segunda-feira, setembro 28, 2020
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Guerrero voltou, mas afinal: o caô acabou no Flamengo?

Globo
Esporte – Antes mesmo do primeiro toque na bola como jogador do Flamengo, Paolo
Guerrero alavancou os números do programa sócio-torcedor e gerou frenesi na
torcida, carente de artilheiro, ídolo e jogador renomado. O atacante chegou com
a simples fórmula do futebol: gol. Logo na sua estreia, 8 de julho, em Porto
Alegre, diante do Internacional, Guerrero balançou a rede e deu passe para
Everton sacramentar a vitória por 2 a 1.
Eufórica
por natureza, a torcida fez festa instantânea. Uma semana depois, pela Copa do
Brasil, o peruano foi para sua segunda partida, seu segundo gol. O time bateu o
Náutico por 2 a 0 na Arena Pernambuco. Chegara a hora de debutar diante dos
rubro-negros no Maracanã. Mais de 50 mil pessoas no estádio. O Grêmio como
adversário. Vitória por 1 a 0. Gol dele, Guerrero. Catarse sonora, novo hit da
arquibancada: “Acabou o caô, o Guerrero chegou…”. Garantiu dezenas de
manchetes, inclusive aquela ali de cima. No próximo domingo, no oitavo
confronto com o Vasco em 2015, às 16h, no Maracanã, é mais uma chance para pôr
fim a certos caôs.
Na
onda inicial de euforia, Guerrero chegou a ter média de um gol por partida;
agora, no total, soma quatro em 11 participações, o que joga a média para 0,36
por jogo. No último domingo, depois de ficar fora por seis partidas seguidas
devido à lesão no tornozelo direito, o atacante foi titular e atuou quase os 90
minutos na derrota por 4 a 1 para o Atlético-MG. Atuação discreta, sem brilho,
natural para quem fizera sua última partida no dia 26 de agosto. Quase um mês
longe dos gramados. E apenas dois treinos com bola antes do retorno.
A
lesão de Guerrero diante do Vasco, pela Copa do Brasil, foi um caminhão pipa de
água fria na torcida do Flamengo. Diagnóstico: o peruano desfalcaria a equipe
contra Sport, Avaí, Fluminense, Cruzeiro, Chapecoense e Coritiba. Mas não teve
caô.
“Guerrero banco de Kayke”
Sem
Guerrero, de 18 pontos disputados, o Flamengo somou 15, com cinco vitórias e um
único revés diante do Coxa. Em três jogos vitórias com três gols: 3 a 0 sobre o
Avaí (Alan Patrick e dois de Kayke), 3 a 1 diante do Tricolor das Laranjeiras
(Sheik, Paulinho e Kayke) e 3 a 1 na Chapecoense (Paulinho, Canteros e Kayke).
Seus
problemas, os do Rubro-Negro no caso, acabaram. Uma “Guerrerodependência” logo
foi descartada. O torcedor mais brincalhão sugeriu que o peruano teria que
brigar pela vaga de titular com Kayke. Até que o atacante peruano voltou diante
do Atlético-MG, domingo, obviamente longe do ritmo ideal. Mas os apagões e caôs
vão muito além de Guerrero.
Os
gols sofridos em bolas aéreas (alguns deles no vídeo abaixo) se tornaram tema
recorrente nos jogos e no noticiário rubro-negro. E não se trata de exagero,
basta se debruçar sobre os números contrários: foram 15 gols sofridos em bolas
vindas pelo alto, com a zaga que acompanha a alternância de Samir, Cesar
Martins, Marcelo e Wallace. Esse último, recuperado de estiramento, tem volta
prevista para domingo diante do Vasco. Mas com o mesmo mal de Guerrero: a falta
de ritmo.
Oito ou oitenta: 13 vitórias, 12
derrotas; apenas dois empates
Os
números do time ilustram bem o gênero oito ou oitenta. Até a última rodada, a
27ª do Brasileiro, o Flamengo tem 50,6% de aproveitamento. É vencer ou perder,
raro empatar. Foram 13 vitórias, 12 derrotas. Meros dois empates. Um reflexo do
time e das emoções da torcida, nunca estáveis. Da agonia à euforia. Foi assim
desde o início do campeonato. Estreia com derrota para o São Paulo, empate com
Sport. Três derrotas em sequência para Avaí, Fluminense e Cruzeiro. Na sexta
rodada, a primeira e sofrida vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense. Outra pelo
mesmo placar diante do Coritiba na sequência. E nova derrota, dessa vez para o
Atlético-MG.
Oswaldo
de Oliveira substituiu Cristóvão Borges, o time passou a ter mais cara de um
time, desenho tático mais confiável e articulado e tranquilidade para trabalhar
depois de seis vitórias consecutivas, salto na tabela e lugar momentâneo no
G-4. O sabor de estar entre os quatro não era sentido há quatro anos.
Jogadores
que sofreram com a inconstância conseguiram sustentar momentaneamente boas
atuações, casos de Everton, Pará – um pouco menos -, lampejos de Luiz Antonio e
o fênix Paulinho, com direito a golaço. O famoso episódio da “Stellinha” (*)
virou causo do passado. As atuações passaram a ser mais convincentes, mas
sempre com algum porém: a fragilidade aérea da zaga, Márcio Araújo abaixo da
média, o desfalque de Jorge pela convocação para a Seleção de base  – jovem promissor que já é baixa muito
sentida no Flamengo. A incógnita que é cada lance de Canteros. O efeito
vaga-lume de Cirino. Alan Patrick indo de uma grande atuação a um dia apagado.
Um banco limitado. A lesão de Ederson. De Emerson Sheik. E a do Guerrero.
Até Sheik e Guerrero, Nixon, Alecsandro,
Eduardo da Silva…
Em
semana sem jogo e de longos treinos fechados, Oswaldo Oliveira montou a equipe
para enfrentar o Vasco. Será o oitavo confronto entre os rivais em 2015. Dos
sete Flamengo e Vasco, o Rubro-Negro teve duas vitórias, três derrotas e dois
empates, um deles que culminou com a eliminação na Copa do Brasil. Nesses
duelos, o ataque já foi ocupado por Nixon, Alecsandro, Marcelo Cirino,
Paulinho. Eduardo da Silva também passou por ali. Ter um ataque com Emerson e
Guerrero foi e é, sim, uma melhora substancial, outro patamar. Em duas ocasiões
Sheik e Guerrero estiveram juntos contra o Vasco, ambas pela Copa do Brasil,
sendo que no segundo jogo o peruano se machucou. Uma derrota, um empate, uma
eliminação e uma lesão.
Depois
das seis recentes vitórias no Brasileirão, a euforia assentou após as derrotas
para Coritiba (2 a 0), jogo que foi levado do Maracanã para Brasília, e o largo
4 a 1 para o Atlético-MG, em BH. Com 41 pontos, o time ocupa a 6ª colocação, a
três do Palmeiras, quarto colocado. Sonho vivo e extremamente possível por uma
vaga na Libertadores em 2016.
O
Flamengo desse próximo Flamengo e Vasco é um time mais confiável do que o dos
duelos anteriores. E também de outros momentos do Brasileirão. Mas com alguns
poréns de sempre, como a zaga. A provável escalação aponta para PV, Pará, Wallace,
Samir e Jorge; Márcio Araújo, Canteros e Alan Patrick; Paulinho, Sheik e
Guerrero. Oswaldo está com Ederson na manga, mas talvez o clássico não seja o
momento de dar a cartada de tê-lo como titular, vontade do treinador.
Provavelmente na vaga de Paulinho. Ainda restam dúvidas e necessidade de
afirmação.
O
caô ainda não acabou.   
*Durante fase complicada do Brasileiro,
uma foto com jogadores do Flamengo sorridentes e exibindo cervejas Stella
Artois ganhou os grupos de whatsapp e virou até mesmo instrumento de protesto
de parte da torcida.

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