Flamengo usa termo ‘sem dinheiro’ como estratégia para contratar.

Por: Fla hoje

Rodrigo Caetano, VP do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

UOL: O
Flamengo tem ou não dinheiro para contratar? O questionamento é frequente entre
os torcedores e povoa as redes sociais em inúmeros e intermináveis debates. A
resposta: sim, o Rubro-negro tem capital para investir. No entanto, a forma
adotada para negociar jogadores cobra um preço alto em diversas situações. Quem
explica é o vice-presidente de planejamento, Pedro Paulo Pereira de Almeida.

Em
entrevista ao UOL Esporte, o dirigente abordou a relação entre diretoria e
departamento de futebol – nem sempre serena pela necessidade de um poderio
maior no mercado. Ele foi um dos responsáveis pela formatação do orçamento que
prevê gastos de R$ 217 milhões apenas com o futebol em 2017. A conta se divide
entre salários, luvas, direitos de imagem e custos diversos.
O
poder de investimento em reforços é mantido em absoluto sigilo para não
inflacionar o mercado, mas estima-se que esteja abaixo dos R$ 20 milhões. Como
o Flamengo conduzirá as ações em 2017? É possível esperar contratações de peso?
É fundamental vender jogadores? O dirigente responde.
UOL Esporte: Sendo direto e para
esclarecer a polêmica. O Flamengo tem ou não dinheiro para contratar?
Pedro
Paulo: Sim, temos dinheiro para contratar. É óbvio que um clube com quase R$
450 milhões de orçamento, sendo mais ou menos R$ 200 milhões apenas para o
futebol, tem o seu poder de investimento.
UOL Esporte: Mas qual é a verba para
contratações? Em 2016, o orçamento previa R$ 20 milhões apenas para
investimentos no mercado.
Pedro
Paulo: A torcida precisa entender. Paramos de divulgar o número por conta da
inflação do mercado. Tivemos enormes dificuldades por causa disso. É importante
ver o quanto temos em despesas do futebol. Esse é o dinheiro que o Flamengo
possui. O novo desafio do departamento de futebol é caber nesse valor.
UOL Esporte: O disponível é praticamente o
mesmo de 2016 para investir em reforços – R$ 20 milhões?
Pedro
Paulo: Não existe um número exato. Pode ser mais ou menos do que isso. Existem
variáveis consideráveis. O que o departamento de futebol precisa fazer é vender
jogador. Para a torcida entender. Alan Patrick, Emerson Sheik, Chiquinho…
Todos terminaram os contratos. Isso nos deu uma sobra para pagamentos. Mas
também chegaram Conca e Trauco. Renovamos os contratos com Juan, Márcio Araújo,
Alex Muralha e Willian Arão. Existem luvas, salários. A conta é complexa.
UOL Esporte: Negociar jogadores
facilitaria? O Jorge, por exemplo, tem uma multa de cerca de R$ 102 milhões,
mas poderia ser vendido até por R$ 35 milhões, dependendo do caso.
Pedro
Paulo: Sem dúvida, uma venda deste porte mudaria o cenário. O Flamengo ainda
deixa a desejar na questão de vender jogadores. Trabalhamos nisso. É um
processo que também faz parte da reestruturação do clube. Fizemos uma previsão
de R$ 10 milhões apenas com vendas em 2017. Se uma negociação assim ocorrer,
logicamente que nos dará folga considerável para atacar o mercado com mais
força.
UOL Esporte: Por que o Flamengo enfrenta
tanta dificuldade no mercado? O clube definiu uma forma de negociar [compra de
parte dos direitos econômicos de forma parcelada] e não há flexibilidade? A
impressão é de “mercado travado” para a contratação do tão necessário
atacante de lado de campo.
Pedro
Paulo: O Flamengo tem dinheiro, mas trabalha em uma nova modelagem financeira
para contratações. Nos baseamos em pagamentos a longo prazo. Muitas das nossas
receitas são de médio e longo prazos. Precisamos nos adequar a isso. O nosso
mecanismo de contratações mudou. Vale lembrar que antecipamos negociações no
ano passado. Só em 2017 pagaremos R$ 12 milhões de atletas que adquirimos em
2016. A mesma coisa em 2018.
NOTA: No começo de 2016, o
Flamengo comprou quatro jogadores. Alguns pagamentos serão encerrados apenas em
2018.
Alex Muralha – R$
2 milhões por 60% dos direitos econômicos pagos parceladamente
Rodinei – R$ 4 milhões por 50%
dos direitos econômicos pagos parceladamente
Mancuello – R$
12 milhões por 90% dos direitos econômicos (50% pagos em 2016 e os 40%
restantes até 2018)
Cuéllar – R$ 8 milhões por 70%
dos direitos econômicos (R$ 2 milhões à vista e R$ 6 milhões em 2017)
UOL Esporte: A torcida pode sonhar com
grandes contratações? Guerrero e Diego são exemplos. Curiosamente, os dois só
chegaram no meio da temporada. É possível reajustar o valor para investimento
em reforços?
Pedro
Paulo: Ainda buscamos mais uns dois jogadores para compor o elenco. Não é
também para ter expectativa de grandes contratações agora. Pode acontecer de
não conseguirmos algo que se encaixe em nossa modelagem financeira. Uma janela
no meio do ano facilita em razão de receitas a mais. A readequação orçamentária
é feita sempre em todo o meio de ano. Deveremos ter mais receitas. Sou otimista
e acredito que faremos mais principalmente na questão de patrocínio. Tudo isso
nos ajuda a alterar o panorama do futebol.
UOL Esporte: O modelo utilizado pelo
Flamengo no mercado faz o clube perder boas oportunidades de negócio?
Pedro
Paulo: Certamente. Mas não podemos flexibilizar em relação a isso. É um
trabalho muito maior. Nenhum clube também tem dinheiro para pagar as fortunas
que são pedidas nas negociações. Se você abandona a linha de trabalho, cai
muitas vezes em um caminho complicado. O Flamengo honra os seus pagamentos. Não
entramos em nenhum negócio sem a certeza de que cumpriremos as obrigações. Foi
assim com Guerrero, Diego e todas as outras contratações.
UOL Esporte: E se a tão falada
oportunidade de mercado surgir agora. O Flamengo vai deixar passar? Como resolver
e reforçar o elenco?
Pedro
Paulo: O Flamengo pode não ter o dinheiro agora, mas possui toda uma capacidade
de investimento. Somos conscientes e responsáveis. É um desafio enorme para o
Flávio Godinho [vice-presidente de futebol] e para o Rodrigo Caetano [diretor
executivo de futebol]. Eles entendem que é uma forma de gestão, mas é um modelo
diferente do praticado pelo mercado. Se acontecer essa falada oportunidade,
teremos a possibilidade de pedir empréstimos e resolver. Aprovamos até R$ 50
milhões em empréstimos no orçamento. Mas isso é para todo o clube, não apenas
futebol. Já pegamos R$ 10 milhões para pagamentos no início do ano, quando não
temos bilheteria e outras receitas. Foram R$ 12 milhões em outro modelo para a
construção da Arena da Ilha. O total é de R$ 62 milhões nessa alternativa. Se
for o caso, pedimos o empréstimo e em duas semanas levantamos o dinheiro no
mercado.

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