sexta-feira, setembro 18, 2020
Início Notícias Futebol Inc.

Futebol Inc.

Buteco
do Flamengo – O Futebol é um negócio, certo? OK. Um esporte apaixonante, mas
acima de tudo um negócio milionário gerido no Brasil por clubes sociais sem
fins lucrativos. Sim, o associado que quer piscina limpa e está literalmente
andando se o futebol está no céu e ou no inferno, com seu voto determina onde o
Flamengo deve ir.

E o
conjunto destes associados, muitos deles rubro-negros de fato, diga-se, formam
o colégio eleitoral que, de 3 em 3 anos elegem (ou reelegem) o mandatário e sua
equipe. Viva a democracia, certo? Sim e não. A democracia é boa como conceito
de governabilidade de uma sociedade ou um grupo fechado, mas a dúvida é: É boa
para um negócio?
Que
empresa privada sobreviveria com eleições tri-anuais de seus presidentes e
vice-presidentes, independente de seus resultados? Nenhuma, certo? Projetos se
perderiam, diretorias e gerências ficariam sem rumo e certamente seriam
substituídas por novos indicados, afinal o novo grupo no poder, se oposição, se
elegeu para mudar “tudo isto que está aí”.
E o
novo grupo vem e muda tudo. Planejamento para próxima temporada, estruturação
do departamento, cargos, salários, filosofia de treinamento, capacitação de
recursos humanos, fluxos de decisões, tudo pode mudar. E dependendo da
capacidade das “cabeças coroadas” a mudança pode ser drástica. Para
melhor ou para pior.
Como
acionistas sobreviveriam a isto? Como os consumidores aguentariam uma empresa
que se comporta de forma bipolar em intervalos de poucos anos, melhorando ou
degradando seus próprios produtos/serviços de acordo com a eleição de seus
mandatários, eleitos ou não por suas qualidades gerencias ou apenas de
retórica?
Pois
é. Mas um clube de futebol funciona assim. Os acionistas, vulgo, associados
elaboraram estatuto para que funcionasse deste jeito. Afinal, diferente de uma
empresa, um clube social não é para dar lucro e os consumidores, vulgo,
torcida, sabem desta bipolaridade e a cada período eleitoral torcem
desesperadamente para o clube para o qual torcem não estrague o que foi feito
e, melhor ainda, repare o mal feito e melhore o presente e o porvir.
Com
isto tudo dificilmente o negócio “Futebol” pode ser implementado a
contento em um clube social como o Flamengo, diante das exigências atuais do
futebol contemporâneo, em que se exige planejamento a médio/longo prazo para
estrutura ótima de treino, de hospedagem, de fisiologia, preparação física,
departamento médico, treinamentos táticos, técnicos, que visam capacitar os
jogadores a exercerem suas funções em campo com o maior grau de rendimento
possível. Onde exige-se os melhores profissionais para negociação de contratos,
logística, adequação de novos contratados, assistência psicológica, tudo isto
dentro de uma filosofia previamente definida pelo clube de funcionamento de seu
negócio, isto é, o futebol. Terá uma base que servirá para negociação de jogadores
e apoio a elenco profissional?  Então
nesta base deve haver estratégia que possibilite que a venda dos direitos dos
jogadores cubram os custos de operação e gere lucro para o departamento de
futebol como um todo, para melhor equipagem de suas instalações, contratações
de profissionais, logística, etc.
Ou
seja, o futebol, sendo um negócio precisa saber o que ele “tem que
ser”. Qual o seu ideal, considerando que estamos em 2015 e vivemos agora a
pouco o “7 a 1” ? O Flamengo precisa saber o que quer, para assim ter
um processo de decisões que construam o futebol do Flamengo de acordo com o
planejado, independente do dirigente amador, diretor executivo ou técnico da
vez.
Mas
como isto é possível no modelo “democrático” de um clube social de
bairro? Só é possível se o grupo mandatário ter um projeto de poder de vigência
longa, não se separar, e manter sua base eleitoral afinada com o projeto para
que não venha um grupo aventureiro de oposição, com bravatas e dedos na cara,
desfazer todo o trabalho. Mas o projeto, além de ser muito bem elaborado,
precisa ser ACEITO pelos associados, que devem acompanhar o andamento de sua
execução e gerenciamento de ocorrências. Um projeto destes que visa TRANSFORMAR
o futebol do semi-amador que temos hoje, para um top de linha como o Flamengo e
sua torcida merecem, precisa ser desenvolvido e acompanhado pelos melhores
especialistas no assunto. E deste estudo derivarem discussões e adaptações para
sua aplicabilidade no Flamengo, considerando suas particularidades, vantagens e
dificuldades próprias.
Sendo
assim, o que aconselharia?
Contratação
de uma assessoria/consultoria européia, de ponta, para montagem e
acompanhamento do projeto de futebol do Flamengo. De um plano de negócios,
considerando base, estrutura, profissional, staff, RH, financeiro, fluxos de
decisões, softwares de apoio, etc. Top de linha, com fases de implantação,
considerando o mínimo que temos hoje, que, segundo o Luxemburgo, não serve
sequer para treinamento por dias seguidos, tendo o time que ir para Atibaia.
Na
minha opinião, considerando a experiência européia que está no topo em relação
ao futebol, formando times e estruturas de apoio super competitivos, devemos
sim, ter a humildade de reconhecer nosso atraso e os chamar para a elaboração
deste projeto. E este projeto, uma vez aceito pela base eleitoral, e cobrada
sua execução por ele não só facilitará a reeleição do grupo que está no poder,
caso bem executado, como dificultará que, caso um grupo de oposição mesmo assim
ser eleito, o projeto de futebol seja desprezado ou jogado fora.
Precisamos
de um projeto de futebol, mais uma vez, elaborado por grandes especialistas no
assunto considerando os anseios da alma rubro-negra, que seja sustentável e
acompanhado. Aprovado pelos associados e por sua torcida. Isto transpassaria
gestões. Sua execução não é fácil, nem rápida, mas só assim, penso eu, garantiríamos
um profissionalismo pleno e perene de nosso ‘core business’ em meio as
limitações estatutárias de um clube social.
Por
Flavio H Souza
Twitter:
@PedradaRN

MAIS LIDOS

Jorge Jesus é relembrado por torcedores do Flamengo após goleada

Jorge Jesus marcou seu nome na história do futebol brasileiro e do Flamengo. Com cinco títulos na bagagem, o português deixou o Mais Querido...

Fla: Comentarista faz duras críticas à Domènec após goleada

A goleada sofrida pelo Fla na última quinta-feira (17), por 5 a 0, contra o Independiente Del Valle, do Equador, fez com que muitas...

Técnico do Del Valle afirma: “Somos muito melhores”

Na última quinta-feira (17), o Flamengo sofreu uma das maiores goleadas na sua história pela Libertadores diante do Del Valle. O resultado surpreendeu os...

Zinho avalia que o Flamengo errou ao contratar Torrent

Torrent vive o seu pior momento desde que chegou no Flamengo. Após acumular quatro vitórias seguidas no Campeonato Brasileiro, o Rubro-negro foi derrotado pelo...