sexta-feira, setembro 18, 2020
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“Flamengo não valoriza as pratas da casa”, diz Paulo Sérgio.

Foto: Divulgação

ESPN: “Nunca
fui de contar, sempre fui tranquilo em relação a isso. Não sei se foi um erro
meu não contar, mas posso te garantir que fiz uns 180 a 200 gols na base”.

A
certeza ao falar de sua boa fase logo nas categorias de base já mostrava o quão
diferente era o atacante Paulo Sérgio Luiz de Souza. Considerado uma das
grandes joias do Flamengo, o jogador nascido na capital do Rio de Janeiro
estreou cedo, logo aos 18 anos de idade no profissional da equipe rubro-negra
após ter sido multicampeão pelos juniores.
Após
entrar em alguns jogos sem o mesmo sucesso da base, Paulo Sérgio acabou sendo
emprestado por diversas vezes e, quando retornava à Gávea, dificilmente era
utilizado.
“Saí
de lá por que não recebi muitas oportunidades como gostaria, não fui muito
valorizado. Faltaram oportunidades no meu primeiro ano, abraçar mais. Flamengo
não valoriza muito as pratas da casa, essa é minha opinião. Eles me deixaram
nessa situação esquisita. Essa geração de 1989 ganhou muitos campeonatos na
base. Gerações depois como a do Adryan, não desemerecendo, claro, ganharam só
uma Copa São Paulo e subiram quase todos. Na nossa, tinha que fazer chover para
subir”, lamenta o atacante, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
Apesar
do grande sonho da chegar aos profissionais no clube em que torce desde criancinha,
o atacante teve de treinar em separado. Paulo Sérgio lembra com detalhes de
como ele se sentia e, apesar de nunca ter pensado em desistir do futebol,
garante ter ficado frustrado com sua situação.
“Quando
eu era da base e via alguns jogadores treinando em separado, eu falava ‘pô,
tomara que eu nunca passe por isso’. Fiquei triste, se não me engano isso
aconteceu duas vezes. Às vezes ficava me perguntando por que, chorava, ficava
triste, falava que não era possível, pedia explicações… Só falavam que minha
hora ia chegar, que ainda não estavam contando comigo, mas não me davam uma
chance” recorda-se.
Em
2013, Dorival Júnior assumiu o comando do Fla e, diferentemente de outros
treinadores que por lá passaram, prestaram maior atenção aos atletas
“encostados”.
“Ele
pôde me dar oportunidade de ser reintegrado e jogar alguns jogos do Brasileiro.
Foi muito importante pelo momento que eu estava passando, porque ele me acendeu
de novo aquela luz de vontade, de motivação e de querer voltar a vencer”,
comemora, deixando claro que o atual técnico santista é um dos mais importantes
de sua carreira.
Pouco
tempo depois, sua paciência esgotou-se e ele decidiu tomar uma providência.
“Eu
tinha contrato até junho de 2013, ai relacionaram o time que ia pra
pré-temporada e eu não estava nele. Ai pensei ‘po, não é possível, tem alguma
coisa ai’… Então, decidi pela minha saída. Chamei o Paulo Pelaipe (ex-diretor
de futebol do Flamengo) no hotel e decidi rescindir amigavelmente. Eu queria
jogar, não estava mais aguentando ficar insatisfeito com aquela situação”,
diz.
Mas o
período na equipe rubro-negra não foi só de tristezas. Agora aos 27 anos, Paulo
Sérgio diz que sente saudades e sonha em algum dia reencontrar a Nação no
Maracanã.
“Foi
maravilhoso, agradeço muito ao Flamengo. Foi o clube que me projetou, me ajudou
bastante, sou muito grato. Espero que eu possa voltar, ainda mais experiente.
Pude rodar bastante, sou um jogador mais completo. Não sei se estava tão
preparado no início, foi tudo muito rápido. A gente fica com saudade do calor
da torcida. Ela é maravilhosa, cobra bastante e apoia muito”, emociona-se.
Após a rodagem, a idolatria na Coreia
Depois
de rescindir contrato com o Flamengo, Paulo Sérgio rodou pelo Brasil e fora
dele: jogou por Operário-PR, Náutico-PE, Paraná-PR, Avaí-SC, Criciúma-SC,
Estoril-POR e Dubai SC-EAU antes de chegar ao Daegu, time que está na segunda
colocação da primeira divisão coreana, com 20 pontos em dez jogos.
Na
equipe asiática, fundada em 1995, o ex-flamenguista se encontrou, já marcou
cinco gols e virou ídolo da torcida local. Suas principais fãs, segundo o
próprio atacante, são as crianças.
“Tem
bastante criança que vem, pede autógrafo. Até que no dia a dia é difícil eu
sair, fico de boa, final de semana, quando tem folga… Eles sabem até onde
você mora, querem foto, pedem autógrafo, espera chegar no estacionamento de
casa (risos)”, gargalha, sem reclamar da fama.
“Há
um tempinho atrás, uma criança me parou na rua, pediu foto e me falou que eu
estava suprindo bem a falta de outro brasileiro, o Jonathan, que está no Sport
agora e é ídolo aqui. Me falou: ‘o povo já gosta muito de você, a gente
acredita muito em você, ama o Brasil e espera que você fique por muito tempo
por aqui’. Isso não tem preço. Fico muito feliz, só nos motiva mais. O respeito
das pessoas é gratificante e isso nos faz trabalhar cada vez mais para fazer a
alegria deles”, conta.
E é
impossível não perceber a grande diferença de cultura entre Brasil e Coreia do
Sul. Por vezes, Paulo Sérgio é obrigado a recorrer ao tradutor ou, quando
obrigado, à tecnologia.
“Eu
e minha mulher fomos fazer uma consulta no hospital e tive que colocar no
Google Tradutor pro médico nos entender (risos). Ele coloca no computador
também… Quando tem o tradutor, ele me ajuda. No mercado, eles ficam rindo
porque eles não entendem a gente e a gente não entende eles. Aí, vamos na
mímica mesmo. Alguns entendem outros não (risos). Pouquíssimos falam inglês
aqui, aí fica difícil”, ri.
‘Parça’ de Bruno
Nos
tempos de Flamengo, Paulo Sérgio fez inúmeras amizades, inclusive com o goleiro
Bruno. O ex-capitão rubro-negro vivia boa fase e era grande conselheiro dos
mais jovens quando foi condenado e preso pela morte de sua namorada, Eliza
Samudio.
Muitos
foram pegos de surpresa, inclusive o atacante, que acompanha até hoje a
situação do arqueiro.
“Foi
um cara que me deu conselhos bons, que me ajudou e eu fiquei particularmente
triste. Espero que ele resolva isso logo, que possa voltar e fazer o que ele
mais sabe fazer, que é jogar futebol. Era um grande goleiro, um cara ‘top’ e a
gente torce para que ele saia logo. Se tiver uma oportunidade, gostaria até de
fazer uma visita a ele”, lamenta.
“Era
um cara sensacional. Só quem estava no dia a dia sabe o quão bom aquele cara
era, então muitos estão sofrendo, ainda mais as pessoas que eram mais
próximas”, completa.
Sem
perder a esperança de voltar a jogar futebol, Bruno ainda não encerrou a carreira,
e Paulo Sérgio diz que sugeriria sua contratação ao Daegu assim que ele
cumprisse sua pena.
“Eu
indicaria onde eu estivesse, com certeza falaria o nome do Bruno. Ele pode até
ter cometido um erro, sim, mas tem tudo para se restabelecer, mudar a vida
dele. Ele tá aprendendo, sabe que tem o lado ser humano, bom, e que pode mudar.
Ele deve ter mudado, sim. Ele tá cumprindo o que for necessário com a
Justiça”, encerrou.

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