“Flamengo sempre vai ter obrigação de ser campeão”, diz Guerrero.

Guerrero exibindo medalha de campeão pelo Flamengo (Wallpaper) – Foto: João Pedro Granette

LANCE:
Quem vê Paolo Guerrero em uma partida do Flamengo imagina uma pessoa séria,
brava e que não está nunca para brincadeira. É uma figura intimidadora, para
zagueiros e até mesmo para os torcedores que acompanham a carreira do peruano,
de 33 anos.

No
entanto, esse é apenas um personagem encarnado pelo jogador rubro-negro dentro
das quatro linhas. Fora, o maior artilheiro da história da seleção peruana é
uma pessoa pacata, reservada, tímida. Mas que se solta e ri quando fala do
clima no elenco, sobretudo com Rodinei, seu melhor amigo.
Em
entrevista exclusiva ao LANCE!, realizada no Ninho do Urubu na última
terça-feira, antes do jogo de ida contra o Santos pela Copa do Brasil, Guerrero
mostrou um lado que pouco é visto. Questionou o critério da arbitragem no
Brasil, mostrou esperança em classificar seu país para uma Copa após 36 anos e
não se rotulou como ídolo, apesar de ter esse status. Foi simples, divertido e
falou, sobretudo de Flamengo, por cerca de 30 minutos. Foi categórico: no Rubro-Negro
sempre vai ser obrigação vencer todos os campeonatos. Por isso, deu a seguinte
definição:
– A
pressão vai existir. Eu já falei que não é qualquer um que joga no Flamengo,
tem que conviver com pressão e cobranças todos os dias. Isso é fato – disse.
Vivendo
grande momento em 2017, peruano abre o coração ao LANCE! e comenta sobre os
seus objetivos com o Flamengo no decorrer deste ano
Após essa eliminação precoce no principal
objetivo do ano, o grupo passou a encarar a conquista do Brasileiro como
obrigação?
“Para
o Flamengo, sempre vai ser obrigação vencer todos os campeonatos. Todos os
campeonatos são muito importantes para o Flamengo, é um time grande. Sempre vai
ter obrigação de vencer os campeonatos. A pressão vai existir. Eu já falei que
não é qualquer um que joga no Flamengo, tem que conviver com pressão e
cobranças todos os dias. Isso é fato. A gente sabe da importância que todos os
jogos têm”.
Como você analisa os primeiro semestre do
Flamengo?
Acho
que o primeiro objetivo, que era ser campeão carioca, conseguimos.
Infelizmente, não estamos na Libertadores, que era outro objetivo importante do
time e do clube. Mas ainda temos quatro campeonatos pela frente, que são muito
importantes, tem também as Eliminatórias pela frente, pela seleção. Estou
focado agora nos jogos importantes que temos pelo Flamengo. É complicado,
difícil, mas todo o esforço, ao final, pode trazer grandes resultados.
Para o elenco, qual a maior lição que
ficou após a queda na Libertadores para a sequência da temporada?
Essas
coisas fortalecem o grupo, mas também entristecem. Hoje em dia, vejo os
companheiros mais tranquilos, já tiraram a Libertadores da cabeça. A gente
tinha de fazer isso porque estava atrapalhando, atrapalhava o grupo, a nós
mesmos. Agora, estamos bem concentrados nos campeonatos que temos pela frente.
Apesar
de ter marcado o primeiro gol do Flamengo na vitória sobre o Fluminense por 2 a
1, no segundo jogo da decisão do Carioca (o Rubro-Negro venceu o primeiro por 1
a 0), o atacante valoriza mesmo é a conquista do título, o primeiro pelo clube.
“Pra
mim, é importante conquistar o campeonato. Não posso falar de um gol. Um
jogador pode ganhar um jogo ou outro, mas elencos e times ganham títulos. Todos
são importantes e precisam se unir para ganhar campeonatos. Isso está nos
nossos objetivos”.
Só que fora de campo você tem uma
personalidade completamente diferente. É isso mesmo? Quando começa um jogo
entra um ‘personagem’ em ação?
“Dentro
de campo, me transformo, viro outra pessoa, totalmente. Mas acho que não sou o
único, todos os meus companheiros. Quando você quer ganhar, tem que botar tudo
em campo, seriedade no trabalho, há muita responsabilidade. Sou muito diferente
em campo do que fora dos gramados. Sou brincalhão. Gosto de zoar meus
companheiros. Sempre bato papo, fico brincando, eles brincam comigo. Temos
união no grupo, isso é o que vale, é importante a relação entre os
jogadores”.
Rodinei: o ‘fechamento’ do peruano
“Nos
falamos muito, o conheço há muito tempo. Sentamos lado a lado e zoamos os
outros, brincando. A gente conversa muito também no jogo. Ele já sabe onde
botar a bola para cruzar. Ele está fazendo isso. Ele bota a bola na área, isso
é importante, já temos que ficar esperando pelo cruzamento”.
O
lateral, inclusive, tem um apelido especial: “Chamo ele de Lindo, ele é
maravilhoso (risos)”.
O seu contrato com o Flamengo vai até o
meio do ano que vem. Alguém da diretoria já te procurou para renovar o vínculo?
Não
falei com ninguém até agora, com meu empresário também não. Deixo isso na mão
dele. Não tento falar de coisas que não tem porque eu falar no momento. Prefiro
estar concentrado e focado no trabalho, pensando dentro de campo. Tudo tem o
seu momento para falar das coisas. Mas é assim, a gente vive com isso, no
momento certo vou falar com meu empresário. Só tenho que pensar em me
recuperar, jogamos quarta, domingo…
Apesar de estar satisfeito aqui, muitas
vezes seu nome é ligado no mercado de transferências. Mesmo com 33 anos e já
ter atuado durante boa parte da carreira na Europa, ainda pensa em atuar por
lá?
Estou
muito feliz aqui no Flamengo, já tenho quase dois anos aqui. Não vejo
dificuldade de continuar aqui. Estou jogando num grande time. Para encerrar
minha carreira, claro, gostaria de voltar ao Peru.
Guerrero deixou o Peru ainda muito cedo
para atuar na Alemanha. Será que o jogador tinha em mente que um dia ele
jogaria no País do Futebol e nos dois clubes de maior torcida do Brasil?
“Sei
que são as grandes torcidas, mais o Flamengo… Tem mais de 40 milhões de
torcedores. Boto minha cabeça para pensar nisso, sim, mas prefiro pensar no que
tenho de fazer dentro de campo, o que preciso fazer para melhorar. A pressão
existe. Tenho que pensar como jogador de futebol… vão ter cobranças. Quando
ganha aqui, todo mundo fica tranquilo. Quando não ganha… Às vezes, pesa a
perna porque há muitos jogos em sequência, você não pode dar seus 100% numa
partida, é complicado, é difícil se recuperar tão rápido para o próximo
jogo”.
E o
que ele acha do ex-clube estar na liderança do Brasileiro? Será que ele brinca
com os ex-companheiros sobre a evolução do Flamengo na competição?
“Não mantenho muito contato. Eles
estão agora com uma ótima pegada, com muita confiança lá em cima, mas não está
nada decidido, ainda faltam muitas rodadas, temos que chegar lá no topo”.
SELEÇÃO DO PERU
O Peru chegou nas quatro últimas rodadas
das Eliminatórias com chances de classificação para a Copa do Mundo de 2018.
Independente da classificação, o craque vê a atual geração como a mais promissora
dos últimos tempos. A seleção ocupa a sétima colocação, com 18 pontos.
“Com
certeza, há uma renovação do grupo. Quando começaram as Eliminatórias, havia
jogadores veteranos, Pizarro, que ainda faz parte do elenco, mas agora há uma
renovação total, mesmo Trauco, que tem 21 anos… Meus companheiros vêm jogando
na Europa, dois jogam no Brasil, estamos na briga. Para nós, é importante ir
jogo a jogo. Temos a ambição de ir ao Mundial e não vamos desistir disso”.
Guerrero ainda não pensa no fim de seu
ciclo pela seleção.
“Pelo
menos agora, não penso sobre isso, estou me sentindo muito bem fisicamente. Não
estou pensando. Quero me sentir assim até quando meu corpo deixar… Vou jogar
até quando me sentir fisicamente bem e em alta intensidade”.
Guerrero enfrentou a Seleção quando ainda
era treinada por Dunga, e agora sob comando de Tite, que foi seu técnico na
época de Corinthians. Alguma diferença drástica?
“O
Brasil sempre vai ter um grande time, há muitos jogadores na Seleção e outros
que podem estar na Seleção. Eu não achei diferença nenhuma (Tite e Dunga). Os
dois times foram bons. Sempre são favoritos na Copa”.
O Flamengo iniciou com a sua chegada, em
2015, uma sequência de contratações de impacto. Apesar de ser conhecido como
clube de chegada, vê com esse atual elenco o clube mais “puro sangue” na
disputa dos títulos que tem pela frente?
Acho
que todos os anos sempre tem uma renovação dentro do clube. Agora chegaram
muito mais reforços. Cada vez, o Flamengo se supera nisso, há renovações, são
normais dentro dos clubes que são grandes. Acho que muda muita coisa. Todos os
anos, os clubes vão querer mudar seus elencos, isso é normal.

Por: FlaHoje

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