domingo, setembro 27, 2020
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Geração Sub-15 enche o Flamengo de esperança

Globo
Esporte – Abraços para cá, sorrisos para lá. O clima da garotada é de total
descontração. Mas basta o técnico iniciar o treino para as brincadeiras darem
lugar à atenção e ao comprometimento dentro de campo. Não é à toa. É ali que
todos esses meninos alimentam a cada dia o sonho de se tornarem atletas
profissionais de futebol. Alimentam também a esperança do Flamengo de poder
contar, nos próximos anos, com um grupo que tem sido extremamente vencedor na
base. Colecionadora de títulos, a chamada “Geração 2000” rubro-negra
tem vários atletas constantemente convocados para a seleção brasileira da categoria.
Ela tem obtido tanto destaque que vem sendo comparada à última grande safra da
Gávea, de 25 anos atrás. Do time campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de
1990 saíram nomes como Marcelinho Carioca, Djalminha, Paulo Nunes, Júnior
Baiano, Nélio e Fabinho. E da atual equipe sub-15 podem sair Athirson, Patrick,
Marx Lenin, Yuri, Vinícius, entre outros.

Se vão
vingar ou não, são outros quinhentos. O fato é que o Flamengo tem tratado com
carinho essa geração de garotos nascidos no ano 2000. Segundo o treinador Dudu
Patetuci, que também os comandou no sub-14 e subiu para o sub-15 junto deles,
técnica e espírito coletivo são os diferenciais do grupo.
– Essa
é uma geração que tem um potencial técnico muito grande, de domínio do
fundamento. O domínio da técnica é determinante na prática do futebol. E tem
potencial de conjunto, pois eles vêm jogando juntos desde a categoria mirim (12
anos). Existe uma amizade muito grande entre eles. Acredito que terão um futuro
no Flamengo – disse.
Patetuci,
por sinal, foi jogador da base rubro-negra no passado e fez parte da última e
já citada grande geração revelada pelo clube. Para ele, as semelhanças entre
aquele elenco e o sub-15 atual são muitas. Por isso, acredita num futuro
brilhante para seus meninos.

Aquele grupo tinha muita amizade, muita técnica, foi campeão em todas as
categorias e conseguiu projetar ao profissional uma quantidade muito grande de
jogadores. Era muito talento junto: Marcelinho Carioca, Djalminha, Paulo
Nunes… Todos foram profissionais com projeção a nível nacional e até
internacional. Vejo potencial de acontecer algo bem similar com esses garotos
do sub-15 – afirmou o treinador, que não ficará surpreso se até oito jogadores
chegarem ao profissional, número bem maior do que o normal.
A
“Geração 2000” se acostumou a vencer, mas precisou lidar com alguns
baques em 2015. Após ser campeão invicto dos três campeonatos que disputou em
2014 e da Copa Votorantim no início deste ano, o Rubro-Negro sofreu a primeira
derrota desde 2011 diante do Nova Iguaçu pelo Carioca, o que foi amenizado
pelas duas vitórias seguintes no torneio, onde o time segue muito vivo. A maior
decepção ocorreu depois: a recente eliminação na semifinal da Copa Nike, com
revés por 1 a 0 para o Santos. Pedras no caminho que servem para deixar os
garotos mais cascudos, mais experientes, mais maduros. Saber perder faz parte.

Realmente é uma geração muito boa, que foi desenvolvida lá embaixo. A gente
cuida deles com muito carinho desde o começo. E hoje isso se reflete na
convocação de seis, sete jogadores para a seleção brasileira. É muito difícil
dizer que é a geração mais promissora, pois muita coisa acontece no caminho
desses meninos. Mas com certeza é uma das melhores gerações do Brasil
atualmente – afirmou Carlos Noval, diretor das categorias de base do Fla.
“O medo é uma ilusão”, diz
craque do time
O
grande destaque do time é o atacante Vinícius. O menino de São Gonçalo-RJ foi o
único desfalque do treino acompanhado pelo GloboEsporte.com durante esta semana
no Ninho do Urubu, CT do clube que fica em Vargem Grande, bairro do Rio de
Janeiro, mas por um bom motivo. Mesmo com só 14 anos, foi chamado para defender
a equipe sub-17 do Flamengo na primeira partida da semifinal da Copa do Brasil
contra o Vitória – perderam por 3 a 2 na última quarta. Via telefone, ele não
deixou de falar com a reportagem e mostrou maturidade.
– Sei
que minha responsabilidade é muito grande, mas é uma coisa gostosa. Sei do meu
potencial e chamo essa responsabilidade dentro de campo. Faço parte de uma
geração que gosta de ganhar e trabalha a cada dia para conquistar cada vez mais
títulos pelo Flamengo. Nosso grupo tem uma amizade muito boa, e isso se
transfere para o campo. Um corre pelo outro, e não tem vaidade.
Segundo
o técnico Dudu Patetuci, Vinícius tem muita velocidade, joga aberto e
dificilmente não passa de um marcador quando vai em direção ao gol. É o típico
jogador que decide. Com direito a frase de efeito, a promessa de craque também
mostrou ter personalidade.
– Meu
ídolo atualmente é o Neymar, porque jogo bem parecido com ele, ousado e alegre,
com muita alegria nas pernas e sem medo de errar. O medo é uma ilusão.
Vinícius
defende a seleção brasileira sub-15. Além dele, outros jogadores do time fazem
ou já fizeram parte das convocações: o lateral-direito Wesley, o zagueiro
Patrick, o lateral-esquerdo Athirson, os meias Marx Lenin e Leandro, e o
atacante Lincoln.
Patrick,
que é capitão tanto do Flamengo quanto do Brasil, foi outro a mostrar
maturidade. Inspirado em Aldair, o garoto de 15 anos e 1,83m de altura está no
Rubro-Negro desde 2013, quando chegou da escolinha União, do Rio de Janeiro,
após quase parar no Vasco.
– Acho
que ser capitão é uma responsabilidade enorme. O grupo é muito brincalhão,
então de vez em quando tenho que puxar a corda desses meninos, senão
extrapolam. O capitão é sempre o chato, o mais sério, mas acho bem legal.
Muitos queriam ser capitão, e tive essa oportunidade – afirmou o zagueiro, como
se já fosse um veterano.
Athirson do Acre e Marx Lenin
A
história de Athirson é uma das mais curiosas. Nascido em Manaus, o garoto morou
no Acre dos 4 aos 10 anos. Em 2011, aproveitou as férias dos pais no Rio de
Janeiro para fazer teste no Flamengo. Como foi aprovado, pai e mãe pediram
demissão de seus empregos para segui-lo na Cidade Maravilhosa – hoje só o pai
está empregado. E o nome não é mera coincidência com o passado do clube da
Gávea. No auge do ex-lateral-esquerdo, entre 1999 e 2000, a tia do menino
manauara que ainda nem havia nascido viu um gol de Athirson pela televisão e
sugeriu o nome, já que a família tem tradição de nomes começando com a letra A.
Mas a coincidência veio de fato depois: o futuro jogador é canhoto e virou,
veja só, lateral-esquerdo. Hoje peça fundamental do time sub-15, Athirson destacou
a união da “Geração 2000”.

Nosso grupo é realmente muito qualificado, tanto no coletivo quanto
individualmente. Todo mundo é amigo, trabalha junto, sempre com o mesmo
objetivo: vencer. Quando um ganha um prêmio individual, não é só ele que fica feliz.
Todos nós ficamos felizes porque sabemos que fazemos parte dessa conquista.
Tenho certeza que nossa união vai continuar assim até o profissional. Todo
mundo sonha em ser jogador e quer chegar lá junto.
Em
matéria de nome curioso, quem ganha é o meia Marx Lenin. A mãe dele queria
homenagear o marido, Antônio Marques, colocando Marques como primeiro nome do
menino, mas o cartório não permitiu. A mãe, então, tentou adaptar e inovar ao
mesmo tempo e escolheu Marx Lenin, mesmo só por achar os nomes bonitos e sem
saber a história dos revolucionários comunistas de Alemanha e Rússia,
respectivamente. O garoto, por sua vez, diz que gosta do nome que tem e sabe
que Marx foi um “grande filósofo”, mas não tem ideia de quem foi
Lenin. Aos 15 anos, ele tenta lidar com a pressão, não de influenciar milhões
com seus pensamentos, mas de corresponder à expectativa criada em cima da
“Geração 2000”.
– É
uma pressão, sim, porque para jogar num grupo qualificado como esse você tem
que estar bem, senão o companheiro vem melhor. Também é mais confiança, pois a
gente entra em campo e o pessoal respeita. Mas para ser respeitado tem que
botar a bola no chão e jogar.
Marx
Lenin se destacou no CFZ-RJ e foi levado pelo próprio Zico para o Flamengo em
2009. Quem fez o teste e passou junto dele foi o amigo Yuri, também meia. Os
dois meninos de Volta Redonda-RJ já eram amigos e inclusive haviam se
enfrentado algumas vezes na cidade sul-fluminense. Atualmente eles compartilham
do sonho maior de ser jogador profissional.
– Todo
mundo sabe que vida de jogador não é fácil. Por isso a gente está aí,
batalhando sempre, acordando cedo todo dia para treinar. Não é fácil, não. Tem
que lutar mesmo. Desistir? Nunca! – cravou Yuri.
Extracampo: psicologia, pedagogia…
Com
tantos destaques na equipe, o assédio de outros clubes será uma coisa
inevitável. Nenhum deles pôde assinar ainda contrato com o Flamengo – a Lei
Pelé só permite que um atleta assine contrato de trabalho com um clube a partir
dos 16 anos de idade -, mas a maioria já possui empresário. Todos os
selecionáveis têm, por exemplo. E é junto desses agentes que o Rubro-Negro
tenta dar acompanhamento extracampo para os jogadores.
A
pressão da família, que muita vezes depende de aquele sonho virar realidade
para ter uma vida melhor, pode ser um grande problema para os meninos. Para
cuidar de casos como esse, o Flamengo fornece um acompanhamento de psicologia e
assistência social a todos do grupo. A pedagogia também ajuda quando a escola
vira um problema.
– O
Flamengo procura trabalhar com seus departamentos, tratando dessa questão do
emocional, da escola, da família. Esses fatores externos influenciam
diretamente dentro do campo. Então, o Flamengo está muito atento a isso.
Ultimamente não tem acontecido nada. O comportamento deles está bem legal. Está
tudo tranquilo. Se acontecer, o Flamengo estará preparado para chamar a família
e o agente para conversar. A comunicação também está muita atenta, já que hoje
existe essa coisa das redes sociais, que estão dominando a meninada – disse o
técnico Dudu Patetuci.
Muita
coisa ainda vai acontecer na vida desses meninos de no máximo 15 anos. Se serão
profissionais, se terão carreiras de sucesso, só o tempo vai dizer. Mas, se
tudo correr conforme o planejado, a torcida rubro-negra pode esperar boas
novidades para os próximos anos.

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