Flamengo cita cambistas e projeta Ilha só para Sócio-Torcedores.

Faixa de protesto da torcida do Flamengo contra valores dos ingressos na Ilha do Urubu Foto: Cris Dissat / Fim de Jogo

EXTRA
GLOBO
: Os valores cobrados pelo Flamengo na Ilha do Urubu tornaram-se alvo de
críticas de boa parte da torcida desde o primeiro jogo. Na última quinta-feira,
o clube reformulou os descontos para sócios-torcedores, limitando a
meia-entrada a quem tem o direito por lei para a partida com o Grêmio, na
quinta-feira. Mesmo assim houve protestos. Dentro do clube, inclusive, o
desconforto é grande.

Contudo,
o diretor-geral Fred Luz detalhou ao EXTRA o que pensam os dirigentes sobre o
tema. Segundo ele, a ideia é acreditar que o torcedor do Flamengo quer um time
forte, mesmo que para isso a Ilha do Urubu seja um estádio apenas para sócios e
o povão que compõe a Nação tenha que ver mais jogos pela televisão.

Popular são as gratuidades. Isso no Estado não tem cunho social, não importa a
renda. Poderia ser, mas não é – disse Fred, referindo-se a politica de governo
que estabelece gratuidade para idosos e criancas. Sao 1200 ingressos nesta cota
na Iilha.
CONFIRA
A ENTREVISTA EXCLUSIVA:
Quais os critérios para o Flamengo cobrar
o que vem cobrando nos ingressos dos jogos na Ilha? O preço chegou a R$ 200, no
mínimo, agora caiu para R$ 150.
Fred
Luz: Toda questão de precificação nunca é estável. Os valores dos jogos variam.
Ela depende muito do interesse do jogo. O objetivo é precificar para ter o
estádio lotado. E não ter cambista. Mas isso é fácil de falar. Tem variáveis e
incertezas sempre presentes. O que mais define o valor de um jogo? O estágio do
time. O interesse é baseado em como o time está. E na importância do jogo, se é
eliminatório, final… No horário do jogo, o dia, também muda. Um jogo dia de
semana de noite tem interesse diferente.
Os dados mostram que o valor está
adequado, então?
Fred
Luz: A gente está buscando e estamos sendo bem sucedidos a ocupação máxima do
estádio. Até agora, não tivemos lotação inferior a 80%. E está crescendo.
Fizemos um primeiro pacote de jogos. Precificamos com antecedência. Antes do
jogo com a Ponte, o time estava com uma campanha não tão adequada. Parecia que
o jogo do São Paulo estava ficando caro. Mas a performance melhorou. Foi o
primeiro jogo na Ilha de tarde. Apesar de ser o mais caro, foi o que mais
lotou.
Com o ticket médio por volta de R$ 60 vocês
acreditam que a Ilha vai sempre lotar?
Fred
Luz: A gente acha que essa faixa de preço é adequada. O preço oficial,
infelizmente no Rio de Janeiro, diz muito pouca coisa sobre o valor. O ticket
médio é menos da metade do valor. Fizemos uma correção do sócio-torcedor para
equalizar. Todos têm o mesmo desconto. Com exceção do Tradição, que pelo modelo
tem desconto menor.
Não temem que o número de sócios diminua?
Fred
Luz: Não estamos contando com perda do número de sócios. Está aumentando todo
dia. O desconto é expressivo. O ST não é motivado só pelo estádio. Até porque
não cabe todo mundo. A motivação do sócio-torcedor é ver o Flamengo forte.
Temos elenco em condições de disputar qualquer campeonato.
No Maracanã o ingresso seria mais barato?
Fred
Luz: No Maracanã, como tem mais lugares disponíveis, provavelmente poderíamos
operar com ticket médio um pouco mais baixo. O desafio é não dar margem para o
cambista ganhar dinheiro em cima do Flamengo. Porque o investimento do clube
não vem pra gente. O torcedor não quer isso.
Então o preço seguirá assim na temporada?
Fred
Luz: A tendência hoje, até surgir um fato novo, é de certa estabilidade. Tem um
fator que a gente não sabe direito. A gente observou contra o São Paulo uma
mudança no perfil do torcedor. Muitos que iam ao Maracanã, da Zona Sul, não iam
muito na Ilha. A ocupação do setor oeste também era baixa, e ficou assim mesmo
com preço igual ao da Leste e a Sul. A gora a procura pelo Oeste está
aumentando.
Acha que a Ilha vai emplacar mesmo com
dificuldade de acesso?
Fred
Luz: A medida que o torcedor conhece a Ilha, o trabalho de segurança e acesso,
facilita. E o torcedor ganha confiança. Isso é unânime, que a experiência é
legal. Ainda vamos ter mais demanda por aquilo ali. E vamos ficar administrando
o preço. Acho que chegamos a uma situação de estabilidade para jogos nesse
nível de desempenho.
Haverá ingressos populares em algum
momento?
Fred
Luz: Popular são as gratuidades. Isso no Estado não tem cunho social, não
importa a renda. Poderia ser mas não é. Quando o jogo não tem interesse elas
não são todas usadas. Quando tem, esgota. Deveria ser o social, é 10% da
capacidade do estádio.
A Ilha do Urubu, então, seria só para
sócios-torcedores?
Fred
Luz: Acredito que sim (só sócio). No jogo contra o São Paulo, para não sócio
foram apenas 597 ingressos. Quase todos para sócio-torcedor. A tendência, mesmo
no Maracanã, quando tiver uma solução, é que seja lotado por sócios-torcedores.
Na Libertadores foram 90% de sócios em alguns jogos. Como é no mundo todo.
Pode haver desconto progressivo para os
sócios mais presentes, como é feito em outros clubes brasileiros?
Fred
Luz: É uma possibilidade, mas não tem definição. Temos sistema de pontuação que
dá benefícios, mas não ingressos. O modelo tem categorias com prioridades
diferentes. Está havendo uma migração de sócios do Raça para categorias mais
altas. Por isso não é simples dar pontuação para ter ingresso. Mas não está
descartado.
A Ilha está orçada para dar retorno
financeiro a ponto de o ingresso não poder diminuir?
Fred
Luz: A Ilha foi orçada, a bilheteria também foi considerada. Naturalmente
quando compara perspectiva de receita na Ilha e um estádio de grande porte, a
projeção é menor. O Flamengo vai ter que se superar. Claro que o ticket médio
vai ser maior, do que o do Maracanã, por exemplo.
Você atribui o cambista apenas ao sinal de
que o preço está baixo?
Fred
Luz: Atribuo o cambista apenas ao preço. Ele existe por preço e conveniência.
Consegue pegar e vender por um preço maior. O cara que não comprou no site, vai
tentar comprar na porta, porque vai ter alguém vendendo.
O torcedor do povão, que forma a maior
parte da torcida do Flamengo, vai ter que se contentar com a televisão?
Fred
Luz: – Sempre tem possibilidade do cara comprar o ingresso. Se pegar o torcedor
que vai a todo jogo no Maracanã. Ele tem que ter uma certa renda. Por mais
barato que seja tem que ter para ver alguns jogos. Temos esse dilema. O desafio
é conseguir estádios maiores. A CBF estabeleceu que sem o Maracanã não podemos
jogar em outros estádios de grante porte, poderíamos atender nosso torcedor,
com preços menores. Em um estádio menor, tem problemas. Mas não adianta ir para
uma situação irreal. Acreditamos que acima de tudo o que torcedor quer é o time
forte. É ter Diego, Guerrero, Márcio Araújo, Éverton Ribeiro. A gente já teve
uma linha mais populista que não levou o Flamengo ao lugar que tinha que ir, de
construir times robustos. O jogador por mais que ele ganhe chega sabendo que
vai ser mantido no ano seguinte, não com a faca no pescoço. Isso depende do
valor do ingresso, da bilheteria. Fui aos clubes agora da Europa e um terço da
receita vem do conjunto estádio, televisão, sócio e bilheteria. No Flamengo não
chega a 15% ainda. Esse componente tem que ganhar.
O sócio Tradição paga mais que quem paga
meia-entrada, isso vai ser revisto?
Fred
Luz: – A gente fez uma mudança, pode ter um efeito colateral. Nesse jogo do São
Paulo, foram 106 ingressos do Tradição. Não tem conseguido comprar por causa
dos demais planos. Tem que pagar menos. Mas o objetivo não é ir ao estádio. Ele
paga menos de 10 reais e tem desconto 50% menor do que os demais planos. É mais
para experiência dos sócios fora do Rio.
Se o Flamengo for para as finais da Copa
do Brasil e da Sul-Americana o preço pode aumentar?
Fred
Luz: – A filosofia é precificar em cima do interesse do jogo. Se tiver
disputando um campeonato, como a Copa do Brasil… E ali ainda teve cambista,
em 2013. Não temos nenhum interesse em elitizar. O interesse é no torcedor do
Flamengo que quer o Flamengo forte. E temos que impedir que pessoas ganhem
dinheiro às custas do que o clube está fazendo.

Por: FlaHoje

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