Flamengo pode faturar até R$ 100 milhões por ano com Carabao.

Por: Fla hoje

Carabao é a nova patrocinadora do Flamengo – Arte: Divulgação

MAURO CEZAR PEREIRA: O Extra publicou em 6 de janeiro matéria sobre o novo patrocínio do
Flamengo, com a Carabao. A exemplo do jornal carioca, o
blog teve acesso ao contrato. Ele contém uma série de “mimos” à
empresa tailandesa. São ingressos para jogos, em setores VIPs ou não; acesso ao
CT, ações envolvendo atletas, determinado número de camisas e itens oficiais
como brinde, batismo de área do Maracanã com seu nome e até escolha de dois
mascotes que entram em campo com o time a cada partida.

Até aí
nada demais, pois também existem compensações previstas para o caso de os
produtos serem bem vendidos no Brasil. Bônus de R$ 0,50 e R$ 0,25 a partir de
2018 se forem alcançadas determinadas metas de comercialização do energético.
Ou seja, é muito mais do que o patrocínio na camisa. E esses agrados serão
coisa pequena se a aceitação das bebidas da marca for boa e elas fizerem
sucesso no Brasil.
“Esse
é um contrato muito diferente, dado que a gente ganha no sucesso do produto. Eu
quero que ele apareça o máximo possível, seja nas redes sociais, em fotos,
enfim, que seja muito bem divulgado. É nosso interesse para construir a imagem
e a rede de distribuição. Em todos os nossos contratos ativos são incorporados
camisas, estádios, placas e outros. Então é vantajoso para o Flamengo que a
Carabao possa usar o camarote para atrair distribuidores, por exemplo, que vão
aumentar a venda do produto. Não é dar para a Carabao, é vender mais produto,
cair nas graças do torcedor para que, consequentemente, isso se reverta para o
Flamengo”, argumenta Daniel Orlean, vice-presidente de marketing
rubro-negro.
Contudo,
como o Extra destacou, a Carabao poderá rescindir o compromisso unilateralmente
em algumas situações que não dependem do clube:
1) Se
ao final de setembro de 2018 as vendas ficarem abaixo de 37 milhões de
unidades, a empresa da Tailândia pode encerrar o acordo sem justa causa.

2) Em
31 de março de 2019, de 2020 e de 2021, a Carabao poderá rescindir o contrato
sem penalidades, caso no ano anterior não alcance 40 milhões de unidades
vendidas do produto. Mas no caso o patrocinador seguiria pagando até dezembro
do ano em questão. Seriam nove meses de remuneração até deixar de patrocinar o
clube.

3) Se
a empresa encerrar suas atividades no país, o que poderá ser mera decisão
estratégica, o contrato também podera rescindido sem justa causa.
“O
contrato é de seis anos, sim. Ele tem algumas cláusulas que permitem no caso de
insucesso da Carabao, ela tomar a decisão de continuar ou não. Acreditamos que
essas metas são bem fáceis de serem batidas porque o produto não é apenas o energético,
esse é o principal. E é um mercado que hoje movimenta de 700 milhões a 800
milhões de latinhas só no energético, e há um sem número de outros produtos,
algo bastante grande para absorver o que estamos almejando em 21 meses: 37
milhões e depois 40 milhões de latinhas por ano”, alega Orlean.
Ele
frisa que essa possibilidade foi oferecida e, em contrapartida, o Flamengo pode
ser uma espécie de sócio em eventual lucro. 

“Tivemos a chances de um
upside, de ganhar um valor bastante representativo em cima de cada latinha
vendida. No caso de o produto conquistar um market share importante, não
precisa nem ser líder, poderemos faturar anualmente de R$ 80 milhões a R$ 100
milhões, ou até mais” estima.

Na
Inglaterra a fabricante de energéticos entrou como patrocinadora do Chelsea.
Estima-se que a empresa da Tailândia desembolsará £ 30 milhões (cerca de R$ 120
milhões) em três temporadas para estampar seu logo em uniformes de treino,
agasalhos de jogo e no banco de reservas do estádio dos Blues, Stamford Bridge.
Embora
o marketing do Flamengo insista que é um contrato de seis anos, na prática ele
está garantido por menos de dois, até dezembro de 2018, podendo durar pelo
menos esse período se os brasileiros beberem muito Carabao. Mas vale lembrar
que se a empresa quebrar ou por estratégia apenas dela sair do país, não pagará
multa. Não seriam cláusulas rescisórias muito favoráveis ao patrocinador?
“Quando
nos foi oferecida essa oportunidade, percebemos que com a ‘nação’ do nosso lado
se consegue patamares incríveis. Então, muito melhor do que contrato de valor
fixo, que mesmo de longo prazo seria interessante, preferimos outro, no qual
temos um upside em contrapartida, com base em metas pequenas. O Flamengo acaba
se beneficiando também”, assegura o VP de marketing.
O
contraponto é: e se, sem vender o que planeja, o grupo da Tailândia quiser sair
(e há cláusula que lhe permite)? Ou permanecer, mas renegociar, para reduzir
custos de patrocínio? Isso poderia gerar um desequilíbrio contratual. Na noite
desta segunda-feira, caberá à diretoria explicar esses pontos ao Conselho
Deliberativo com o intuito de aprovar o novo patrocinador nas condições até
aqui estabelecidas.

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