segunda-feira, setembro 28, 2020
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Flamengo: Entre a cruz e a espada.

Foto: Divulgação

PAPO DA NAÇÃO: Por Matheus Ferreira

Com a
chegada de Réver no meio do ano passado, a zaga flamenguista encontrou uma
rocha inabalável na zaga, com segurança e técnica o atual capitão rubro-negro
liderou a mais segura zaga flamenguista dos últimos anos. Porém, se sobra
segurança e certeza de um lado da zaga o mesmo não pode ser dito do seu
companheiro de zaga e muito menos sobre o reserva de seu companheiro. Clique em
“Leia Mais” para ver o artigo completo.
Desde
o início do ano a falta de contratações para a zaga gerava questionamentos na cabeça
de muitos flamenguistas, Réver era inquestionável mas Vaz era uma grande
incógnita: Quando chegou, ano passado, emendou uma série de boas atuações que
ajudaram o time a manter grande solidez defensiva(ainda que, para este que vos
escreve, tenha surfado muito na onda do melhor zagueiro do Brasileirão passado)
e conseguir chegar em 3º lugar no campeonato brasileiro mas seus insistentes
chutões e alguns “lapsos” defensivos incomodavam o torcedor
rubro-negro, mas por estar em grande forma e o time não tomar muitos gols isso
era deixado de lado.
O
problema foi quando o jogador voltou ao “modo normal”(assim como
outros jogadores medianos do Fla que estavam jogando acima da média da sua
carreira) e os erros se tornaram cada vez mais frequentes e a paciência da
torcida foi ficando cada vez menor; o jogador mostra certa técnica e
competência defensiva mas tem lapsos de memória onde se acha o Beckenbauer
rubro-negro e força jogadas difíceis onde fazer o simples é, como sempre se
falando em defesa, o melhor. Jogadas em que um simples passe para o lado
resolveria tudo, o zagueiro tenta uma jogada individual, quando recupera a bola
e poderia passar a bola para o jogador mais próximo à frente e iniciar uma
jogada trabalhada, prefere dar um chutão para o ataque o que, quando o esforço
de Guerrero não adianta, só serve para devolver a bola para o adversário. O
futebol de Vaz pode ser definido com uma palavra: “poderia”, o
defensor sempre tem uma jogada melhor que poderia fazer, mas sempre toma a
decisão errada. Por tentar jogadas além das que tem capacidade para fazer o
jogador muitas vezes vira um estorvo ao time do Flamengo.
Mas já
que Vaz cria tantos preocupações, porque não o substituir por seu reserva
imediato? Bom, é aí que começam alguns problemas…
Alguns
flamenguistas podem ficar bem contrariados, mas é apenas a verdade: Donatti tá
longe de ser o jogador que muitos torcedores idealizam, não era por exemplo o
melhor da dupla de zaga titular do Rosário Central ano passado, também tem
volta e meia lapsos defensivos, tem erros de posicionamento e comete falhas na
cobertura, capaz de erros de passe bobos e não é tão rápido. É um jogador
bastante limitado, porém, ganha vantagem ante Vaz por nunca inventar e sempre
fazer o simples o que, repetindo, se tratando de defesa é sempre o melhor.
Outra
alternativa é dar a titularidade à Juan, o veterano apesar da idade conserva um
posicionamento impecável e técnica avançada além de ter na bagagem anos de
experiência no mais alto nível de futebol por clubes europeus e pela seleção.
Porém a idade avançada aumenta as chances de lesão, e também prejudica o
jogador em alguns atributos: a velocidade e a força já não são mais as mesmas o
que poderia ser vantagem para adversários de estilo de jogo mais rápido e
físico, além disso ter uma dupla de zaga mais lenta com um time de DNA ofensivo
e que joga com linhas altas como esse do Fla pode ser suicídio.
Olhar
para base pode resolver nossos problemas, Léo Duarte e Dener são dois que
despontaram e se destacaram nos últimos anos. Porém, enquanto o primeiro, nas
chances em que recebeu, cometeu falhas e um grande número de decisões erradas
no campo, diminuindo assim a possibilidade de receber logo a titularidade, o
segundo pode não ganhar uma oportunidade por não ter “experiência” e
o corpo técnico/diretoria terem medo de o queimá-lo (um pensamento que acho um
tanto equivocado muitas vezes).
Antes
que pensem isso, o objetivo do texto não é descer a lenha sobre os nossos
zagueiros, nem esperar que eles atuem como Cannavaros falantes de português mas
sim ponderar sobre as dúvidas que a nossa zaga gera. Entre um zagueiro
irregular com alucinações de Beckenbauer, um zagueiro limitado, um veterano
muito técnico mas que já não tem o mesmo pique de antes e dois garotos da base,
qual escolher? Qual é a melhor opção? As possibilidades de escolha do parceiro
de Réver geram mais dúvidas que certezas, mais questionamentos do que
respostas. Definitivamente estamos entre a cruz e a espada.

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