sexta-feira, setembro 18, 2020
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Gil explica falta de sucesso no Flamengo e no Inter.

Lancenet
– Em meados da década de 90, um franzino atacante foi pinçado na pequena
Mirandópolis, interior de São Paulo, por Adaílton Ladeira, então técnico das
categorias de base do Corinthians. Aos 16 anos, Gil chegou à capital paulista e
não tardou a brilhar no Parque São Jorge. Quase duas décadas depois, ele está
de volta à Zona Leste paulistana: é estrela do charmoso Juventus, do bairro da
Mooca, clube com melhor campanha na Série A3 do Campeonato Paulista 2015.

Morador
do Tatuapé, o veterano se gaba de levar apenas dez minutos para se deslocar de
casa à rua Javari. A primeira lembrança de Gil como jogador, curiosamente, é de
um cafezinho tomado num bar localizado justamente em frente ao estádio do
Moleque Travesso, horas antes de se apresentar para o primeiro treino no
“terrão corintiano”, no longínquo ano de 1996.
Ao
LANCE!, ele “corneta” países onde jogou, cita ídolos que o inspiraram, lembra a
polêmica do “vale tudo”, enaltece reconhecimento e prêmio de esfiharia, e se vê
como mentor da garotada do Juventus.
Muita gente acha que você é de Andradina.
Mas nasceu onde?
Minha
mãe engravidou e me teve em São Paulo, sou paulistano. Depois que eu nasci,
minha mãe voltou para o interior, porque minha família toda é de Andradina, e
infelizmente meu avô faleceu e minha mãe precisava cuidar dos irmãos mais novos
dela no interior.
Como chegou ao Corinthians?
O
Corinthians foi jogar em Mirandópolis, numa cidade vizinha, e me chamaram para
reforçar o time local. Joguei, e o (Adaílton) Ladeira deu um olhar mais
caprichado e me trouxe para o Corinthians. Quando cheguei em São Paulo, com 16
anos, lembro que o primeiro cara que encontrei foi o Geova (Oliveira), que hoje
é diretor do Juventus, porque parei aqui na esquina da Javari para tomar um
café da manhã.
Quem eram seus ídolos?
Quando
eu era bem moleque, no interior, não tinha essa coisa de assistir jogo europeu.
Lembro que o campeonato que passava era o italiano. Não tinha (transmissão do)
espanhol, por exemplo. Minha inspiração era Corinthians, Palmeiras, São
Paulo… Como corintiano, Marcelinho Carioca, Neto, Ronaldo e Viola eram meus
ídolos. No São Paulo e no Palmeiras lembro que tinham Palhinha, Müller, Cafu,
Evair, Edmundo, Djalminha, Rivaldo…
Quais são suas lembranças da época da base
do Corinthians?
Na
base lembro os títulos que conquistamos. Eu morava no alojamento, então tinha
outra vida, outra visão. No profissional, vem uma responsabilidade maior,
cuidar da sua própria casa, os jogos passam na TV toda quarta e domingo. Você
vira homem. No Juventus eu revivo o que eu vivia no Corinthians, porque fico
bastante com a rapaziada no alojamento. Vejo que os meninos têm esse sonho de
chegar num clube maior.
Costuma sair com os ex-colegas?
Os
jogadores da minha época que moram em São Paulo eu sempre encontro. Marcelinho,
Luizão, Éverton, Fernando, Kléber… É que muitos se mudaram para o interior,
né? Mas os que residem aqui a gente encontra para jogar bola. O Vampeta
encontro toda hora, é meu vizinho aqui. Toda hora passo no Bar do Vagabundo e
está lá o Velho Vamp aproveitando o tempo livre dele.
Tem boas lembranças do Japão?
Tomei
um choque muito grande. No Japão, se você perdeu ou ganhou, é a mesma coisa. E
olha que o Verdy Tokyo é grande lá. Como eu estive no Corinthians desde
pequenininho, não estava acostumado com isso. Para mim não era normal perder
dois jogos seguidos. Até no Juventus, se acontece isso, fica todo mundo de cara
feia e começa uma crise danada.
E na Espanha? Gostou de lá?
Na
Espanha, e até no Japão mesmo, você entra em campo e seu time pensa em não
cair. Jogo fora de casa o pensamento dos jogadores é só empatar ou perder, nem
cogitam ganhar. Lembro que eu estava assistindo junto com meus colegas do
Gimnàstic à final do Mundial entre Barcelona e Internacional. Ficaram
decepcionadíssimos quando o Gabiru fez o gol, porque muitos lá eram torcedores
do Barcelona. Messi e Ronaldinho, pra eles, eram imbatíveis.
Jogou em vários clubes do Brasil depois.
Por que não se destacou?
Fiquei
pouco tempo nesses outros clubes. Ganhei Mineiro no Cruzeiro, Gaúcho no
Inter… Ganhei o Brasileiro pelo Flamengo. A gente fica feliz de fazer parte
de um elenco campeão, mas não tive participação efetiva nestes clubes. No
Corinthians eu fui efetivo, por isso tenho um carinho muito grande. Mas todos
os clubes me respeitaram.
Já está cansado de falar sobre a
entrevista do “vale tudo”?
Ficou
marcado, né? Foi a entrevista mais polêmica que dei. Falei aquilo porque eu
estava numa situação desagradável, com sangue quente. Eu queria xingar o
torcedor, o repórter entrou no meio e sobrou pra ele. Estava todo mundo
embolado e aí me chega o cara e pergunta “Vale tudo, Gil?”. Eu estava querendo
mandar o torcedor que estava puxando meu meião para aquele lugar, aí misturei
uma coisa com a outra e saiu o que saiu. Acho que pela espontaneidade e pelo
susto do repórter ficou marcado para o resto da vida.
Nota
da redação: Em 2006, após o título mineiro pelo Cruzeiro, Gil foi assediado por
torcedores no Mineirão. Em entrevista ao vivo a uma rádio católica, ele
disparou: “Só não vale dar o c…”.
Como veio parar no Juventus?
Eu
estava na academia aqui perto de casa, no Tatuapé, e o Everaldo, que é o
fisiologista daqui, me viu treinando. Ele reparou que eu estava treinando com
uma carga acima da média. Eu queria jogar, estava buscando forças para jogar no
clube que aparecesse. Aí ele chegou e perguntou se eu não queria jogar no
Juventus. Estava acima do peso, mas pouco a pouco fui adquirindo a forma.
Está gostando do assédio?
É um
assédio bom, caloroso, por parte da torcida e dos atletas. Eu entrei acima do
peso no primeiro jogo, e o torcedor me apoiou. Nunca senti desconfiança da
torcida e nem dos colegas de equipe. Por ter jogado no Corinthians, sou bastante
assediado, porque na Mooca tem muito corintiano. Tem, óbvio, os juventinos.
Os juventinos o acolheram, né?
Cara,
aqui você não ganha rios de dinheiro, mas é muito mais feliz do que em muitos
clubes que passa e não tem reciprocidade do torcedor porque não teve
oportunidade de jogar. Isso é natural também, afinal, há concorrência. No
Flamengo peguei Adriano e Love. No Inter, Nilmar, Taison e Fernandão. Na minha
posição, eram grandes jogadores.
E essa história das esfihas?
Foi um
combinado da Rádio Web Mooca e a Esfiharia Juventus para premiar o melhor
jogador do jogo. É um prêmio legal. Dá pra fazer brincadeira depois. É legal
ter uma premiação, independente de ser dinheiro, de ser esfiha ou de ser
troféu. É o reconhecimento do seu trabalho.
Foi o prêmio mais inusitado?
Teve
um episódio no Cruzeiro, fui o melhor da partida e ganhei uma TV de uma loja de
eletroeletrônico. Uma TV não, me deram um vale-troca assinado pelo presidente
dessa loja. Cheguei lá na loja e não me deram a TV. Fui lá duas vezes e ninguém
da loja sabia de nada. Pelo menos aqui recebo as esfihas, elas chegam
quentinhas, você chama os amigos do clube, a família e todo mundo come.
Já pensa em aposentadoria?
Não
pensei direito ainda. Fiquei os últimos quatro anos parado e não pensei em aposentadoria.
É lógico que vou querer ficar o mais próximo possível do futebol. Você pode ser
empresário, diretor do clube, mas acho que o mais próximo é ser treinador,
auxiliar… Se pudesse, eu jogava até os 90 anos, mas não dá.
Tem algum arrependimento?
Não,
tudo o que acontece é aprendizado. Depois é só pegar tudo e colocar para os
atletas mais novos. Hoje tento passar o que aprendi na carreira aos mais novos,
para reviver novamente, ser campeão novamente.
Qual foi seu auge como jogador?
Chegar
à Seleção Brasileira. Você trabalha para ser campeão, chegar a um grande
clube… E de repente é convocado?! Participei da Copa das Confederações de
2003. É o momento auge, porque você carrega isso para o resto da vida. Eu vesti
a camisa da seleção do meu país. E não é qualquer camisa. É camisa da Seleção
Brasileira. Independente de ser pouco tempo ou não, o importante é você chegar,
chegar ao topo. Você sente gostinho de que atingiu ao máximo.
FICHA TÉCNICA
NOME: Gilberto Ribeiro
Gonçalves
NASCIMENTO:
13/9/1980 – São Paulo (SP)
POSIÇÃO: Atacante
CLUBES: Corinthians, Verdy
Tokyo (JAP), Cruzeiro, Gimnàstic (ESP), Internacional, Botafogo, Flamengo,
União Mogi, ABC e Juventus (atual).
TÍTULOS: Copa São Paulo,
Brasileirão (3), Mundial de Clubes, Paulistão (2), Rio-São Paulo, Copa do
Brasil, Mineirão e Gauchão.
JOGOS PELA SELEÇÃO: seis
(três na Copa das Confederações de 2003)
PRÊMIOS INDIVIDUAIS: Bola
de Prata de 2002

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