sábado, setembro 19, 2020
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Flamengo, Vasco, Coritiba… Léo Moura fala de polêmicas.

Globo
Esporte – Pelas mãos do maior ídolo, Léo Moura encontrou o caminho do recomeço.
Sem jogar há dois meses, o lateral-direito se viu no meio da rivalidade entre
Flamengo e Vasco após decidir deixar o Fort Lauderdale Strikers, dos Estados
Unidos. Anunciado como reforço por Eurico Miranda, causou ira entre os
rubro-negros. A volta ao Brasil, no entanto, seria mesmo pelo Coritiba. Nada
disso foi possível. A Fifa não permite que um atleta defenda três clubes em uma
temporada. O segundo semestre de 2015 estava comprometido. Até que surgiu Zico,
surgiu o FC Goa, surgiu a Superliga Indiana. Em setembro, começa o novo
desafio, mas antes o moicano fez questão de colocar o pingo nos “is”:
revelou o veto na Gávea, projetou retornar ao país em janeiro e não fechou as
portas para ninguém.

Quero voltar ao Brasil, independentemente do lugar. Vou ver o que vai ser
melhor. Se tiver convite para jogar no Rio, quem sabe? Só o futuro vai mostrar
– disse o lateral-direito, oficializado na equipe indiana na manhã desta
quarta-feira.
E o
futuro definido por Léo Moura aponta para, no mínimo, mais duas temporadas como
profissional. Aos 36 anos, o lateral, que atuará no meio-campo na Índia, deixou
o Flamengo no início de março, após quase 10 anos, 519 partidas e 47 gols. A
aventura nos Estados Unidos, entretanto, não durou os três anos previstos em
contrato. Depois de dez partidas, ele decidiu voltar ao Brasil. O baixo nível
técnico encontrado e questões familiares teriam pesado na decisão. A primeira
reação? Ligar para Gávea. A resposta, no entanto, não foi muito agradável:  

Quando sentei com minha mulher nos EUA e decidi voltar para o Brasil por
questões familiares, o primeiro clube que procurei foi o Flamengo. Liguei para
o (Alexandre) Wrobel (ex-vice de futebol) e falei da minha vontade, que ia
voltar, passei tudo, e ele disse que falaria com o Conselho Gestor. Depois,
liguei para o Rodrigo Caetano e aguardei. Quando cheguei ao Brasil, vi que o
clube tinha contratado um lateral (Ayrton) e que não voltaria. Ouvi, ninguém me
contou, o Fred Luz dizer que eu não voltaria ao Flamengo por questões
políticas. Por isso, não voltei ao Flamengo. 
Em
busca de um novo clube, Léo Moura foi procurado por Goiás, Coritiba, Criciúma
e…Vasco. O jogador não nega o contato com o rival cruzmaltino, mas garante
ter passado a bola para o empresário Eduardo Uram, após ouvir sobre o interesse
do vice-presidente e amigo José Luís Moreira. Surpreendido pelo anúncio da
contratação pelo presidente Eurico Miranda, o lateral acredita que o desenrolar
dos fatos tratou de amenizar os efeitos negativos do episódio: 

Isso causou um problema para mim. Muitas pessoas falaram sem saber, acusaram de
todo lado, e o silêncio foi a melhor resposta. Ele falou do Ronaldo (Ronaldinho
Gaúcho), que está no Flu. Falou de mim, e não estou no Vasco. Se um dia eu
fosse jogar no Vasco, como já joguei, seria pelo lado profissional e
familiar. 
Em
bate-papo de 30 minutos com o GloboEsporte.com, Léo Moura não se privou de dar
sua versão sobre as negociações por um retorno ao Brasil, falou da expectativa
de jogar em um país tão diferente culturalmente como a Índia e admitiu que só
uma vitória da oposição nas eleições no Flamengo, em novembro, o faria voltar a
sonhar com um retorno à Gávea: 

Com essa diretoria que está hoje, pelo Fred e pelo presidente, o que ficou bem
claro é que não teria condição. 
Confira
a íntegra da entrevista: 
Depois de toda polêmica que envolveu sua
saída dos EUA e um possível retorno ao Brasil, você decidiu defender o FC Goa.
Já são quase dois meses sem jogar. Como surgiu essa oportunidade? 
– A
ansiedade é grande para voltar a trabalhar, está chegando a hora. O Zico tinha
me convidado e também o Amaury (Nunes), que saiu do Strikers e ajudou no
contato com o pessoal da Índia. Como a liminar para jogar no Brasil não foi
concedida, aceitei esse desafio. Trabalhar com o Zico vai ser uma honra. Tinha
outros convites, mas não foi possível. 
Qual a diferença que permite você
defender o Goa, mas impedia o acerto com o Coritiba? Está tudo resolvido? 

Não poderia jogar no Brasil porque o campeonato começa na mesma temporada que
nos Estados Unidos. Na Índia, a competição começa em outubro, já é outra
temporada. Então, estou liberado para jogar. A Superliga começa dia 4 de
outubro e termina no dia 20 de dezembro. Viajo para lá em setembro. 
Com 36 anos, você projeta mais quantas
temporadas jogando futebol? 

Quero jogar mais dois anos. A cada dia que passa, vejo o futebol de uma maneira
diferente. Vejo que dá para jogar muito. Parar em um momento como esse é até
precoce. Me preparo, me cuido e tenho total condição de atuar mais dois ou três
anos, seja no meio ou na lateral. Estou indo para Índia jogar no meio-campo,
mas, se precisar, posso ajudar na lateral também. Quero ser útil. Vou para esse
projeto para ser importante. 
Seu plano de carreira é voltar para o
Brasil no ano que vem? 
– O
pensamento é esse. Voltar a jogar no Brasil, jogar em grandes equipes. Esse é o
meu objetivo. Espero que apareça um 
convite no ano que vem. 
Jogar em outro clube do Rio, que não
seja o Flamengo, é uma possibilidade?  

Quero voltar ao Brasil, independentemente do lugar. Vou ver o que vai ser
melhor. Se tiver convite para jogar no Rio, quem sabe? Só o futuro vai mostrar.
Quando sentei com minha mulher nos EUA e decidi voltar para o Brasil por
questões familiares, o primeiro clube que procurei foi o Flamengo. Liguei para
o (Alexandre) Wrobel (ex-vice de futebol) e falei da minha vontade, que ia
voltar, passei tudo, e ele disse que falaria com o Conselho Gestor. Depois,
liguei para o Rodrigo Caetano e aguardei. Quando cheguei ao Brasil, vi que o
clube tinha contratado um lateral (Ayrton) e que não voltaria. Ouvi, ninguém me
contou, o Fred Luz dizer que eu não voltaria ao Flamengo por questões
políticas. A vontade dele não era essa, nem do Bandeira. Por isso, não voltei
ao Flamengo. Eles têm o direito e respeito. O conselho que manda no Flamengo
decidiu que eu não poderia voltar. Aí, apareceram convites do Coritiba, do
Criciúma, entre outros… 
E você é capaz de identificar quais são
essas razões políticas? 

Não consegui entender e não entendo. Pelo lado do torcedor é até engraçado. Por
onde vou, sinto que a vontade e os pedidos são para uma volta. Respeito quem
está jogando, mas escuto pessoas que passaram por lá, comentaristas, a torcida,
que é a verdadeira voz do Flamengo, dizerem que teria condições para voltar. 
Neste retorno ao Brasil em 2016, você vê
possibilidade de um acerto com o Fla? 

Com essa diretoria que está hoje, pelo Fred e pelo presidente, o que ficou bem
claro é que não teria condição. Agora, se outra diretoria entrar e o pensamento
for diferente, vai caber a eles falarem. Minha vontade sempre foi jogar e
encerrar a carreira aqui.  
Depois de tanto tempo, você já digeriu
bem a saída do clube e a forma como foi conduzida? Aponta alguém como
determinante nesta decisão? 
– A
interferência foi total do treinador junto com a diretoria. Ele comandava o
time e tinha o respaldo para fazer isso, que culminou com a antecipação da
minha saída. Já tinha a proposta do Strikers desde janeiro, mas queria dar a
resposta na pré-temporada, achava que a opinião poderia mudar. Quando se faz um
contrato só até o fim de um campeonato, por três meses, vejo que alguma coisa
negativa ia acontecer. Alguma maldade estava sendo preparada. Eles tiveram um
mês após o Brasileirão para decidirem e já poderiam ter falado ali. Não tiveram
coragem no momento, esperaram começar uma nova temporada. Aceitei porque quis,
queria ficar. Meu desejo não era sair, esperava renovar até o fim do ano.
Depois, pelo que foi acontecendo até na pré-temporada, achei que era o momento
de sair. Até para não perder o respeito pelo ser humano. 
E todo episódio com o Vasco? O Eurico
chegou até a anunciá-lo como reforço. O que aconteceu de verdade?  
– O
Zé Luis (Moreira, vice geral) é muito meu amigo. Sempre falei com ele, dentro
ou fora do Vasco. A amizade sempre foi muito bacana e falamos de todos os
assuntos, não só futebol. Sempre tivemos essa liberdade. Quando o Vasco perdeu
para o Sport, eu estava com o Strikers em São Paulo e ele dizia que tínhamos
que nos encontrar no Rio. Me ligou e eu, realmente, fui falar com ele como uma
pessoa próxima, amiga. Ouvi dele que a vontade era me levar para o Vasco por
gostar de mim como atleta, por ver que eu tinha condição de jogar. Quando saí
dali, pedi que entrasse em contato com o (Eduardo) Uram (empresário) para saber
da proposta. No outro dia, o Eurico já tinha anunciado minha contratação. Isso
causou um problema para mim. Muitas pessoas falaram sem saber, acusaram de todo
lado, e o silêncio foi a melhor resposta. Ele falou do Ronaldo, que está no
Flu. Falou de mim, e não estou no Vasco. Se um dia eu fosse jogar no Vasco,
como já joguei, seria pelo lado profissional e familiar. Fui um ídolo do
Flamengo e minha vontade era jogar lá, mas isso não iria acontecer. Passei por
esse turbilhão de acusações, sou flamenguista, e achei que vestir a camisa do
rival ia manchar minha carreira. Entendi isso e pude ver o que realmente
represento para o Fla e a torcida para mim. 
Você chegou a ter algum tipo de contato
direto com o Eurico? O Romário falou que você pediu o telefone… 

Não tenho o telefone dele e nunca liguei para ele. Só falei com o Romário
depois que já tinha falado com o Zé Luis pelo telefone. Aí, o Romário falou com
o Eurico. 
Tudo que aconteceu modificou sua relação
com a torcida de alguma maneira? 

Não ficou nada. Primeiro, porque viram que o que o presidente do Vasco falou
não aconteceu. A torcida sabe do amor e carinho que tenho pelo Flamengo. Nunca
escondi isso de ninguém. Já joguei no Flu e tenho carinho pelos torcedores,
pelos botafoguenses… Não tenho mancha com torcida nenhuma e nunca vou ter.
Passou. O Vasco estava vivendo um momento difícil. O que recebo é sempre muito
carinho e pedido de volta da torcida do Flamengo.
No Facebook, você postou algumas
provocações ao Vasco recentemente. Essa postura, que você não tinha tanto
quando dava entrevistas, tem relação com esta polêmica? 

São provocações de torcedor. Hoje, sou torcedor e falo por ali com amigos que
também me zoam. É uma zoação sadia, sem desmerecer o clube. Isso jamais vou
fazer.  
Você foi para os EUA com um contrato
longo e durou meses no Strikers. Por que decidiu voltar? O baixo nível do
futebol te surpreendeu? 
– Só
tenho a agradecer ao Strikers. O projeto era crescer junto com a liga, o André
Chaves (representante do clube) tinha me passado como era, mas quis ir ver. O
nível está muito baixo e isso também pesou para eu voltar. Ainda mais depois de
ter saído de um clube grande, acostumado a disputar e ganhar, ser campeão. Para
o americano, ganhando ou perdendo, está tudo muito bom. Isso ainda não está
dentro de mim, sou competitivo. Fora isso, não tenho do que reclamar do suporte
que recebi. A qualidade de vida, então, nem se fala. Ainda brinquei com minha
esposa de que vamos voltar a morar lá. 
Desde que saiu de lá, já são dois meses
fora do futebol. Como tem aproveitado essas férias forçadas? 

Estou aproveitando tudo. Há muito tempo isso não acontecia comigo. Está sendo
muito bom por estar mais com a minha família, poder ver minhas coisas fora do
futebol, o lado empresarial… Também estou jogando futevôlei e treinando. Está
batendo a ansiedade para voltar a jogar.  
Já pesquisou sobre o que vai encontrar
na Índia? É um país muito diferente do Brasil culturalmente. 
– O
André (Santos) já tinha me passado, conversei com o Zico também, mas estamos
indo trabalhar. Me disseram que a Superliga sempre tem estádio cheio, média de
público acima de 20 mil, muita organização. Vou pensando nisso, só no futebol.
Dificuldade há em todo lugar. 
Para finalizar, receber esse voto de
confiança do Zico, principalmente depois de toda polêmica, tem algum
significado especial? 
– Só
agradeço a Deus pelo que preparou para mim. Depois de tudo que aconteceu, ter o
convite de um cara que é meu ídolo e tem história no futebol… Poder tê-lo
como treinador. Um cara mais entendido do que ele, não existe. Mostra que tenho
qualidade para jogar, que posso jogar. Além de toda amizade e carinho, vejo
pelo lado profissional e quero retribuir.

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