Flamengo ignora padrão FIFA para resgatar as origens na Ilha.

Estádio Ilha do Urubu, reformado pelo Flamengo – Foto: Alexandre Loureiro/ Getty Images

FOLHA
DE SÃO PAULO
: Torcedores de pé durante toda a partida, a maioria assistindo ao
jogo sem a proteção de uma cobertura e assentos sem marcação.

Reformado
e aberto como a nova casa do Flamengo no início de 2017, a Ilha do Urubu, na
zona norte do Rio de Janeiro, foi concebida na contramão do padrão Fifa.
Na
vitória dos cariocas contra o Santos, por 2 a 0, na quarta-feira (28), a
maioria do público acompanhou o jogo inteiro de pé até no setor oeste, o mais
caro, uma espécie de tribuna.
Neste
domingo (2), às 16h, quando o time do Rio enfrentar o São Paulo, os
flamenguistas deverão repetir a cena.
“Rejeitamos
o termo arena desde o início. A Ilha do Urubu foi pensada sempre para parecer
um estádio antigo, com a torcida mais participativa, interagindo com o
time”, afirma o diretor de novos negócios do clube, Marcelo Frazão.
O
Flamengo ressuscitou até a geral, que havia sido banida dos estádios brasileiros.
As arquibancadas atrás de cada gol não têm assentos para deixar os fãs torcendo
em pé.
Para
dar mais segurança, o setor acabou sofrendo uma adaptação. Foram instaladas
barras antiesmagamento para evitar o efeito avalanche, com queda de torcedores.
A Ilha
do Urubu não respeita outras regras exigidas pela Fifa, que obrigou o Brasil a
construir mais de uma dezenas de estádios milionários.
Localizados
embaixo da única arquibancada de concreto, os vestiários estão longe de ter os
150 m² impostos pela entidade que controla o futebol no planeta.
O
Flamengo também deixou de lado o padrão Fifa ao escolher a localização do
estádio, que fica numa área residencial, de ruas estreitas, na Ilha do
Governador, zona norte do Rio de Janeiro.
A dona
da Copa do Mundo recomenda que os estádios devem ser de fácil acesso por meio
de transporte público.
Ao
contrário do Maracanã, que conta com estação de trem e metrô, há apenas poucas
linhas de ônibus que levam à Ilha do Urubu.
O
estádio também não possui serviços como lanchonetes padronizadas com área de
alimentação. O Flamengo improvisou um espaço com “food trucks” nos
acessos das arquibancadas provisórias.
Até as
redes colocadas nos gols seguem um desenho antigo, sem as barras atrás das
traves que esticam a trama nas arenas modernas. Na Ilha do Urubu, a rede tem o
estilo batizado de véu de noiva. Nos gols, a bola quase sempre fica presa na
teia.
“Esse
padrão Fifa só serviu para enriquecer as construtoras e o pessoal que gosta de
propina. O torcedor quer ver o jogo desse jeito, bem junto dos jogadores. Chega
de padrão Fifa. Aqui é muito melhor”, disse o mecânico Gilberto de Matos.
A Ilha
do Urubu custou cerca de R$ 15 milhões e foi erguida no antigo estádio da
Portuguesa carioca.
Pelo
acordo com a equipe, o Flamengo terá exclusividade para uso do estádio, com
prazo de três anos, renováveis por mais três. O local tinha lugar para 15 mil
torcedores. Hoje, tem capacidade para 20 mil.

Nas
três partidas disputadas na Ilha, a equipe está invicta. Marcou nove gols e
sofreu apenas um.
Com
média de público de cerca de 14 mil torcedores, o Flamengo teve lucro ao mudar
de casa. Arrecadou cerca de R$ 800 mil nos três jogos.
Em
maio, amargou um prejuízo de cerca de R$ 300 mil ao jogar no Maracanã para 29
mil pagantes contra o Atlético-GO. O clube se queixa do alto valor das taxas
cobradas.
PREÇO
SALGADO
Apesar
do sucesso de público, torcedores reclamam do preço dos ingressos. Sem tantos
lugares (a capacidade é de quase 20 mil pessoas), o clube está cobrando R$ 200
pelo bilhete mais barato (sem a vantagem dos planos de fidelidade) para o
confronto deste domingo.
“A
Ilha do Urubu foi uma solução que encontramos para esse período de indefinição
do Maracanã [a Odebrecht tenta devolver o estádio ao governo do Rio]. O estádio
também consegue nos dar um efeito esportivo bom. Só vamos para um estádio
maior, quando o jogo tiver um grande apelo de público”, disse Frazão.
NA TV
Flamengo
x São Paulo
16h TV
Globo (para São Paulo) e Pay-per-view

Por: FlaHoje

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