Fluminense descarta estádio do Flamengo no Parque Olímpico.

Foto: Reprodução

GLOBO
ESPORTE
: O silêncio deu lugar à confirmação. Falar tornou pública a espera de
posicionamento por parte do presidente Pedro Abad. E há ainda a intenção de
evitar a concorrência do Flamengo na ideia do Fluminense construir um estádio
no Parque Olímpico. Ao conversar com o GloboEsporte.com, Pedro Antonio Ribeiro
da Silva, vice de projetos especiais do Tricolor, detalhou o projeto do sonho
da casa própria. Ela ficaria na área mais nobre da Rio 2016, teria capacidade
de até 22 mil pessoas e poderia ser erguida em um ano. Para sair do papel,
porém, depende de entendimento interno, viabilidade financeira e apoio
político. E caso não vire realidade? Laranjeiras, local que não recebe partida
de futebol desde 2003, seria uma alternativa.

O
GloboEsporte.com revelou a intenção tricolor em matéria no dia 15 de junho. Na
época, o clube não se manifestou oficialmente. O tema era blindado e mantido em
sigilo. Havia a expectativa de ganhar apoio da prefeitura em encontro com o
prefeito Marcelo Crivella, em viagem à Holanda na ocasião. Ele retornou e,
mesmo assim, a audiência não foi marcada. Pedro Antonio deu a sua versão para a
demora:
– O
projeto só não foi para frente por conta da insegurança da atual administração
em conduzir o assunto.
Pedro
Antonio acredita na viabilidade do estádio. Tem a experiência de ter construído
o CT, que o ex-presidente Peter Siemsen batizou com o seu nome. Acompanhou a
construção do Parque Olímpico e foi voluntário no evento. Disse conhecer
detalhes que ajudaram a criar o projeto, que começou a ser elaborado há três
anos. Nele, o estádio ficaria atrás da Jeunesse Arena, chamada de Arena
Olímpica do Rio nos Jogos. Em uma área de 24 mil metros quadrados. A
capacidade, a depender do posicionamento do estádio, variaria de 18 a 22 mil
lugares. O custo não passaria dos R$ 100 milhões, afinal, diminuiria com o uso
do material do Estádio Aquático – não da Arena do Futuro, que, pela ideia
inicial da prefeitura, seria desmontada para a construção de quatro escolas. A
ideia é erguer com ajuda de patrocinadores e ter um estádio para jogos com
apelo de público menor e que impulsione o plano de sócios.
– O
Fluminense ter um estádio não é um projeto do Pedro Antonio. É um projeto único
da torcida tricolor. Tem de ter um estádio. Falei ao presidente Abad: essa oportunidade
não pode passar em branco. Em 100 anos, não vai aparecer oportunidade igual.
Ela não surgiu da noite para o dia. Surgiu de trabalho, de observação, de
acompanhamento nos últimos anos. Nos últimos 12 meses, estou focado no assunto.
Calado, sem falar para ninguém. Quem sabia era o ex-presidente Peter, ele tinha
o projeto dele lá. O presidente Abad sabia e estava, inicialmente, no projeto
do Peter e procurando outros terrenos. Nós, a torcida tricolor, queremos
estádio. Teremos o estádio. O Fluminense não pode ser um clube sem telhado, sem
casa. Acabou. A única pessoa a quem eu mostrei as imagens foi o Abel. Por isso,
ele falou em uma entrevista recente. Ninguém mais do futebol viu, nem jogador e
tampouco membros da comissão técnica. Abel, a gente vai ter estádio. Pode
anotar. O projeto, reitero, é de todo o torcedor – explicou Pedro Antonio.
Disputa política
Pedro
Antonio teme que a disputa política interna prejudique o projeto do estádio. Na
campanha eleitoral de novembro passado, o tema foi debatido. Peter apresentou
um projeto no lançamento da candidatura de Abad, por exemplo. Ajudou na eleição
do atual presidente. Alguns dirigentes e conselheiros, porém, têm ressalvas
quanto ao protagonista do vice de projetos especiais. E questionam a dependência
financeira dele. Atualmente, o clube lhe deve R$ 7 milhões pela construção do
CT.
– Não
vai ter político, situação ou oposição, que vai impedir a minha luta pelo
estádio. Não tem jogo político. Não quero saber de política. Da atual
administração, da passada ou de outros grupos políticos. Não acredito que
nenhum político não queira ter essa luta – acrescentou Pedro Antonio.
Disputa com o Flamengo
Depois
que o projeto tricolor foi tornado público, a Secretaria de Urbanismo,
Infraestrutura e Habitação, órgão da prefeitura que teria de liberar o projeto
de construção, foi procurada por dirigentes do Flamengo. Representantes do
Rubro-Negro manifestaram ao secretário Indio da Costa a intenção de construir
um estádio no Parque Olímpico. O clube teve apoio da prefeitura recentemente em
dois episódios: liberação da Ilha do Urubu e no protocolo de construção do
estádio acústico da Gávea. Caso haja duplo interesse, a prefeitura poderia
optar por uma licitação para construção no local.
– Se a
gente não tiver, ninguém vai ter. E, se não for lá, se tomarem a ideia,
queremos liberação da prefeitura para reformar as Laranjeiras. Podemos
conversar, negociar e ser justos. Não vejo problema em o Flamengo administrar o
Maracanã. Hoje é a Odebrecht, uma empresa. Tem de ter um acordo justo para as
partes. Para todos poderem usar. Podemos ter acordo justo com o Botafogo no
Nilton Santos. Fico até triste de não poder fazer acordo com o Vasco. O que
interessa é o futebol do Rio de Janeiro. Agora, o que não vai ter é um time
hegemônico no Rio de Janeiro. Podem esquecer. Isso não terá – completou Pedro
Antonio.
O
estádio das Laranjeiras é tombado tanto no âmbito municipal quanto estadual.
Para reformá-lo, há a necessidade de uma complexa liberação, especialmente a
cargo do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). O terreno do
Parque Olímpico é administrado pela Rio Mais, concessionária formada pela
Construtora Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez e Carvalho Hosken. Parceria
Público-Privada (PPP), feita pela prefeitura do Rio de Janeiro, permitiu a
construção e manutenção, por 15 anos, da infraestrutura do Parque. Ele tem 1,18
milhão de metros quadrados, e a construção das arenas custou R$ 7,23 bilhões. A
Autoridade de Governança do Legado Olímpico (Aglo), vinculada ao Ministério do
Esporte, administra as Arenas Carioca 1 e 2, o Velódromo e o Centro Olímpico de
Tênis e busca parcerias para deixar o local em uso. A Arena do Futuro e o
Estádio Aquático são responsabilidade do município.
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