segunda-feira, setembro 21, 2020
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Fora todos.

Foto: Divulgação

BUTECO
DO FLAMENGO
: E mais uma vez, cheios de som e fúria, é marcada mais uma manifestação
recorrente na Gávea, por um grupo de associados, eivados por um espírito
marcado pela frustração pelos inúmeros erros cometidos, reais ou aparentes,
pelo Departamento de Futebol. E como tal, captada pela imprensa, sempre alerta,
para que holofotes iluminem o tal grupo e faça a todos verem sua indignação
marcada por uma pauta que poderia ser resumida numa frase: “Fora
todos”.

Mas
porque tanta gente cheia furiosa atualmente?
Porque
o futebol foi uma decepção. Não só a performance do time em campo, como a falta
de esmero em cuidar de uma casa próxima para o Flamengo jogar, como fizeram
Fluminense e Botafogo. Não, preferiram o deserto de Volta Redonda com sua
torcida que não comparece.  Também
preferiram marcar um clássico em Brasília com o Palmeiras, cujo time não joga
lá há anos, logo com alta demanda reprimida, mantendo a mesma filosofia de
utilização de estádio que caracteriza esta gestão ao menos desde 2013. Setor ou
setores para torcida adversária e uma zona mista. A torcida do Palmeiras compareceu
em peso. Sua torcida alucinada pelo fato de estar lá, em estado de guerra por
sua equipe, passou a dominar o estádio. Em que pese que eu seja favorável ao
espírito da zona mista, porque, para mim, futebol não é uma guerra e sim
esporte em que se joga contra adversários tão dignos quanto o Flamengo, sendo
assim gosto da convivência entre torcidas. E ela em si foi harmoniosa
justamente no setor de zona mista, em que pese a torcida do Palmeiras ter
comparecido em peso e dividido em número com a torcida do Flamengo. O que não é
comum. Pois bem, a torcida que sofre em estádios alheios, confinadas a espaços
minúsculos, reclamou. Além do mais, há uma noção que time que joga em casa tem
o domínio maior de torcida. Não tendo contra o Palmeiras isto gerou então uma
suposta perda esportiva, na opinião de vários, nas quais discordo pois não
poderia haver mais perda esportiva que um 4-3-3 com Marcio Araujo e
Fernandinho.
Sendo
assim, somando isto a violência protagonizada pela “torcida
organizada” Mancha qualquer coisa da vez Verde, notória pela
agressividade, em causar brigas e provocar crimes, que veio em peso ao estádio,
prontos para provocar conflitos contra o inimigo que estes psicopatas
escolheram. O caldo entornou. Embora o Flamengo esteja no quinto lugar da classificação
em 5 jogos, podendo facilmente retornar ao G4 no próximo jogo, as pessoas ainda
vêm que precisam se exaltar, tripudiar, reclamar, até consumir tudo em fogo,
não importando o dano que possam provocar a imagem do CLUBE. O que importa,
para alguns, é mostrar sua indignação e que grita mais que o outro.
É a
fúria.
E como
lidar com a fúria de pessoas que perderam a confiança no trabalho e se sentem
traídas, por reais ou supostas promessas de campanha serem aparentemente
quebradas, ida do Presidente aos EUA pela CBF, eliminação de Copa Brasil e
derrotas para o time de Série B, Vasco, etc etc ? Traídos porque confiaram ou
esperaram um trabalho melhor e diferente desde o início deste mandato. Mas não.
Sem zagueiros Flamengo veio com elenco incompleto ainda na quinta rodada. Tudo
isto faz acumular a revolta, que é insuflada por diversos setores de oposição
política que, convenhamos, aproveitam o momento.
Para
lidar com isto deve mostrar resultados aos furiosos. O Flamengo precisa ganhar
em campo. Flamengo precisa de fato disputar o campeonato Brasileiro e a Sul
Americana. Flamengo não pode “fugir do rebaixamento” de novo. O fato
é que os nomes no futebol não foram trocados. A equipe executiva ainda
continua. Então é preciso mostrar serviço. Deve chegar novo gerente mas ninguém
sabe como se dará esta dinâmica embora, agora, mesmo sem ele, se nota uma outra
postura dentro de campo com Zé Ricardo. Mais aguerrida. A carência desta
postura é que parecia demonstrar desmotivação e desligamento dos jogadores com o
“propósito” do futebol. Mas pode ter sido apenas problema dos
técnicos. Enfim, em todo caso é mais um na escala de comando e, se vier, que
seja um nome que preste um bom serviço.
Porém
não vejo nesta estrutura de comando algo que dispense um certo milagre para o
elenco e departamento encaixarem. Seria preciso outra postura, outra forma de
pensar e um fluxo de decisões diferentes. As linhas de comando parecem tênues,
processos decisórios interpolados, em consonante com a ação do VP de Futebol,
dirigente amador, que assumiu a condução das negociações, segundo veiculado
pela imprensa. Junte-se a isto um técnico interino, que desde que assumiu o
cargo não pára de haver manifestações no clube, idas ao Ninho, o que certamente
lhe deve causar muita apreensão. Também não se sabe deste mesmo corpo executivo
qual tipo de técnico contratariam. Surgiu o nome de Abel que ficará disponível
em julho e parece ser a preferência, caso o Zé Ricardo sucumba.  Mas ele é um nome já em aparente decadência,
tem um passado frustrante no Flamengo e não empolga ninguém.
Não
será fácil. Espero que o time miraculosamente se torne potente, iluminado, em
triunfo, e pise nas cinzas da desesperança que o fogo da fúria vai deixando
pelo caminho.
Flavio
H Souza

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