segunda-feira, setembro 21, 2020
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Flamengo jogou como nunca, mas falhou como sempre.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

LINHA
DE FUNDO
: O conto de fadas foi breve, 100% de aproveitamento do Zé Ricardo
durou apenas dois jogos. Domingo (05/06), no Mané Garrincha, em Brasília, o Fla
perdeu sua segunda partida no campeonato, porém, fez uma partida muito boa. A
torcida foi o principal destaque da tarde, tanto para o lado positivo quanto
para o negativo.

Antes
de falar sobre o jogo, gostaria de demonstrar o total repúdio as cenas
lamentáveis durante o intervalo de jogo. Onde uma parte da organizada do
Palmeiras partiu para o confronto com uma organizada do Flamengo dentro do
estádio, colocando em risco a vida de torcedores e até de crianças. Devido ao
confronto, a partida teve o início do segundo tempo atrasado pois até os
jogadores sofreram com o spray de pimenta utilizado pela polícia para afastar
os brigões. Infelizmente, essas tristes cenas estragaram a linda festa que
faziam as duas torcidas, com setores mistos para curtir com os familiares e
setores destinados às organizadas que apoiam incondicionalmente o time. Foram
30 presos durante o ocorrido e um torcedor do Flamengo se encontra internado em
estado grave.
Vamos
ao jogo. Apesar da derrota o Flamengo fez uma boa partida. Zé Ricardo voltou a
utilizar o questionável 4-3-3, deixando Mancuello novamente no banco. A
formação foi a mesma, mas a atitude foi outra. Ao invés de ter a falsa posse da
bola, o rubro-negro preferiu jogar no contra-ataque (até pelas características
do time do Palmeiras), o que parece ser a melhor opção para um time de
velocistas. A partida começou promissora para o Flamengo, se não fosse um velho
problema, a zaga.
O
problema da zaga tem um nome, César Martins. O zagueiro havia sido afastado
pelo Flamengo, porém a falta de planejamento do time o trouxe de volta, após
perder Wallace (também afastado) e Juan (por contusão). No jogo do ultimo
domingo, César Martins logo no início deu um passe açucarado para Tchê Tchê
achar Gabriel Jesus e abrir o placar para o verdão.
O
Flamengo não se abateu e na sequencia Alan Patrick, jogador mais lúcido e
regular do rubro-negro, fez um golaço para empatar a partida. Após os gols
relâmpagos o jogo ficou mais morno, o Palmeiras tomava a iniciativa e o
Flamengo tentava criar as chances no contra golpe. Só no 1º tempo o rubro-negro
criou mais chances que no ultimo jogo contra o Vitória, mostrando que é melhor
jogar no contra-ataque que ter uma posse de bola sem nenhuma criação. O
Flamengo não tem nenhum armador de fato, mas tem pelo menos 4 velocistas no
elenco. Não precisa dizer mais nada né?!
No
segundo tempo, após os efeitos do spray de pimenta passarem, o jogo foi
retomado e o Flamengo até começou melhor. Mas o velho problema da zaga
continuou, aos 19 minutos o jovem Léo Duarte – que pela falta de planejamento
da diretoria foi lançado as pressas no olho do furacão – falhou e acabou
colocando a mão na bola dentro da área, para sua sorte o juiz não marcou nada,
causando a revolta dos palmeirenses. Entretanto, Léo Duarte volta a falhar na
marcação, deixa Gabriel Jesus na cara do gol e César Martins faz uma linda
defesa. Pênalti para o Palmeiras, César Martins expulso e cobrança convertida
por Jean.
Após o
segundo gol e com 1 a menos, o Fla perde forças e ânimo de reação. A equipe
paulista apenas controlou até o apito final. Em uma das poucas partidas
convincentes do Flamengo, a equipe é penalizada por falhas individuais da dupla
de zaga. O jogo de domingo mostrou duas coisas já evidentes. Primeiro, o
Flamengo precisa urgentemente de um bom zagueiro – e não, Rafael Vaz não é nem
de longe o nome ideal – e segundo, com um time de velocistas sem nenhuma
técnica, é melhor jogar no contra-ataque, com uma marcação forte no meio e
saídas em velocidade, que ficar tocando bolas de lado, errar passes de 2 metros
e levar bola nas costas da defesa.
O
Flamengo terá uma semana inteira para treinar e se preparar para o próximo
confronto, contra o Figueirense no Orlando Scarpelli. Zé Ricardo parece ter
encontrado a maneira ideal de jogar, basta agora aperfeiçoar. Com o treinador e
o time fazendo sua parte, falta apenas a diretoria cumprir seu papel e trazer
um bom zagueiro para ajudar o trabalho de Zé Ricardo. Se o rubro-negro repetir
a atuação do ultimo jogo e contar com a ajuda dos zagueiros, tem boas chances
de surpreender o time catarinense.

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