domingo, setembro 20, 2020
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Héber admite erro grotesco contra o Flamengo diante do Corinthians.

Ederson, do Flamengo, levou carrinho duro de Fagner, do Corinthians – Foto: Divulgação

GLOBO
ESPORTE
: Londrina, 1985. Um garoto de 13 anos acompanha um jogo de futebol
amador perto de casa. O juiz não dá as caras, e ele é chamado pra botar ordem
no duelo. Vai bem e começa um caminho que décadas depois tem recorde de jogos
apitados no Campeonato Brasileiro, decisão de Copa América, agressão, polêmicas
e até tiros. Aos 44 anos, Heber Roberto Lopes iniciou na última semana a
arrancada final. Vai pendurar o apito quando chegar aos 45 anos de idade, sendo
22 deles dedicados ao futebol profissional.

Apesar
da imensa blindagem aos árbitros, Heber aceitou falar com a reportagem do
GloboEsporte.com sobre tudo, da careca concebida num réveillon há 15 anos
(“uma cagad*”, confessa) ao time do coração, o Londrina, que ele pede
à Comissão de Arbitragem para não apitar os jogos. A final da Copa América, as
reclamações de chilenos e argentinos, o pênalti perdido por Messi “quase
fora do estádio” e a mentirosa farra com mulheres (“mulherada
feia”, destacou) publicada por um jornal peruano ainda estão na memória, assim
como o equívoco assumido nesta entrevista naquele tão falado carrinho de Fágner
em Ederson no Corinthians 4 x 0 Flamengo de dias depois.

Cometi um equívoco.
Com
312 jogos de Série A de Campeonato Brasileiro – um recorde –, quatro finais de
Copa do Brasil, 103 partidas de jogos Fifa e Conmebol, entre outras marcas,
Heber revisitou a carreira em seus muitos momentos. Desde o início na Vila
Recreio, em Londrina, onde ainda adolescente era apelidado de
“Satanás” (nota: ele não gosta da alcunha que pegou quando o irmão
assim o chamou após a fuga de um castigo), teve muitas vezes a segurança
garantida por tiros de escopeta de uma senhora de 80 anos, passando por
momentos tensos no futsal paranaense, como o dia em que foi agredido por um
treinador e por torcedores em Arapongas, até o futebol profissional, com
escalas em sequência que o permitem atualmente viver apenas do esporte.
As
lembranças da mãe – Ursulina Roberto Lopes –, falecida em 2012, são muitas. Da
oposição ao trabalho de árbitro no início para o apoio total na sequência,
servindo de motorista do filho que trocou as caneleiras pelo apito. A perda do
pai – Brasil Fonseca Lopes – no mesmo ano da mãe, ainda dói. E a força vem
muito do casamento com Ana Paula Lopes, esposa que já sofreu muito assistindo
aos jogos do marido – e, por consequência as tradicionais críticas aos
árbitros. Hoje, Heber aconselha que não veja as partidas para assim ficar longe
dos calmantes.
Na
reta final de carreira, Heber já planeja o próximo passo. Estudante de
jornalismo, falta pouco para fechar o curso e se candidatar a uma vaga como
comentarista de arbitragem. Mas ele abre o leque, e virar treinador é uma das
possibilidades. “Por que não?”, questiona. Afinal, futebol é sempre
complicado. E isso ele está careca de saber.
Reclamações
do Flamengo sobre o carrinho de Fágner em Ederson na Arena Corinthians

Seria importante poder depois do jogo dar uma entrevista coletiva. Eu estava na
jogada, muito bem posicionado. No momento que acontece o choque, não há nenhum
tipo de reclamação. A não ser do treinador no pós-jogada, porque eu sinalizo
canto, o jogador fica no solo e ninguém reclama. O Alan Patrick está perto de
mim, por exemplo. Ninguém questiona nada. Obviamente, após o choque, quando
chegamos e visualizamos o jogador no chão, a gente viu que houve o choque.
Depois, obviamente, eu fui cobrado pela comissão da CBF. Nós temos um avaliador
de vídeo e chegamos à conclusão de que houve a falta e era punível com o cartão
amarelo. Eu cometi um equívoco. Essas coisas acontecem, mas não era para tanto
(A reclamação posterior do Flamengo). Tanto é que que um comentarista renomado,
no momento da jogada, teceu um comentário. Depois, num programa esportivo
nacional, pediu desculpa porque disse que, no jogo, ele tinha se equivocado.
Para você ver como é que é. E nós temos dois segundos pra decidir se marca ou
não marca. Mas realmente houve o choque e o jogador deveria ter recebido a
sanção disciplinar e técnica. Mas o cenário poderia ser um pouco diferente em
relação ao comportamento dessas pessoas.
Sobre Zé Ricardo, técnico do Flamengo, ter
sido expulso
Foi
citado em súmula também. Não foram palavras, mas gestos. Eu classifiquei como
excesso. Solicitei que parasse por duas vezes e ele não parou. Sabemos que o
árbitro tem que ter autoridade, não autoritarismo. E naquele momento eu poderia
perder o controle do jogo. Se eu permito aquela situação, eu estaria permitindo
a todos os jogadores que tivessem a mesma atitude.
Sobre Rodrigo Caetano
Foi
uma reclamação, apenas duas palavras que estão na súmula. E logo em seguida ele
saiu para o vestiário e não tivemos problemas mais. Não sei o que passa na
cabeça desse cidadão, mas creio que está inerente ao cargo de diretor de
futebol. Eu tenho que respeitá-lo desde que ele respeite o meu trabalho. Há
maneiras e maneiras de reclamar e não concordar com uma situação. Mas num
linguajar mais popular. Goela abaixo, querido, não vai ter sucesso nenhum.
Nenhum árbitro vai se sentir pressionado por alguma coisa ali no vestiário. Uma
abordagem mais educada tem um efeito muito maior do que da forma que foi feita.

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