sexta-feira, setembro 25, 2020
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Flamengo, Corinthians e Palmeiras sustentam as novas Arenas.

Foto: Getty Images

EPOCA
EC
: A Copa do Mundo deixou uma herança ingrata para o cidadão – as arenas
construídas para o evento são majoritariamente deficitárias, e os prejuízos
delas são em boa dose pagos com dinheiro público. O problema está no
descompasso entre o que políticos e cartolas sonharam que arrecadariam com os
novos estádios e o que arrecadam de fato. O país injetou bilhões de reais para
construir instalações esportivas que têm custos “padrão Fifa” e receitas
“padrão Brasil”.

O
Brasil tem uma população considerável, acima de 200 milhões de habitantes, e dá
a impressão de tomar gosto pelo futebol por ser pentacampeão mundial e ter uma
dúzia de clubes tidos como grandes. Mas é um país emergente. Na economia e no
futebol. O brasileiro tem menos renda disponível para o lazer do que o
americano, o inglês ou o alemão. O futebol brasileiro tem menos qualidade do
que o europeu. A (in)segurança afasta o sujeito comum dos estádios. O país de
repente herdou uma dúzia de arenas custosas sem que houvesse mercado para
sustentá-las. E a conta está aí.
ÉPOCA
buscou nas demonstrações financeiras das empresas que administram estádios as
receitas de 15 novas arenas em 2015 – as 12 usadas na Copa e mais três
construídas no mesmo período e nos mesmos padrões: o Allianz Parque (São
Paulo), do Palmeiras, a Arena do Grêmio (Porto Alegre) e o Independência (Belo
Horizonte). Os modelos de negócio variam de estádio para estádio, portanto dois
cuidados foram tomados para não distorcer as comparações. Não foram
considerados repasses de dinheiro público que alguns estádios recebem de
governos, e, nos casos de arenas que ficam com as bilheterias dos clubes, os
valores foram discriminados dentro do total arrecadado. Isso para que haja um
denominador comum.
A Arena Corinthians (São Paulo) tem a
maior receita do país, com R$ 83,8 milhões arrecadados na temporada em que o Corinthians
foi campeão inconteste do Campeonato Brasileiro. Com um asterisco. O
Corinthians, clube, decidiu deixar o valor arrecadado por ele com a venda de
ingressos integralmente no caixa da empresa que administra o estádio. Isso
enfraquece as contas do time de futebol, mas segura a operação da arena de pé.
As bilheterias renderam R$ 73,9 milhões, ou 88% do faturamento. O estádio
corintiano precisa melhorar – muito – a rentabilidade de outras receitas:
patrocínios, merchandising, alimentação, estacionamento e camarotes.
O Maracanã (Rio de Janeiro) tem o segundo
maior faturamento entre os estádios, com R$ 60,6 milhões. Também com um
asterisco. Os acordos feitos pela Odebrecht com Flamengo e Fluminense reservam
uma parte das bilheterias para a operação do estádio. Do total, R$ 5,5 milhões
foram obtidos a partir dos ingressos. Note a importância da distinção entre
bilheterias e outras receitas: o Maracanã, do ponto de vista comercial, teve um
desempenho superior ao da Arena Corinthians em 2015. Na realidade, teve o
melhor desempenho do país. O fato de ser a arena com mais atividade, 66
partidas, facilita a captação de patrocínios porque o público alcançado é
maior.
O Allianz Parque (São Paulo),
administrado pela WTorre, e não pelo Palmeiras, aparece em terceiro. Sem
asterisco. A construtora não recebe nenhuma parte dos ingressos vendidos pelo
clube. E ainda divide com o clube percentuais entre 5% e 30% de outras
receitas. O estádio palmeirense é o único a ter vendido os naming rights – a
seguradora que o nomeia paga R$ 15 milhões por ano – e leva vantagem por ter
eventos além do futebol com frequência. Houve 82 eventos no local, entre eles
sete grandes shows, e a maioria dos camarotes, em torno de 80%, está vendida.
Os R$ 47,1 milhões arrecadados tornam a arena na segunda mais rentável do país.
No
Sul, o Beira-Rio (Porto Alegre)
fatura R$ 20 milhões sem também contar com as bilheterias do Internacional, que
ficam com o clube. A Andrade Gutierrez e o BTG Pactual constituíram uma empresa
para administrar apenas as “áreas nobres” do estádio colorado: camarotes,
skyboxes, alimentação e estacionamento. A Arena
do Grêmio
(Porto Alegre) arrecada R$ 42 milhões, mas boa parte, R$ 19,7
milhões, corresponde às bilheterias do Grêmio. Outra parte, R$ 15 milhões,
equivale ao dinheiro de sócios que o clube repassa para o estádio. A casa
gremista sofre com a cisão entre o time e a construtora que o administra, a
OAS, e gera menos dinheiro do ponto de vista comercial do que a casa do rival
colorado. A Arena da Baixada (Curitiba), inteiramente administrada pelo
Atlético-PR, gera R$ 11,1 milhões, mas quase a metade, R$ 5,8 milhões, vem de
ingressos.
A
comparação entre faturamentos de arenas, com os devidos cuidados, é possível. E
ajuda a entender o que o Brasil precisa fazer para que os estádios comecem a
dar lucro. O futebol que um dia se sustentou apenas com a venda de entradas
agora precisa fazer dinheiro com camarotes, assentos premium, espaços
corporativos, alimentação, estacionamento, eventos além do futebol. As
arquibancadas precisam estar cheias para valorizar essas novas receitas. Isso
requer reformas na estrutura do futebol brasileiro para que tenha mais
qualidade, seja mais seguro para o espectador e não sacrifique em demasiado o
torcedor com preços além da conta. Tornar a herança da Copa em um negócio
sustentável num país emergente é mais complexo do que políticos e cartolas
imaginaram.

Foto: Getty Images

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