segunda-feira, setembro 28, 2020
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Hipocrisia: Patrocínio da Caixa é ilegal e imoral.

Super
Esportes – Flamengo e Corinthians exibem orgulhosos, no peito das camisas dos
jogadores, o logo da Caixa Econômica Federal, empresa estatal. Durante décadas,
a Petrobras foi responsável pelo patrocínio master do Flamengo e a Eletrobras,
do Vasco. Incoerências com o nosso dinheiro, para financiar clubes de futebol.
Aí vem a pergunta: por que Atlético, Cruzeiro, Fluminense, Bahia e outros não
gozam do mesmo privilégio? Não sabemos, ou melhor, fingimos que não sabemos. Ao
patrocinar o clube carioca e o paulista, detentores, segundo pesquisas, das
maiores torcidas do país, a estatal está infringindo a lei. Cada um só olha
para o próprio umbigo, e a desigualdade vai deixando o futebol na lama, no
fundo do poço.

Que
uma empresa privada escolha quem quiser patrocinar é justo. Mas uma estatal é
inadmissível. Ou faz para todos ou não faz para ninguém. Já é difícil fazer
futebol sabendo que as cotas de TV são desiguais, justamente por causa do
mercado publicitário. E não venham culpar a TV, que compra o produto – muito
caro, diga-se – e precisa faturar em cima. Como Flamengo e Corinthians dão os
maiores ibopes, nada mais justo que a maioria de seus jogos seja exibida. Só
acho que deveríamos copiar a Premier League (Liga Inglesa de Futebol), que
divide em partes iguais 50% da fatia da TV para os 20 clubes da Primeira
Divisão, e o restante serve para premiar campeões etc. É o mais justo. Com
receitas iguais, os 20 clubes poderiam programar a vida financeira. Mas aqui
rubro-negros e corintianos recebem quase o dobro do que Atlético e Cruzeiro e
mais que o triplo de equipes menores.
Recentemente,
Galo e Raposa reivindicaram à Caixa o patrocínio master, igual ao de Flamengo e
Corinthians, mas foram rejeitados. A alegação foi de que a diretoria da estatal
estava mudando e somente no futuro a negociação poderia ser reaberta. Antecipei
isso com exclusividade na Bomba do Jaeci. Já se passaram, porém, quatro meses e
até agora nenhuma negociação foi reaberta. Que o Brasil é o país da mentira e
da falcatrua, sabemos há tempos, mas o desrespeito aos clubes mineiros,
campeões do Brasileiro e da Copa do Brasil, é muito grande. Talvez a Caixa
entenda, de forma equivocada, que o futebol do país começa na carioca Radial
Oeste e termina na paulistana Avenida Morumbi.

bati nessa tecla várias vezes, mas sou uma voz pregando no deserto.
Terça-feira, em boa entrevista ao programa Bola da vez, da ESPN Brasil, o
ex-presidente do Galo Alexandre Kalil (foto) mostrou sua indignação com a
questão, mas, como os clubes são desunidos, cada um trata apenas de si.
Houvesse um executivo, um gestor, para negociar em bloco, com certeza a Caixa
não teria dado o privilégio a Fla e Corinthians e o negado para Atlético e
Cruzeiro. Já passou da hora de os clubes exigirem igualdade, independentemente
do número de torcedores. Aprendi bem cedo, na Universidade Gama Filho, onde me
formei, no Rio, que não importa o tamanho da torcida de um time. Tanto faz 32
milhões ou 2 milhões, todos merecem o mesmo respeito e a igualdade. Mas não é o
que temos visto. E, cá para nós, estatal não tem de patrocinar clube de
futebol. Há investimentos bem mais importantes e prioritários neste país, em
que 30 milhões de pessoas vivem na miséria.
Sou
contra qualquer forma de livrar os clubes de pagamentos de impostos, pois o
cidadão comum jamais foi isentado. Acho que o futebol deve caminhar com as
próprias pernas, buscando investimentos privados. Deve ser tratado como negócio
– cá para nós, negócio bilionário. Salários irreais de técnicos e jogadores não
devem ser pagos por estatais ou qualquer órgão governamental. Nem pelos
recursos dos clubes, a não ser por meio de patrocínios de empresas privadas.
Espero que algum jurista entre com um processo para a extinção do patrocínio da
Caixa a Flamengo, Corinthians ou qualquer outro clube que exiba a marca do
banco. Privilegiar as duas maiores equipes em número de torcedores não é justo,
tampouco legal. Tirar do nosso dinheiro para patrocinar futebol é mesmo o fim.

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