sábado, setembro 19, 2020
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Flamengo em primeiro. Vem, Estado Islâmico.

Foto: Reprodução

REPÚBLICA
PAZ E AMOR
: Olha em que situação cabulosa o Flamengo se meteu. Desde Maio tomou
tantos cuidados para atravessar o 1º turno do Brasileiro na miúda, sem
despertar maiores interesses ou invejas da zinimiga. Mas por causa de uma série
interminável de vacilos, vacilos nossos e também de los paraguayos arriba,
corremos um risco fodido de terminar a 19ª rodada na liderança.

Não
quero parecer alarmista, mas se o ET chegar hoje ao Brasil e mandar a clássica
“Leve-me ao seu líder” o taxista, se for um profissional da praça honesto,
sujeito homem que não tem medo da concorrência do Uber porque sempre presta um
serviço de 1ª qualidade, vai ter que deixar o alienígena na Gávea.
Esculhambação.
Não
podemos crer que o planejamento, esse filhote de pombo tão superestimado pela
gatomestragem, esse funeral de pessoa afetada pelo nanismo ao qual se atribui
poderes cuja real extensão permanece ignota, por mais nas coxas que tenha sido
feito, previsse um desfecho tão escalofobético para a 1ª metade do campeonato.
Seja lá qual for o teor desse documento aparentemente deu tudo errado e o
Mengão é o líder do Brasileiro no comecinho de Agosto. Se isso já é
desesperador pra mulambada, imagina o pânico na Arcoirislândia.
E o
incrível não é o fato do Flamengo ser líder do Brasileiro na 19ª rodada.
Incrível é o Flamengo ser líder sem ter jogado uma mísera partida do campeonato
em casa. Com todo respeito aos candangos, capixabas, manauaras e papa-goiabas
da Nação, foram 19 jogos fora. Isso ultrapassa até mesmo os vastos limites do
ser grande. Com essa façanha o Flamengo adentra intrepidamente no ainda
obscuro, e para muitos assustador, terreno do gigantismo. Aos ateus, que para
tudo tem uma resposta cartesiana na manga, rogo que se ajoelhem em contrição e
agradeçam ao combo de milagres a São Judas Tadeu, Krishna, Buda e a todo povo
de Aruanda.
Como
deixamos a coisa chegar a esse ponto talvez seja uma pergunta que jamais venha
a ser respondida satisfatoriamente. Mas é inegável que a vitória sobre nosso
genérico paranaense no simpaticíssimo Kleber Andrade de arquibancadas Mondrian
teve uma enorme influência. Malgrado a desproporção entre os contricantes foi
um jogo enjoado pra cacete e o Flamengo correu risco, mesmo tendo dominado a
partida do início ao fim. Mas nossos domínios são naquele estilozinho safado
toca a bola, toca a bola, toca a bola e não chuta nem por um cacete, a casa
sempre pode cair de uma hora pra outra.
E 40
milhões ainda estariam com o cu na mão se não fosse a insistência do Sr.
Fernando na carreira de jogador de futebol profissional. Foram sua resiliência
e sua determinação que transformaram uma bola perdida nas quebradas da direita
no belo gol de letra de Mancuello. Um golaço tão desproporcional à importância
do evento em Cariacica que confundirá ao menos atentos, que iludidos pela
plasticidade da jogada poderão até mesmo achar que o Flamengo vem praticando
ilegalmente o futebol arte. Tranquilizo-os, não estamos mesmo.
O
Flamengo tem jogado daquele jeito que irritante ao qual estamos nos habituando
ultimamente, pródigo na troca de passes e econômico beirando a muquiranagem em
termos de ofensividade. Os chutes dados ao gol se contam nos dedos de uma só
mão enquanto os batimentos cardíacos da torcida vão a milhão. Quando nossos
jogos acabam é um alívio e a cada 3 pontos conquistados a cabeça de Zé Ricardo
fica ainda mais unida ao seu pescoço. O que nos dá a certeza de que não
mudaremos nosso estilo de jogo tão cedo. Foi nesse estilo, mistura de eletro e
tamborzão, que saímos do gramado capixaba já vergados pelo peso da liderança,
que espero ser breve e indolor.
Entendam,
nada contra a liderança, o favoritismo e a proeminência. Como qualquer outro
rubro-negro normal sou naturalmente talhado para o protagonismo e não me
importo em ser o alvo da admiração e inveja da arcoirizada, achamos até graça.
Só que por mais que tenha fé nos poderes do Manto Sagrado não sou capaz de
acreditar que ficar pelas próximas 19 rodadas na liderança do Brasileiro seja
uma boa ideia para quem quer mesmo ser heptacampeão desse bagulho.
Como
será possível ficar no sapatinho ocupando a liderança? Como matar o bichinho do
oba-oba antes que ele contamine a tudo e a todos se o Flamengo olha pra cima e
só enxerga o Nacional de Medellin? Como colocar em prática a estratégia do
Deixou Chegar Fudeu se já alcançamos o objetivo muito antes da hora em que as
boas maneiras exigem? porr*, Flamengo! Te amo, mas porque você tem sempre que
fazer tudo da maneira mais difícil?
Mas
não nos lamentemos, vivamos o hoje, sem arrependimentos ou bad feelings. Eu
assino embaixo, doutor, por minha rapaziada. Somos crioulos do morro, mas
ninguém roubou nada. Isso é preconceito de cor. Ninguém chega em 1º sem
merecer, mas com muita fé no DJ quem sabe essa liderança extemporânea e alheia
à nossas tradições não seja neutralizada já nas próximas horas por um dos
nossos coleguinhas paraguaios? Deus me dibre começar o returno em 1º. O que
podemos fazer é torcer para o melhor, se preparar pro pior e jogar duro com as
cartas que a vida nos der. Sem se deixar levar pela inebriante atmosfera
saturada de ácido heptanóico provocada pelo clima do Deixou Chegar Fudeu.
Prestem
muita atenção às duas partes dessa letra. A parte do Deixou Chegar é
cristalina, à prova de burro, não deixa nenhum espaço para a interpretação
criativa. É com a dubiedade do Fudeu que temos que nos preocupar. Bom domingo.
Mengão
Sempre
Arthur
Muhlenberg

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