terça-feira, setembro 29, 2020
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Flamengo firma parceria com Comitê Norte-Americano.

Foto: Divulgação

ESTADÃO:
A Olimpíada será uma grande oportunidade para alguns clubes brasileiros e
universidades que possuem uma boa estrutura de treinamento. As delegações
estrangeiras já estão negociando e acertando espaços exclusivos para fazerem
suas aclimatações antes dos Jogos do Rio. E muitos clubes já olham para o
dinheiro que vai entrar como uma chance para preparar futuros atletas para as
edições de 2020 e 2024.

É o
caso do Pinheiros, Flamengo, Paineiras, Hebraica, Clube Naval Charitas e Minas
Tênis, só para citar alguns. Nenhum deles revela quanto vai receber, pois
existe um contrato de confidencialidade entre as partes, mas estima-se que o
Comitê Olímpico Chinês pagará cerca de R$ 12,6 milhões para o Pinheiros
enquanto os Estados Unidos gastará R$ 5,4 milhões para ficar com algumas
modalidades no Flamengo.
“A
verba será utilizada para garantir o sucesso da operação. Isso inclui as
intervenções necessárias em nossas instalações para atendermos as 14
modalidades da delegação chinesa, compra de equipamentos, operação e logística
de alimentação, e contratação de pessoal ou serviços especializados das
diferentes áreas envolvidas, caso necessário”, diz Roberto Cappellano,
presidente do Clube Pinheiros.
Cezar
Roberto Leão Granieri, presidente do Sindicato dos Clubes do Estado de São
Paulo (Sindi-Clube), explica que os clubes paulistas são os maiores formadores
de atletas olímpicos e podem se lucrar com a presença dos estrangeiros em suas
sedes.
“São
diversos os benefícios para essas agremiações, e podem ser mensurados de muitas
formas. Em alguns casos, há contrapartidas financeiras, que poderão ser
direcionadas para investimentos, como a compra de equipamentos e ampliação da
estrutura existente. Outro aspecto importante, que costuma fazer parte dessas
parcerias, é a possibilidade de trocar conhecimento, que gera um ganho
inestimável no aspecto técnico para nossos atletas por meio dessa convivência.”
No
Rio, o Flamengo firmou parceria com o Comitê Olímpico Norte-Americano e está
reformando boa parte de sua sede na Gávea para receber atletas de basquete,
vôlei, handebol, rúgbi e ginástica artística. Os três ginásios estão passando
por obras, e o investimento vem todo dos Estados Unidos. O clube não confirma
valores, mas o jornal O Estado de S. Paulo apurou que o investimento
norte-americano é de aproximadamente US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 5,4
milhões). O montante vai para um caixa à parte das demais receitas e é
revertido para o projeto olímpico.
“O
Flamengo queria modernizar suas instalações, e está aproveitando a Olimpíada
para isso”, disse o vice-presidente de Esportes Olímpicos do clube,
Alexandre Póvoa.

“Nós queremos usar o ciclo olímpico para investir
fortemente no pós-Olimpíada. Queremos voltar a ser um clube formador para nos
tornarmos o maior fornecedor de atletas para o Brasil nos Jogos Olímpicos de
2020 e 2024.”

Além
da reforma na estrutura física, a parceria também envolve troca de experiências
entre os treinadores americanos e do Flamengo.

“Queremos aproveitar o
know-how deles”, afirmou Póvoa. Quase todo o valor está sendo usado na
modernização na sede, mas uma pequena parte será utilizada em ações de
marketing.

“Eles não queriam apenas um lugar para treinar. Eles queriam
aproveitar um pouco da popularidade do Flamengo para se aproximar da torcida
brasileira.”

Já em
Belo Horizonte, o Minas Tênis Clube firmou parceria com a delegação olímpica e
paralímpica britânica para utilização de suas sedes antes e durante os Jogos
Olímpicos. O clube já recebeu atletas da equipe de canoagem para treinos e
aclimatação no Minas Náutico, uma de suas unidades.
PREPARAÇÃO – Para
receber atletas de Israel e Japão, o Clube Hebraica, em São Paulo, também já
vive um clima de Olimpíada mesmo a alguns meses dos Jogos. Para o gerente-geral
de esportes Carlos Inglez, todos no clube estão felizes por fazer parte deste
momento.

“Não temos solicitações específicas das delegações. As únicas
coisas que estão sendo feitas são a troca das raias da piscina olímpica e a
aquisição de alguns novos aparelhos de musculação para nosso Fit-Center”,
conta.

No
Clube Pinheiros, o trabalho para receber atletas chineses de 14 modalidades
diferentes será grande.

“Uma particularidade é que o nosso salão de
festas, tradicional por receber importantes eventos do clube e artistas, será o
‘QG’ da delegação. Nele, teremos salas de atendimento à imprensa, escritórios,
além do espaço para alimentação de toda a delegação. Será no salão, também, que
a equipe de badminton fará seus treinos”, explica Cappellano.

Ele
conta que o ginásio de handebol receberá dezenas de mesas e iluminação especial
para a prática do tênis de mesa, esporte no qual os chineses são os melhores do
mundo. 

“Recentemente, representantes do Comitê Chinês visitaram nossas
dependências e ficaram bastante impressionados com alguns de nossos espaços,
como a piscina olímpica, que já possui padrão internacional, o ginásio de
esgrima e o ginásio da ginástica artística.”

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