Globo usa caso particular para atacar atual gestão do Flamengo.

Por: Fla hoje

Manchete no site daGlobo – Foto: Screenshot / GloboEsporte.com

GLOBO
ESPORTE
: A gestão da ex-presidente do Flamengo Patricia Amorim foi marcada por
escândalos policiais. O goleiro Bruno e o atacante Adriano foram protagonistas
dos episódios mais emblemáticos. A marca negativa virou munição nas mãos dos
membros da Chapa Azul na eleição de 2012. Naquela época, o então candidato
Eduardo Bandeira de Mello pretendia “afastar o Flamengo das páginas
policiais”. Não conseguiu.

Na
manhã desta quinta-feira, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal
cumpriram um mandado de prisão contra o vice-presidente do clube, Flávio
Godinho, no Rio de Janeiro. As informações são do G1. A busca faz parte da
Operação Eficiência, desdobramento da Lava Jato. O dirigente é acusado de
participar de ocultação e lavagem de dinheiro das propinas que eram recolhidas
das empreiteiras que faziam obras públicas no Rio de Janeiro.
A
diretoria do Rubro-Negro monitora o caso. Em nota oficial, disse que o
departamento de futebol segue com seu planejamento e atividades. Anunciou
também que o presidente Eduardo Bandeira de Mello passa a acumular a
vice-presidência da pasta. O mandatário classificou a situação como
desagradável, mas negou danos ao Flamengo.
– No
Flamengo continua tudo absolutamente normal. É um assunto particular, o
Flamengo tem princípios conhecidos de ética, transparência, de governança. Não
acho que respingue no clube – afirmou Bandeira ao GloboEsporte.com.
Apesar
de tratar o tema como de “cunho pessoal”, a prisão de Godinho atinge
em cheio o departamento. Ele tem participação direta nas negociações do
Flamengo com reforços. Mais do que isso. Foi grande financiador da campanha da
reeleição de Bandeira de Mello em 2015. Homem-forte do futebol desde janeiro de
2016, quando assumiu a vice-presidência da pasta, Godinho fez parte do
“time de ouro” da Chapa Azul já na eleição de Bandeira. Ele foi um
dos pilares na campanha ao lado de outro executivo: Luiz Eduardo Baptista, o
Bap, vice de marketing na época.
No
evento de lançamento da candidatura da chapa, em 2012, teve o currículo exibido
com orgulho pelos companheiros de campanha. O perfil destacava basicamente sua
relação com o Grupo EBX, do empresário Eike Batista. Godinho foi sócio-diretor
do Grupo EBX, membro do Conselho e atuou no Brasil e no exterior em empresas do
Grupo. Eike teve mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça também
nesta quinta-feira por suspeita de envolvimento em um esquema de pagamento de
propina ao governo Sérgio Cabral.
Membro “001” da Chapa Azul
Vencida
a eleição de 2012, o grupo que antes formava a Chapa Azul definiu que Godinho
seria o gestor do futebol e teria a palavra final no departamento, acima do
diretor-executivo, o que não se confirmou. Ele assumiu como vice de relações
externas. Ficou oito meses na pasta e foi o responsável por estreitar a relação
entre Flamengo e o técnico Mano Menezes. Em agosto de 2013, o Flamengo
anunciou, através de seu site oficial, o desligamento do empresário. Segundo o
clube, em razão de compromissos no exterior. Flávio Godinho, que proclama ser o
membro “001” da Chapa Azul, explicou a saída pouco tempo depois. Ele
foi o primeiro graúdo a debandar da gestão de Eduardo Bandeira de Mello.
Justificou assim:

Basicamente saí com uns seis meses de gestão. Foi um grupo formado muito
rápido, as pessoas têm a impressão que a Chapa Azul era formada por velhos
amigos, e na verdade foi um grupo de gente bem intencionada, que você pode
entregar um cheque em branco a qualquer um, realmente nada do Flamengo, tudo
pelo Flamengo. Como todo grupo que se conhece pouco, na gestão do dia a dia
começam a aparecer divergências. Por exemplo, tinha gente lá, que fazia parte
da liderança, que achava que o Flamengo não devia investir em divisão de base,
deveria comprar jogador semipronto com 18 anos. Acho absolutamente o contrário.
Existia uma forma muito amadora de se contratar jogador. O Flamengo evoluiu na
questão do número de jogadores, privilegiando mais a qualidade do que a
quantidade. Até para poder implementar esse choque de gestão, acho que um dos
defeitos da Chapa Azul foi uma certa intolerância ou arrogância. Perdeu uma
oportunidade no começo de gestão de unir o clube. Eu era contrário a esse tipo
de modelo, preferi me afastar. Achei que estaria até contribuindo – disse ao
GloboEsporte.com, em setembro de 2015.
A
explicação veio justamente nos meses finais do primeiro mandato de Bandeira.
Godinho retornava para ser vice de planejamento em período eleitoral, quando já
havia ocorrido a ruptura entre Bandeira de Mello e Wallim Vasconcellos, que
passaram de aliados a concorrentes no pleito. Godinho voltou com mais poderes,
que lhe conferiam o direito de interferir em todos os setores do clube,
incluindo o futebol. Godinho passou a participar efetivamente do planejamento
do elenco para 2016. Naturalmente tornou-se vice de futebol pouco tempo depois.
Dois episódios marcam sua passagem pelo clube. Foi Godinho quem conduziu as
negociações para contratar os meias Diego, em 2016, e Darío Conca, em 2017.

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