segunda-feira, setembro 28, 2020
Início Notícias Flamengo não inveja em nada os outros times, diz Guerrero.

Flamengo não inveja em nada os outros times, diz Guerrero.

Foto: Guito Moreto

O
GLOBO
: O camisa 9 está confortável. Após um bom começo no Fla e uma queda de
rendimento, Guerrero está feliz com as mudanças táticas na equipe promovidas
por Muricy Ramalho, mas faz questão de dizer que não é apenas um típico
centroavante. Em entrevista ao GLOBO, ele fala sobre o clube, seu país e sua
carreira.

O que é ser um camisa 9?
Eu
não posso me qualificar como um centroavante, um 9 fixo na frente. Eu gosto de
ter a bola e de poder participar toda hora. Eu sou um centroavante que não vai
esperar a bola. Se eu posso ajeitar (a bola) para os meus companheiros, é bom.
Se tenho um cruzamento bom para fazer o gol, vou esperar. Em todas as jogadas
na frente, tento participar. Hoje em dia, sofro uma marcação forte. Um
(marcador) vem e outro me espera. Não consigo girar, já tem marcação pronta. Eu
tento fazer meu jogo, virar com tranquilidade e poder ajeitar a bola ou fazer
meu gol, mas ultimamente não consigo. Estou tentando me movimentar a toda hora
para criar espaço onde eu possa ficar de cara para o gol para poder bater ou
dar um passe para meu companheiro marcar.
A expectativa que você seja um 9 que
marca muitos gols é errada?
Não
sei. No Corinthians, meu estilo de jogo era esse. Obviamente, tem muita
diferença. Estou jogando há oito meses com meus companheiros e já foram três
treinadores diferentes, com sistemas diferentes. Agora, estou me entendendo
mais com meus companheiros. Eles estão sabendo onde eu posso estar para receber
a bola. Como diz o professor Muricy, que acho que me conhece muito bem, quando
eles me dão a bola, os outros companheiros têm que se enfiar para eu poder
devolver. Não sou um jogador que vai só fazer gol.
Você se sentia isolado no ano passado.
Melhorou com a atual formação?
Estou
me sentindo muito mais confortável com a aproximação dos meus companheiros. Eu
posso fazer um-dois (tocar para receber de primeira) ou girar. Obviamente, se
eles jogam em mim e passam, vão tirar a marcação. O zagueiro vai ficar na
dúvida se vai no meu companheiro ou se fica comigo. É disso que se trata o
jogo. Tem que confundir um pouco os zagueiros.
Corinthians e Flamengo são os dois
maiores clubes do país. Depois de atuar por lá, surpreendeu-se com a estrutura
que encontrou?
Não
vou dizer que me surpreendi. Quando eu cheguei aqui, existia mais diferença,
mas o Flamengo este ano investiu muito dinheiro em aparelhos tecnológicos. Hoje
em dia, se trabalha muito com isso nos times grandes. Agora, o Flamengo não
inveja em nada os outros times. A gente tem todos os componentes que são
importantes para uma preparação num time profissional.
Você se sente campeão brasileiro com o
Corinthians (ele atuou em dois jogos)?
Na
verdade, não. A fase final é o que importa. Mas meus parabéns para o
Corinthians por sair campeão. Neste ano, desejo sair campeão com o Flamengo,
que é o meu time. Agora estou aqui e vou fazer tudo para, se Deus quiser, ser
campeão e levantar uma taça, o que vai ser importante. Agora, estamos focado
porque a gente quer dois campeonatos: o carioca e a… Liga 1? (“Primeira
Liga”, diz o repórter). Primeira Liga, que é nosso objetivo.
Mancuello e Cuéllar são estrangeiros que
chegam com grandes expectativas. Que conselho pode passar?
Tem
que se adaptar rápido. É o mais importante. Falar espanhol com português é
difícil para pessoas que vêm. Graças a Deus, estou vendo que eles já estão
ouvindo e entendendo tudo em português. Eles falam e se fazem entender.
A língua foi uma dificuldade quando foi
para a Alemanha, aos 18 anos?
Foi
complicado. Eles (Bayern de Munique) me exigiam muito, mas tem que se fazer
entender. Tem que se adaptar de qualquer maneira.
No Hamburgo, a imprensa alemã noticiava
que seu medo de voar foi um problema (Também jogador, o tio de Guerrero morreu
em acidente aéreo em 1987). Já superou?
Nunca
foi um problema. Era outro problema, uma lesão importante. Mas viajar nunca foi
um problema. É claro que, sim, tenho medo, como outros passam mal quando tem
turbulência, mas jogador de futebol tem que se acostumar a tudo, mais ainda a
viajar. Às vezes não da para ir de ônibus.
Sem o Maracanã, são ainda mais viagens.
Está
cansativo, quase não fico em casa.
Qual é a diferença entre jogadores
alemães e brasileiros?
A
Alemanha está um pouco na frente no que diz respeito à preparação física e
tática. Mas Brasil é Brasil. Você move uma pedra e sai um jogador com muita
técnica e drible.
Jogador brasileiro tem um selo de
qualidade de pentacampeão, o que ajuda para quem vai ao exterior. Foi mais
difícil sendo peruano?
Não
quero pensar se seria mais fácil. Eu estou feliz sendo peruano, mas é claro que
dá para perceber que é mais fácil escolherem um brasileiro ou argentino antes
de um peruano, um colombiano ou venezuelano. É assim. Mas estou feliz em ser
peruano. Minhas raízes sempre tiveram sangue inca.
É arrogância brasileira achar que o
grupo com Equador, líder das Eliminatórias, Peru e Haiti é fácil?
Não
preciso falar se é fácil ou não. Brasil e Argentina são sempre favoritos, como
foi na última (Copa América). Quem chegou na final foi a Argentina. O Brasil
não foi tão longe. A verdade é que, hoje em dia, não se pode falar tanto de
favorito.
Está sendo feito um filme de sua
história no Peru. Como surgiu essa ideia?
Meu
empresário faz filmes e ele me propôs isso. No começo eu falei que não, mas ele
comentou que esse filme podia ser muito produtivo para as crianças que
ambicionam ser um jogador profissional. Essa proposta me convenceu. Não vai ser
um filme “essa é minha vida”. É uma ficção sobre o meu começo no futebol,
por tudo que passei para chegar a ser jogador.
Em 2012, quando chegou ao Brasil, o
momento econômico era outro. Notou alguma diferença?
Tento
me focar só no trabalho. Me mantenho fora do que é televisão, política e até
mesmo futebol.
Você reedita uma dupla com o Sheik. Como
é essa parceria de duas pessoas que parecem ser tão diferentes?
A
gente se conhece há quatro anos. Temos uma parceria, conversamos muito. Antes e
depois dos treinos, fico brincando com ele. A gente se gosta muito e se conhece
para jogar. Sei seus movimentos, como se movimenta para enfiar a bola. Sei que
é rápido e vai chegar nas jogadas.

MAIS LIDOS

Del Valle com novos casos de covid; Flamengo faz novos exames

Não é apenas o Flamengo que vive momento complicado devido a um surto de covid. O próximo adversário do rubro-negro, Independiente Del Valle, anunciou...

Marinho rasga elogios a Neneca e torcida pede ele no Fla

Na tarde deste domingo, o Flamengo mediu forças diante do Palmeiras, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. O confronto terminou empatado em 1 a...

Denilson critica Palmeiras x Flamengo: ”Vergonhoso”

Na tarde deste domingo, o Flamengo enfrentou o Palmeiras, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. O confronto só foi confirmado 10 minutos antes da...

Neto detona o Flamengo após tentativa de adiar a partida contra o Palmeiras

Conhecido por suas furtes e polêmicas declarações, Neto, apresentador do 'Os Donos da Bola", da TV Bandeirantes, fez duras críticas a conduta do Flamengo...