sábado, setembro 26, 2020
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Flamengo volta a reduzir débitos e deixa posto de mais endividado.

Presidente do Flamengo com a taça da Copa do Brasil de 2013 – Foto: Alexandre Vidal

EPOCA:
A primeira divisão do futebol brasileiro tem R$ 4,8 bilhões em dívidas. Os
mesmos 20 times que jogaram o Campeonato Brasileiro em 2015 deviam menos da
metade cinco anos atrás, em 2011. A história é quase a mesma de sempre. Os
clubes, embora tenham elevado consideravelmente suas receitas, continuam a
gastar mais do que têm. Quando falta dinheiro para fechar a conta, sobe o
endividamento. Mas há mais. Dívidas que tinham sido escondidas debaixo do
tapete por cartolas agora foram expostas pelo Profut.

O
clube que mais deve no país é o Atlético-MG, com R$ 553 milhões em 2015. O que
menos deve é a Chapecoense, apenas R$ 5 milhões. Mas a análise não pode parar
por aí. O Itaú BBA, liderado por Cesar Grafietti, detalhou o perfil das dívidas
do futebol brasileiro para ÉPOCA. Há o endividamento ruim e há o muito ruim.
Para entender, dividimos as dívidas em três grupos: bancária, operacional e
fiscal.
A
dívida com os bancos é a mais perigosa, pois tem juros mais altos e pode virar
uma bola de neve. A operacional é a mais urgente. São dívidas de curto prazo,
como valores devidos a atletas, outros clubes e fornecedores. A fiscal é a
menos preocupante, sobretudo depois que o governo federal permitiu, por meio do
Profut, em 2015, que times esticassem os pagamentos de impostos atrasados por
20 anos. Mas que, agora, por causa do Profut, não pode mais ser ignorada.
Quando
você olha para toda a dívida da primeira divisão, vê o seguinte quadro. O
endividamento operacional é o menor, em R$ 980 milhões, e se manteve no mesmo
valor de um ano atrás. O bancário aumentou e chegou a R$ 1,48 bilhão. O fiscal
disparou. Os impostos devidos pelos 20 clubes do Brasileiro chegaram a R$ 2,33
bilhões em 2015, com um aumento de mais de R$ 500 milhões em relação a 2014.
O
crescimento da dívida fiscal entrega um mau hábito do futebol brasileiro.
Quando cartolas aderiram ao Profut em 2015 e renegociaram seus impostos devidos,
o governo federal deu descontos em multas, juros e encargos que eram cobrados
até então. O valor “economizado” por clubes, como explicou ÉPOCA, é de pelo
menos R$ 440 milhões. Trocando em miúdos, a dívida total subiu ao mesmo tempo
que descontos foram dados pelo credor. Como? Os balanços financeiros de anos
anteriores omitiam dívidas com o governo. O Profut exigiu um pente-fino sobre o
endividamento fiscal.
Entre
os clubes, há casos mais e menos graves. Santos e São Paulo têm endividamentos
de tamanhos similares, mas os santistas devem mais impostos e os são-paulinos
mais para bancos, o que torna o caso dos tricolores mais preocupante. O
Atlético-PR tem a maior dívida bancária do país, mas por uma razão singular: empréstimos
tomados para reformar a Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014 entram no
balanço do clube. Não fossem elas, os paranaenses teriam “só” R$ 66 milhões
devidos. O Corinthians não inclui a dívida da Arena Corinthians – ela consta no
balanço do estádio, gerido por um fundo, pelo clube e pela Odebrecht. O
Internacional também não. No caso dos colorados, a conta é da empresa  Andrade Gutierrez com o BTG Pactual, que gere
a parte nobre do Beira-Rio.
Nem
toda dívida é igual.

Arte: Divulgação / EPOCA

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