quinta-feira, setembro 24, 2020
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Flamengo caminha para ano histórico fora de campo.

Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

OLHAR
CRÔNICO
: Diego chegou e já teve uma enorme recepção.

Também
chegou Leandro Damião e com Guerrero e Vizeu o ataque rubro-negro passa agora a
ter nomes de peso e futuro e o treinador Zé Ricardo um bom elenco à disposição.
Impossível
não é que esse grupo “encaixe” rapidamente e passe a mostrar o futebol de que é
capaz e até fazer história, mas não é provável.
Bons
times demandam uma combinação muito boa de elenco, treinador, tempo e trabalho.
Dessas variáveis, a mais complicada e ao mesmo tempo mais simples é o tempo.
O
tempo é inelástico, independentemente da vontade de quem tenta manipulá-lo.
De
qualquer forma, porém, estamos no mundo do futebol, um mundo onde o
rigorosamente impossível costuma acontecer com razoável frequência.
A
outra grande e despercebida notícia da semana
Naturalmente
os holofotes ficaram sobre Diego, mas essa semana começou com uma notícia
extremamente alvissareira para os rubro-negros. Na verdade foi uma coleção de
boas novas, relatadas em carta do Vice-Presidente Jurídico e também
Procurador-Geral do Flamengo, Flávio Willeman, aos sócios do clube.
O
ponto alto da prestação de contas do 1º semestre do setor foi a concretização
de quatro grandes acordos envolvendo dívidas do clube, que resultaram numa
economia total ao clube de R$ 178 milhões. Essa economia se dá em relação a
números possíveis, números que poderiam impactar pesada e negativamente as
contas do Flamengo.
Em sua
carta, Flávio Willeman destacou a importância do trabalho conjunto com Fred Luz
– CEO – e Paulo Dutra, Diretor-Financeiro. Esse é outro ponto que deve ser
destacado, pois mostra a importância e os bons resultados de áreas diversas dos
clubes trabalharem em conjunto.
Pensando
em termos mais concretos, ou seja, pensando na dívida do clube, esses acordos e
outros mais de menor expressão já fechados também nesse primeiro semestre,
principalmente envolvendo questões trabalhistas, deverão gerar uma queda ao
redor de R$ 110 milhões na dívida do Flamengo.
Os
acordos negociados são referentes aos seguintes casos:
– caso
Ronaldinho Gaúcho: a petição inicial do atleta apontava para um pagamento de R$
70 milhões; o acordo acabou sendo fechado em R$ 17 milhões, que serão pagos
parceladamente e dentro do Ato Trabalhista;

COFINS: a Fazenda Nacional cobrava R$ 35 milhões referentes à aplicação desse
imposto sobre receitas do clube entre 2007 e 2001; o clube venceu em 1ª e 2ª
instância, provando que o imposto não se aplicava às suas atividades;
– o
famoso “caso Plaza”: a dívida, que alcançava o total de R$ 96 milhões, foi
negociada e foi fechado um acordo no valor de R$ 61,5 milhões; desse total, R$
40 milhões já estavam penhorados e o saldo de R$ 21,5 milhões foi pago com
parte das luvas recebidas pela renovação do contrato de cessão dos direitos de
transmissão do Campeonato Brasileiro; esse processo estava correndo há 14 anos,
desde 2002, e o acordo final resultou em economia de R$ 35 milhões;
– o
quarto grande acordo foi fechado há poucos dias, segundo Willeman, e foi
fechado com cerca de 700 funcionários e ex-funcionários; dizia respeito a
valores de FGTS não depositados desde 1985 e foi aberto em 1992; essa dívida há
muito já fora reconhecida pelo clube, restava pagar; a soma dos processos e dos
cálculos indenizatórios elevou o total da dívida a R$ 60 milhões; novas
perícias, novos cálculos e o novo acordo acabaram por reduzir o pagamento a R$
5 milhões, resultando em economia de R$ 55 milhões.
Esse
post ficou extenso com tanto texto e tantos números e… tantas datas. Vejam,
porém, os anos em que os problemas sanados em 2016 começaram: 1985, 1992,
2002…
Para
tentar mostrar ou explicar um pouco da importância desses fatos não havia como
não mencionar números e datas.
É por
isso que 2016 pode ser um ano histórico para o Flamengo, pois ao seu final a
expectativa hoje, praticamente uma certeza, é o clube terminar o ano tendo uma
dívida líquida inferior à receita do ano ou ligeiramente superior a ela.

As
novas contratações, Diego inclusive, estão sendo feitas dentro do budget,
dentro do orçamento previsto para contratações.
Mais
que isso: os custos que elas representam não chegam ao limite de 50% estipulado
pelo clube para gastos e investimentos. Por quê? Porque a outra metade desse
dinheiro em tese disponível continuará sendo usada para as quitações de
dívidas.
Em
termos práticos: o Flamengo entrará em 2017 com uma relação de 1:1 entre dívida
e receita, ou seja, em tese a receita de um ano seria suficiente para pagar
toda a dívida.
Isso
acontece depois de um ano excepcional como 2015, já reportado nesse OCE (aqui),
e no decorrer de um 2016 marcado pela depressão de nossa economia, o que
valoriza ainda mais esses resultados obtidos pelo Flamengo.
Esse
será, sem a menor dúvida e em minha opinião, o maior feito extracampo de um
grande clube brasileiro nesse século.
Lembro
a todos que esse OCE, desde seu nascimento, sempre teve uma preocupação enorme
com a sustentabilidade de nossos clubes e sempre apontou inumeráveis falhas de
gestões, gastos absurdos, prejuízos gigantescos, que às vezes, só às vezes,
traziam alegrias instantâneas.
Essas
alegrias, de curta duração, eram seguidas por anos e anos de sofrimento e
tormento, com as dividas, as penhoras, as execuções sufocando o dia a dia dos
clubes e influenciando terrivelmente nosso futebol.
Esses
processos continuam na quase totalidade dos nossos clubes.
Por
isso mesmo, fecharei esse post repetindo a abertura desse bloco:
Esse
será, sem a menor dúvida e em minha opinião, o maior feito extracampo de um
grande clube brasileiro nesse século.
Por Emerson
Gonçalves

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