quarta-feira, setembro 30, 2020
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Histórico comprova que Guerrero não é homem-gol.

GLOBO
ESPORTE – Da média de um gol por jogo registrada nas três primeiras partidas
pelo Flamengo à de 0,25 (quatro em 16 partidas), Guerrero deixa a dúvida na
torcida rubro-negra: é homem-gol ou não? Em 13 anos como profissional, foi às
redes 144 vezes em 426 confrontos, número baixo (média de 0,33).

Porém,
o peruano nem sempre atuou centralizado. No Bayern, o compatriota Pizarro era a
referência, e ele tinha que sair da área. Pela seleção peruana, acumula
funções, desde a meia à ponta esquerda. Em Hamburgo, sempre foi 9, algo que se
repetiu no Corinthians até 2014, ano em que Mano Menezes o estimulou a buscar
os lados do campo. Hoje pouco acionado na Gávea, segue buscando a bola (imagens
do jogo contra o próprio Corinthians ilustram isso) nos cantos e na
intermediária. Para explicar a carreira do atleta de 31 anos, o
GloboEsporte.com ouviu jornalistas que o acompanharam desde o Peru ao Alvinegro
do Parque São Jorge.
*Estatísticas retiradas do site
ogol.com.br
*Os gols pelo Bayern B não foram
considerados pela reportagem
BAYERN (2003 A 2006)
Guerrero
estreou profissionalmente com a camisa dos bávaros em 3 de dezembro de 2003, com
apenas 19 anos. O Bayern venceu o Hamburgo por 3 a 0, e o peruano entrou aos 29
do segundo tempo. Foram somente 45 jogos em três temporadas (2004 a 2006). Ralf
Itzel, jornalista alemão que participou da cobertura da última Copa do Mundo
por Globo e Sportv, explica que o flamenguista atuou muito como segundo
atacante diante da presença de Pizarro, ora pelas pontas ou mais recuado.

– Se
lembro bem, no Bayern era mais um “joker” (curinga), um jogador que
entra do banco. Jogava como segundo atacante, muitas vezes atrás do Pizarro,
também peruano e que era o mais forte dos dois. Guerrero não fez um grande
sucesso no Bayern, mas também não era ruim – opinou Itzel.
HAMBURGO (2006 A 2012)
O
camisa 9 do Flamengo trocou de casa na Alemanha em 2006, ano em que passou a
defender as cores do Hamburgo. Segundo o jornalista Kai Schiller, do diário
local Hamburguer Abendblatt, o atleta foi centroavante por lá e obteve grande
destaque no início da temporada 2009/2010, com cinco gols nos seis primeiros
jogos. Uma lesão no joelho esquerdo, porém, o atrapalhou.
– Pelo
Hamburgo jogava um pouco como Lewandowski faz agora no Bayern. Foi novo para o
Hamburgo. Tentava jogar de costas para o gol, mas também voltava um pouco mais
para tentar participar do jogo. Fez muitos gols no início da temporada
2009/2010. Era um dos principais jogadores do time, mas teve que parar por
cinco meses e nunca mais foi o mesmo. Ainda jogou bem, mas não como era –
explicou o jornalista.
Schiller
narra também que o peruano protagonizou alguns casos de indisciplina pelo
Hamburgo.
– O
escândalo mais conhecido é o de uma partida contra o Hannover (2010). Ele ficou
muito aborrecido com um torcedor e jogou uma garrafa nele (atitude que rendeu
punição do próprio clube de cinco jogos de suspensão a Guerrero). Depois (em
2012), fez uma falta grave no goleiro do Stuttgart (Sven Ulreich) e acabou
suspenso por oito rodadas.

Também
não pegou bem na Alemanha o fato de Guerrero, após a operação no joelho
esquerdo, ter retardado muito seu retorno à Europa. O medo de avião, potencializado
pela morte de seu tio José Manuel González, ex-goleiro da seleção peruana, em
acidente aéreo, motivou a “novela”. Um psicólogo do Hamburgo foi
enviado ao Peru para resolver a questão e, após relutar muito, o centroavante
retornou.
CORINTHIANS
(2012 A 2015)
Guerrero
atingiu o ápice de seu futebol no Parque São Jorge. Chegou para ser a
referência e, menos de cinco meses após a estreia (entrou no fim da vitória por
2 a 0 sobre o Cruzeiro), fez o gol mais importante da história alvinegra, que
garantiu ao Corinthians o título mundial de 2012, no triunfo por 1 a 0 sobre o
Chelsea.
No
total, foram 52 gols divididos em 128 jogos com a camisa corintiana (média de
0,4). Justo no ano em que trocou São Paulo pelo Rio viveu sua melhor média no
ex-clube: 10 em 19 (0,52). E alcançou tais números em nova função, estimulada
por Mano Menezes na temporada passada. O comandante anterior pediu que o peruano
passasse a sair mais da área, e Tite manteve a orientação. Na época da mudança,
Guerrero aprovou.

Gosto de me movimentar. Não há como as bolas sempre chegarem à frente. Então
tenho de procurar a bola e fazer minhas próprias jogadas. Temos jogadores de
muita qualidade que sabemos que podem nos deixar na cara do gol, como o Jadson,
mas às vezes os times estão bem fechados e aí é impossível receber bons passes.
Me acostumei a jogar assim e é assim que o professor Mano quer. Aqui no time do
Corinthians todo mundo tem que marcar gol. Antes eu era centroavante. Mano não
quer centroavante. Isso é algo que está mudando no futebol. Até os laterais vão
à frente para fazer gol. Então espero ter possibilidade de fazer gols, mas
também posso fazer jogadas e dar passes para meus companheiros – afirmou, em
setembro de 2014.

Setorista
do Corinthians pelo GloboEsporte.com e envolvido com a cobertura do clube mais
popular de São Paulo há sete anos, Carlos Augusto Ferrari destrinchou as fases
de Guerrero com a camisa alvinegra.
– Com
o Tite, no ano do Mundial, ele era centroavante mesmo, não tinha muita
liberdade para se movimentar. Com o Mano no ano passado, ele saía muito mais,
caía pelos lados. Quando o Tite voltou, continuou mais solto. Claro, era a
referência do time na área, mas quando o jogo ficava muito marcado, o Tite o
soltava para que ele saísse da área. Aí entravam (na área) Jadson, Renato
Augusto e Elias – explicou.
PERU (2004 A 2015)
Um dos
maiores ídolos da história do Peru, Guerrero faz jus ao apelido de “El
General” e atua como um líder em campo. Faz as funções de centroavante,
mas volta para buscar a bola, e consequentemente, torna-se um meia. Também cai
muito pelo lado esquerdo e auxilia os colegas a marcarem seus gols.
– Na
seleção, tem a camisa 9, mas não joga enfiado na área rival. Volta muito e
gosta muito de jogar aberto pela esquerda. Inclusive, de ponta esquerda, dá
muitos passes para gols, mas também faz gols como um autêntico 9. Há um gol
contra o Uruguai, na Copa América de 2011, que é o mais claro exemplo disso.
Faz uma diagonal rapidíssima. Ele não é goleador, mas tem estilo de goleador.
Não é um 9 que resolve tudo. Pode atuar melhor com Kayke. Danilo (do
Corinthians) foi o 10 que o melhor entendeu – explica Omar Paredes, jornalista
do diário peruano “Depor”.
Guerrero
é um herói local e na última Copa América (2015) repetiu o que já havia
conquistado na edição (2011) e terminou como artilheiro, com quatro gols, um a
menos do que havia anotado quatro anos antes.
No
último dia 13, na derrota por 4 a 3 para o Chile, fez seu 26º gol pela seleção
igualou o principal jogador nascido no país andino, Teófillo Cubillas.
Guerrero
tem pelo Peru 26 gols em 64 jogos (média de 0,4).

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