quarta-feira, setembro 23, 2020
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“Graças a Deus estou no Flamengo”, celebra Rodinei.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

GLOBO ESPORTE: Natural de Tatuí-SP, Rodinei já teve um
lugar ao sol no Corinthians, mas não aproveitou. O próprio diz que faltou
maturidade. Precisou recomeçar e, assim como o pequenino crustáceo que empresta
o nome à cidade onde nasceu, cavou fundo até surgir numa praia onde o horizonte
é promissor. O Flamengo é a maior oportunidade da carreira, e, aos 24 anos, o
lateral-direito começa a ganhar espaço no coração dos rubro-negros com muita
velocidade e vigor físico. No último domingo, no Fla-Flu, foi cirúrgico no
cruzamento para o gol de Guerrero, o que definiu a partida em 2 a 1, e ele
garante: não vai parar por aí.

– O lateral tem que ter as qualidades no cruzamento. A
posição já diz: lateral tem que ir bem pelo fundo. Mas as minhas
características sempre foram de bastante força, vigor físico e também um bom
cruzamento. Por isso que procuro treinar bastante para chegar nos dias de jogos
e caprichar bem em relação a cruzamento e passe para gol – disse.
Muricy diz “bota na frente que o neguinho corre”.
Mas nem só de correria vive Rodinei. O gol do peruano nasceu de muito treino,
mas também de conversa.
– Aquela jogada de primeiro pau eu já havia conversado com
ele dias antes do jogo, porque o Guerrero está entrando bastante na área. E
aquela bola no primeiro é difícil, tanto que o Henrique (do Flu) teve
dificuldades de se antecipar ao Guerrero, porque o Guerrero é um cara forte e
rápido. E a gente treina bastante. Graças a Deus consegui botar a bola na
cabeça dele, que conseguiu fazer esse gol para a gente sair com a vitória.
O destaque alcançado nesses quase três meses de Flamengo
sobretudo tem a ver com seu futebol, mas o atleta também é bom de entrevistas.
Engraçado, dá show quando começa a falar da “amada” Tatuí. Confira
abaixo a aula sobre a cidade natal e também um relato mais sério, sobre o fato
de não ter aproveitado oportunidade no Corinthians. Família, treinadores e o
estilo brincalhão dão o tom do bom papo com o GloboEsporte.com.
Como
foi o início em Tatuí?
Em Tatuí eu comecei em escolinha, mas na verdade eu comecei
a jogar bola na base só com 17 anos. Hoje estou com 24 e primeiro terminei os
estudos em Tatuí, minha cidade querida, que eu amo (risos). Tem que dar uma
moral sempre para Tatuí.
Quantos
habitantes tem sua cidade?
Aí você tem que pesquisar no Google (risos). Deve ter uns
150 mil habitantes (segundo o site da prefeitura, são 109 mil habitantes). Fico
brincando com o Alan Patrick, que é de Catanduva, e falo que Tatuí é mais fera.
Mas Tatuí não tem nem um McDonalds, mas está saindo (risos), está saindo o
shopping também.
(Assessor
lembra da árvore de Natal) Que mais tem na cidade?
Tem uma árvore de Natal que queimou, mas que é qualidade
(risos). Tatuí é a capital da música, tem o melhor conservatório da América
Latina e suas qualidades também. É uma cidade muito bacana.
Capital
da música? Você está dando uma aula sobre Tatuí.
Ô, irmão, pesquisa lá no Google. É só pesquisar. É o melhor
conservatório da América Latina. Tem flauta, violino, essas coisas de orquestra
para se aprender. Eles ensinam a tocar piano. Não é muito meu forte orquestra,
mas se você está por fora vai no Google que você vai achar.
*O GloboEsporte.com
aceitou a sugestão de Rodinei, foi ao Google e encontrou as seguintes
informações, retiradas da Wikipedia: “O Conservatório Dramático e Musical
Doutor Carlos de Campos, o Conservatório de Tatuí, é a maior escola de música
da América Latina e oferece de forma gratuita 47 cursos diferentes. Forma
instrumentistas, cantores, atores e “luthiers”, especialistas na
construção de instrumentos de cordas beliscadas. É reconhecida como
“Capital da Música” por lei estadual.
Lições
de passagem brevíssima pelo Corinthians sem sucesso.
No Corinthians cheguei de empréstimo de um ano que eu vim
do Avaí. O que falo do Corinthians em relação a brincadeiras, eu tinha 20 anos.
Foi em 2012, aí ia para o rachão e para trabalhos sempre querendo brincar e
entrar na onda dos mais experientes, como Sheik e Guerrero. Sempre era um
menino empolgado, porque o Corinthians foi meu primeiro time grande. Eu fiquei
deslumbrado, comecei a pensar que as coisas eram daquele jeito, mas realmente
não eram. Eu tinha que trabalhar mais sério, e isso eu aprendi muito lá no
passado com meus erros. Do Corinthians fui para o Avaí, depois fui jogar uma
Série C. Pensei: “poderia ter levado mais a sério no Corinthians e ficar
bem”. Mas hoje, graças a Deus estou no Flamengo, representando essa nação.
Pode ver que brinco nas entrevistas, no lado de fora, mas dentro de campo não
tem brincadeira. Eu sei da responsabilidade que tenho com essa camisa e, graças
a Deus, está dando tudo certo. Estou com foco na minha carreira e espero cada
vez mais conseguir coisas maiores.
Você
casou – com Thayna – no fim do ano passado. Isso ajuda também a focar né?
Sim, casei no dia 11 de dezembro. Ajuda, graças a Deus
aconteceu esse milagre na minha vida de casar (risos). Ajuda ter uma esposa
companheira lá em casa, sempre ajudando e sempre também cornetando, que é
sempre bom. Aqui no Flamengo não me cornetou, mas na Ponte dava umas
cornetadas. Ela é bem tranquila, e isso é importante para ficar concentrado no
que faz.
Você
trabalhou com Muricy e Tite, dois dos mais badalados técnicos do Brasil. Dá
para fazer um paralelo, mesmo tendo trabalhado pouco com o Tite?
Os dois treinadores são excelentes. Com o Tite aprendi
muita coisa no Corinthians em relação a posicionamento, porque você vê o time do
Corinthians jogando com posicionamento da linha de quatro. É a mesma coisa que
Muricy pede para a gente. Aprendi bastante coisa com ele lá, fiquei sete meses
no profissional, e agora com o Muricy graças a Deus estou jogando, tendo
oportunidades e a cada dia aprendendo mais. Quando faço alguma coisa errada,
ele vem e me cobra, mas espero que continue me dando moral aí nesse ano. Se
Deus quiser tudo vai dar certo até o fim do ano para a gente conquistar grandes
coisas.
Você é
bem descontraído, brinca com todo mundo. Já dá para dizer que conquistou todo
mundo no Flamengo?
Não é questão de conquistar, meu jeito sempre foi de
brincalhão, de fazer os outros rirem e sempre com essa humildade. A cada dia a
gente vai pegando confiança de cada um. Gosto de brincar com todo mundo, nunca
estou de cara feia, independentemente de problema. Problema deixa para fora,
aqui você tem que ter alegria. Lógico que têm momentos ruins, e o cara tem que
dar uma afastada de brincadeiras, mas enquanto o clima está bom a gente vai brincando
e sorrindo. Levamos isso para dentro de campo, não posso ver ninguém de cabeça
baixa. Ontem (domingo) deu para ver a alegria do nosso time, que está se
acertando cada vez mais.
Como
foi na sua cabeça ter uma nova oportunidade em time grande? Você disse que não
podia falhar novamente, falou das muitas câmeras na apresentação. Pensou nisso
tudo?
Não é questão de não poder falhar. Antigamente no
Corinthians e em outros times eu levava as coisas muito na brincadeira. Mas
aqui quando cheguei no Flamengo sabia da oportunidade que estava tendo e também
sei que estou aqui pela minha qualidade. Fiz um bom Brasileiro pela Ponte Preta
e, graças a Deus, estou conseguindo ajudar muito o Flamengo a conquistar
grandes coisas. Em relação a pressão e torcida, eu sabia que ia ter muito.
Lógico que todo jogador tem friozinho na barriga, mas tem que ter
personalidade. Apesar de ter 24 anos, estou jogando num grande clube como o
Flamengo. Em relação à torcida falar muito de Léo Moura, eu vim aqui para
conquistar meu espaço, Léo Moura é ídolo, eu também sou grande fã do Léo Moura,
mas eu sou Rodinei. Não quero comparação e vou continuar nesse futebol até o
fim do ano para conquistar grandes coisas.
O que
você fala para a torcida sobre seus projetos no clube? É de fazer gol?
Do começo ao fim do ano vão ver um jogador de muita raça e
vontade, agora gol só de vez em quando (risos). Meu forte não é muito fazer
gol. Pelo meu vigor físico, tenho mais facilidade de chegar ao fundo. Vou
caprichar mais nos cruzamentos para Guerrero e Sheik fazerem os gols, mas eu
fazer vai ser mais difícil. Fiz aquele gol contra a Portuguesa em um zagueiro
(o defensor Fernando, ex-Fla, foi para o gol após expulsão do goleiro Márcio),
mas graças a Deus já posso dizer que tenho meu primeiro gol pelo Flamengo.
Podia ser quem fosse, o gandula, entrou a bola na rede e está lá a marca do meu
gol, que foi para a minha esposa e Tatuí.

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