sexta-feira, setembro 25, 2020
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Flamengo se fecha em torno de Cristóvão Borges.

Globo
Esporte – Cristóvão Borges sabe muito bem o significado de viver os dois lados
da moeda quando o assunto é prestígio no Flamengo. Se do lado de fora,
principalmente nas arquibancadas, o clima não é amistoso, o mesmo não se pode
dizer internamente. Depois da intensificação das críticas em torno do técnico
após a derrota para a Ponte Preta na última rodada, o clube montou verdadeira
operação para blindar o comandante.
Tudo
começou com as reclamações do próprio técnico na última semana. Deixando de
lado uma das suas características mais marcantes, Cristóvão abandonou a linha
defensiva e afirmou que se sentia perseguido. Ele considera algumas críticas
“estranhamente” incessantes e injustas. O técnico chega a enxergar
parte delas inclusive com conotação racista.

São críticas sistemáticas, e há a preparação de um ambiente para isso. A
torcida do Flamengo está lá, cobra e quer que ganhe. O jogador pede para sair
faltando um minuto e eu que sou burro? É ambiente que está sendo preparado faz
tempo. É real e estranho – afirmou o treinador na véspera do jogo contra a
Ponte Preta.
Porém,
a derrota no fim de semana para a Ponte Preta aumentou a impaciência da torcida
com o técnico. Nem mesmo o fato de o Flamengo ter sido superior à Macaca
durante os 90 minutos poupou Cristóvão da enxurrada de críticas –
principalmente no caso da substituição no intervalo. Foi neste momento que a
operação em torno do treinador ficou ainda mais visível.
Coletiva incomum
O
dia seguinte da derrota para a Ponte Preta reservou algo raro no treinamento no
Ninho do Urubu. Dois medalhões do elenco foram convocados para atender a
imprensa: o zagueiro Wallace e Emerson Sheik. Estava claro que um dos assuntos
do dia seria as críticas ao técnico. Sheik, inclusive, não foi escolhido à toa
e tem sido o grande defensor público de Cristóvão Borges. O atacante sempre
defende o trabalho do comandante rubro-negro publicamente. Não foi diferente na
última segunda-feira.

Felizmente aqui não tem bagunça nenhuma, o trabalho é muito bem feito pelo
Cristóvão. O time é muito bem treinado, e ele me surpreendeu muito. Eu
trabalhei com um cara que todos vocês conhecem e que é muito vitorioso, o Tite.
Vi o Cristóvão muito parecido com o Tite e nunca imaginei que fosse encontrar
um treinador no futebol brasileiro com o perfil do Tite. É um cara estudioso,
que está querendo sempre aprender e tem essa gana de vencer. Me surpreendeu.
Acho que as pessoas esquecem que por trás do treinador tem um ser humano, pai
de família, um filho. E ele sente, né? – disse.
Rodrigo Caetano: “Equipe tem um
padrão”
Cristóvão
Borges tem outros dois aliados de peso: o presidente Eduardo Bandeira de Mello
e o diretor executivo Rodrigo Caetano. Ambos são seus defensores ferrenhos.
Após a apresentação do atacante Kayke, nesta terça-feira, Caetano foi
bombardeado de perguntas sobre o treinador. O dirigente não deu brechas. Deixou
claro que os resultados não são os melhores, mas que o departamento de futebol
tem enxergado evolução nos últimos jogos.
– O
torcedor é o motivo de estarmos todos aqui. Mas avaliação nossa tem que ser
mais criteriosa. A gente percebe que essa suposta falta de empatia também é
motivada pela falta de resultados. Se tivéssemos tido percepção de dificuldade
de evolução, teríamos trocado (de técnico). Hoje percebemos que a equipe tem um
padrão, uma forma de jogar. E isso vai aparecer ainda mais. Agora, o que
conversamos nas reuniões, isso sempre fica na “casinha” – opinou
Caetano.
Elenco clama pelo técnico
Apesar
de ser Emerson Sheik o grande porta-voz da “defesa” de Cristóvão
Borges entre os jogadores, esta postura resume o sentimento do elenco do
Flamengo, que tem grande carinho pelo técnico e aprova seus métodos de
trabalho. O plantel inclusive tem clamado pelo técnico junto à diretoria. Como
de costume, Rodrigo Caetano não revela o teor das conversas, mas diz que todos
estão unidos pelo Flamengo. E que isso passa por Cristóvão Borges.

Reuniões a gente faz semanalmente. Com uma frequência que a gente julga
necessária. É claro que nos dois últimos jogos eles não traduziram dentro de
campo nosso entendimento de equipe. Falta para o Flamengo essa sintonia que a
gente percebe se transformar em resultados. Essa oscilação tem que acabar, e
isso só vem com evolução. E não são só os atletas, todos estão unidos pelo Fla.
Não só pelo Cristóvão – afirmou o dirigente.
Ressalvas apenas no Conselho Gestor
O
mundo de Cristóvão Borges só não é uma unanimidade dentro do Flamengo por conta
de resistência de algumas peças do Conselho Gestor, grupo que toma as decisões
em forma de colegiado no clube. Porém, Bandeira e Caetano conseguem fazer com
que o vento ainda aponte de forma favorável ao técnico.

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