segunda-feira, setembro 28, 2020
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Holandesa levou rivalidade entre Flamengo e Vasco para piscina.

Foto: Divulgação

UOL: Entre
as décadas de 1990 e 2000, a natação mundial acompanhou sempre com atenção os
resultados da holandesa Inge de Bruijn. Pudera: desde que estreou em
competições internacionais em 1991, Inge acostumou-se a brilhar em pódios e a
quebrar recordes. Já em seu primeiro Mundial, disputado em Perth (Austrália) em
janeiro daquele mesmo ano, integrou a equipe da Holanda que faturou o bronze no
revezamento 4x100m livre – aos 17 anos.

Antes
de emplacar no topo, porém, a holandesa teve resultados discretos. Em 1992, na
Olimpíada de Barcelona, foi oitava nas finais dos 100m livre e do revezamento
4x100m livre. Em 1993, foi bronze na final dos 50m livre do Campeonato Europeu,
em Sheffield (Inglaterra). Em 1996, nem sequer disputou os Jogos Olímpicos em
Atlanta (EUA).
Ainda
assim, Inge era uma potencial estrela quando chegou ao Brasil para disputar o
Troféu Brasil de Natação (atual Troféu Maria Lenk) em agosto de 1998. Aos 24
anos, a convite de Fernando Scherer, defenderia o Flamengo nas piscinas do
Conjunto Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, em São Paulo.
O
resultado? Não poderia ser melhor.

“A nadadora holandesa Inge de Bruijn,
do Flamengo, bateu o recorde do campeonato nos 100m livre e venceu a prova com
55s62, deixando a nadadora do Pinheiros Juliana Machado em segundo lugar. A
marca de Inge é melhor do que os recordes brasileiro e sul-americano, mas não
pode ser oficializado porque é uma atleta de outro continente. A holandesa foi
um dos grandes destaques do Troféu Brasil daquele ano: bateu recordes em todas
as provas que disputou”, descreve matéria do UOL Esporte na época.

“Os
dois clubes melhor classificados no Troféu Brasil devem muito aos nadadores
holandeses Inge de Bruijn – do Flamengo – e Macel Wouda – do Pinheiros. Ambos
os nadadores bateram recordes em todas as provas de que participaram e somaram
pontos significativos para os clubes. Além de quebrar o recorde do campeonato
em sua vitória nos 100m livre, Inge fez parte do revezamento 4x100m recordista
do campeonato”, completa o texto.
Os
resultados no Brasil vieram ao mesmo tempo em que a carreira de Inge alcançava
um novo patamar. No fim de 1998, conquistou duas medalhas de ouro (50m livre e
50m borboleta) e duas de bronze (100m borboleta e revezamento 4x50m medley) no
Campeonato Europeu de piscina curta, em Sheffield (Inglaterra). No ano
seguinte, conquistou três medalhas no Campeonato Mundial disputado em Hong
Kong: ouro nos 50m livre, prata no revezamento 4x100m livre e bronze nos 50m
borboleta.
Ainda
assim, Inge seguiu competindo pelo Flamengo no Brasil. Entre 1998 e 1999,
disputou também duas edições do Troféu José Finkel (disputado no inverno e, a
priori, como um campeonato de piscina curta). Conquistou diversas medalhas de
ouro e quebrou vários recordes, mas também despertou o interesse de outros
clubes no Brasil – entre eles, o Vasco da Gama.
Inge de Bruijn: agora no Vasco
Na
época, o clube cruzmaltino atraiu importantes investimentos do Bank of America
(parceiro desde 1998), cujo reflexo nos gramados atingiu o ápice nas conquistas
da Copa Libertadores da América em 1998 e da João Havelange em 2000. Em janeiro
de 2000, a revista IstoÉ festejava o acerto.
“O
apelo do marketing do futebol está atraindo até os bancos, um setor mais do que
expert em farejar negócios rentáveis. O Bank of America investiu cerca de US$
150 milhões numa parceria com o Vasco do Gama, que inclui licenciamentos,
publicidade e direitos de transmissão. O time carioca, por sua vez, tem direito
à metade dos valores dos contratos negociados pelo banco. Para tocar esses
negócios, o Bank of America criou o Vasco da Gama Licenciamentos (VGL), cujos
projetos são coordenados pela empresa de marketing esportivo All-E”, descrevia
a publicação.
O
dinheiro do Bank of America ajudou também a contratar Inge de Bruijn para a
disputa do Troféu José Finkel de 2000, disputado em piscina longa. Naquele ano,
a holandesa vinha conquistando resultados que ajudariam a colocá-la no topo do
mundo. Entre maio e junho, foram cinco recordes mundiais quebrados: 50m
borboleta (25s83, em Monte Carlo), 50m borboleta (25s64, em Sheffield), 100m
borboleta (56s69, em Sheffield), 100m livre (53s80, em Sheffield) e 50m livre
(24s48, em Drachten).
Logo
após o recorde quebrado em Drachten no dia 4 de junho de 2000, Inge viajou ao
Rio de Janeiro para se apresentar ao Vasco, onde competiria três dias depois no
Troféu José Finkel. Nos primeiros treinos em São Januário, a holandesa até se
espantou com a festa da torcida.

“Ver as pessoas felizes e me recebendo com
tanta simpatia às vezes assusta um pouco”, disse, na ocasião, segundo o
site NetVasco.

No dia
10 de junho, Inge fez a festa da torcida vascaína que acompanhou a competição.
Na final dos 50m livre, venceu com a marca de 24s39, nada menos de 0s9 abaixo
do recorde mundial que ela mesma quebrara menos de uma semana antes na Holanda.
Irritados, torcedores flamenguistas protestaram contra a atleta, abanando notas
de R$ 1.

Era o
sexto recorde mundial quebrado pela holandesa em 21 dias – neste intervalo,
ainda igualou a melhor marca do mundo nos 50m livre durante as competições em
Sheffield, marcando 24s51. Para efeito de comparação, o segundo lugar da prova
no José Finkel de 2000 ficou com Flávia Delaroli, que completou a prova em
26s27.
“Sempre
nado bem aqui no Brasil. Esperava boas marcas, mas não um recorde mundial.
Quando olhei o cronômetro, comecei a gritar. Fazer o sétimo recorde em tão
pouco tempo é incrível”, declarou a holandesa, empolgada.

“Foi lindo
ter visto toda a torcida me aplaudindo. Foi como um sonho. Foi uma honra nadar
pelo Vasco. Se o clube me convidar de novo, volto, com certeza”,
completou.

A
vitória nos 50m livre foi apenas uma das seis que Inge de Bruijn conquistou
naquele Troféu José Finkel – a holandesa ainda foi a primeira colocada nos 50m
borboleta (25s71), nos 100m borboleta (57s65) e nos revezamentos 4x50m livre
(1min44s24), 4x100m livre (3min46s69) e 4x100m Medley (4min12s61). O Vasco
acabou campeão da competição, à frente do Flamengo.
Das piscinas do Rio para os pódios
olímpicos
Depois
daquele Troféu José Finkel, Inge de Bruijn não voltou a competir pelos
arquirrivais cariocas. Em compensação, dominou as piscinas do mundo. Nos Jogos
Olímpicos de 2000, em Sydney (Austrália), foram três medalhas de ouro (50m
livre, 100m livre e 100m borboleta) e uma de prata (revezamento 4x100m livre).
No Mundial de 2001, em Fukuoka (Japão), foram mais três medalhas de ouro (50m
livre, 100m livre e 100m borboleta).
Dois
anos depois, no Mundial de Barcelona (Espanha), mais dois ouros (50m livre e
50m borboleta). Em 2004, na Olimpíada de Atenas (Grécia), conquistou um ouro
(50m livre), uma prata (100m livre) e dois bronzes (100m borboleta e
revezamento 4x100m livre). Eleita pela revista Swimming World a melhor nadadora
do mundo em 2000 e 2001, aposentou-se em março de 2007.
O
estrago de Inge nas piscinas brasileiras, porém, foi grande. Suas marcas
conquistadas pelo Flamengo em 1998 nos 100m (55s62) e nos 100m borboleta
(58s77) só foram derrubadas em 2010, respectivamente por Jessica Hardy (53s06)
e Gabriella Silva (57s97).
Nos
bastidores, o acordo entre Vasco e Bank of America durou pouco. Eleito
presidente do clube, Eurico Miranda reclamava do atraso no pagamento do
parceiro ao clube e da interferência de executivos da instituição financeira na
administração vascaína. O rompimento aconteceu em fevereiro de 2001, em meio a
uma grave crise financeira que seria resultado da dívida do Bank of America com
o clube.
A
final olímpica dos 50m livre nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro,
acontece neste sábado (13), às 22h03 (horário de Brasília), no Estádio Aquático
da Barra da Tijuca.

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