívidas entre as que foram contraídas para
investimento ou para reforço de caixa num determinado momento, e aquelas que
são contraídas para pagar o principal e os custos de dívidas antigas. Dentro
ainda do “grossíssimo modo”, podemos dizer que as primeiras são saudáveis, de
maneira geral, e as segundas… Bom, as segundas indicam que a saúde financeira
de quem está fazendo tal operação vai mal. Geralmente muito mal.
Nesse
post, mostro como evoluíram as despesas financeiras de 5 clubes. Por que
somente 5? Porque, como de hábito, nem todos os balanços estavam disponíveis
para consultas no dia 30 de abril. Porque, como de hábito, alguns balanços são
pouco claros na descrição de seus diversos itens. Muitos não detalham
minimamente os diferentes pagamentos e recebimentos.
Por
despesas financeiras entende-se o pagamento de juros de dividas, como disse
acima. Infelizmente, mesmo entre esses clubes que estão relacionados nesse
post, não há total clareza sobre o caráter dessas despesas financeiras, mas, no
geral, elas podem ser traduzidas simplesmente como juros na sua maior parte.
Juros, como sabemos, mas às vezes esquecemos, nada têm de pecaminosos ou maléficos.
Eles são o lucro de quem correu risco e entregou seu próprio capital para um
terceiro. Costuma ser bom recordar isso, principalmente em países de formação
católica ou com pouca intimidade com o capitalismo. O Brasil se enquadra
plenamente nos dois casos.
Os
números desse post nada têm a ver com as dívidas tributárias e trabalhistas. Em
sua maior parte, essas despesas financeiras referem-se a operações executadas
com instituições bancárias ou também com empresas ou pessoas físicas que por
diversos motivos entregaram dinheiro para os clubes, como agentes e empresários
de jogadores, por exemplo, fato que mostra que a bancabilidade de nossos clubes
continua lá embaixo, no rés do chão, quase no porão.
Nessa
primeira tabela, vemos a Receita Total Sem Transferência de Atletas dos 5
clubes, no período de 2010 a 2014. O Corinthians foi o clube que mais
arrecadou, seguido por Flamengo e São Paulo, os três com boa diferença para
Internacional e Grêmio. Reparem no forte impacto sobre as receitas provocado
pela assinatura dos novos acordos de venda dos direitos de transmissão. Dois
outros pontos a observar são a irregularidade com certo viés de queda de quatro
dos cinco clubes e a exceção que é o Flamengo, que vem apresentando crescimento
constante e consistente em suas receitas.
Detalhe
importante: desde 2014 a receita de bilheteria do Corinthians está quase toda
comprometida com o pagamento de seu estádio, nem aparecendo no balanço, o que,
a meu ver, é uma grande falha, pois mascara o desempenho do clube.

A
próxima tabela mostra o quanto esses clubes pagaram em juros no decorrer desses
cinco anos. Embora o Flamengo seja o maior pagador, tanto o valor absoluto
como, principalmente, o percentual da receita utilizado para o pagamento desses
juros vêm diminuindo. Fortemente.
Impressiona
o valor total que saíram dos gramados para os cofres das casas bancárias – mais
de meio bilhão de reais. É muito dinheiro. Quando vemos esses números,
entendemos com mais facilidade o porquê do governo e dos legisladores
insistirem com medidas de fair play financeiro em troca do parcelamento das
dívidas tributárias. Dá para entender, também, a razão da insistência com o
limite de 70% para gastos com o futebol, mesmo que seja um limite de difícil e
até incongruente aplicação prática. Como disse a um amigo, são todos eles gatos
escaldados que agora têm medo de água fria.
Atentem,
por fim, à coluna 2014 e a diferença que ela apresenta para 2013. Preocupante,
não? Principalmente por sabermos que essa é a tendência também para 2015.

A
tabela a seguir, terceira e última, exige um pouco mais de atenção.
Despesa
total/Receita total – nessa primeira coluna temos quanto representou,
percentualmente, o pagamento de despesas financeiras sobre a receita total –
sempre sem transferências de jogadores – dos clubes, na média dos 5 anos
analisados. Os menores percentuais foram de Corinthians e Internacional, com os
maiores ficando com Flamengo e Grêmio, e o São Paulo numa faixa média.
A
segunda coluna mostra a Despesa total/Receita total apenas no ano de 2014.
Vejam que quatro dos cinco clubes apresentaram sensíveis aumentos nos
percentuais de comprometimento de suas receitas para o pagamento dos juros de
empréstimos contraídos. A exceção é o Flamengo.
Isso
fica muito claro na terceira coluna, que mostra a evolução do percentual de
comprometimento da receita para o pagamento dos juros. Quatro clubes aumentaram
essa participação, o Flamengo diminuiu.
Por
fim, a quarta coluna, a mais preocupante, pois mostra o quanto cresceu o
comprometimento da receita para pagar despesas financeiras de 2013 para 2014. O
Corinthians quadruplicou o valor e o São Paulo dobrou. A diferença é que os
valores de 2013 desses dois foram bem diferentes, e o menor crescimento
percentual do São Paulo é quase tão grave quanto o do Corinthians. Mas não dá
para ninguém ficar despreocupado, nem mesmo o dirigente e o torcedor
rubro-negro que, apesar dos bons desempenhos, tem que pagar grandes somas ano a
ano.

Outro
motivo para preocupação além dos que vimos na tabela acima: como bem sabemos e
sentimos, a economia do país atravessa uma fase péssima, o que,
inevitavelmente, acabará por afetar o futebol. Previsões otimistas apontam a
retomada do crescimento somente para 2017. Já o FMI, por sua vez, divulgou
estudo apontando que somente em 2020 o Brasil voltará a crescer 2,5%, valor que
parece bonito, mas é muito baixo para nossas necessidades e população, que por
si só já cresce por volta de 1% ao ano.
Tudo
isso reforça a necessidade imperiosa de nossos clubes abraçarem e praticarem o
fair play financeiro. E reforça a importância da aprovação da MP 671. A CBF,
que financeiramente vai “muito bem, obrigado”, precisará abrir mão de parte de suas
posições para ajudar os clubes a fecharem o acorde de parcelamento de seus
débitos.
Números
como esses que vimos mais acima mostram isso.
Em
tempo: meio bilhão de reais pagos em juros em cinco anos por cinco clubes.
O
conjunto dos clubes brasileiros deve cerca de 4 bilhões de reais em impostos
atrasados.
Os
dirigentes de pelo menos dois desses cinco clubes têm reclamado uma barbaridade
das exigências que estão na MP 671. Dá para acreditar?
Pois
é…

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