segunda-feira, setembro 28, 2020
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Hora de ser Flamengo.

Fotos: Staff Images / Flamengo

REPÚBLICA PAZ E AMOR: É cômodo falar depois que as coisas acontecem, mas creio que nossa
diretoria errou ao ir na aba do Palmeiras e adiar o jogo contra o Fluminense de
quarta pra quinta.

Os
palmeirenses tinham bons motivos. O time sem Gabriel Jesus não é melhor que
nenhum outro e sabia-se que o Cruzeiro seria osso. Além disso, não dava para
considerar obstáculo concreto a partida contra o Figueirense. O Brasileiro não
tem jogos fáceis, mas há aqueles que quem quer ser campeão não pode deixar de
vencer.
A
situação do Flamengo era bem diferente. Com algum sacrifício, e por se tratar
de um goleiro, talvez fosse possível a Alex Muralha chegar em cima da hora e
encarar o Fluminense. Se não chegasse, paciência, iríamos de Paulo Victor. Ou
acreditamos no que temos, ou paramos com esse papo de querer disputar título.
Mais: o time do Internacional é muito superior à colocação que ocupa na tabela.
Danilo Fernandes é bom goleiro, Alex não é mais o meia que já foi um dia mas
sabe jogar, Vitinho e Valdívia são ótimos – queria muito qualquer um dos dois
para a Libertadores do ano que vem.
Preocupamo-nos
demais com uma suposta vantagem – qual, não sei – que o Palmeiras levaria, e
esquecemos o Inter. Optar pelo adiamento nos fez perder o que seria um
importante dia de descanso, para um time que está compreensivelmente exausto e
teve que passar pela pedreira de um embaçado clássico regional. (Por favor,
parem com essa bobagem de achar que quem ganha muito e recebe em dia não tem o
direito de ficar cansado.) Resumo da desafinada ópera interpretada por quem
comanda o futebol do Flamengo: para garantir a presença do nosso bom goleiro,
sacrificamos a recuperação do time inteiro.
Mas
vamos em frente. Porque o que ocorre é que, mesmo contra tudo e contra todos,
contra o fato de ainda não ter atuado uma vez sequer como mandante no Rio de
Janeiro, contra viagens e cansaços que não afetaram, na mesma medida, nenhum
outro dos competidores, contra a opinião de uma gente esquisita que, em função
de discutíveis tecnicalidades, acha correto validar um gol assinalado com
quatro jogadores em impedimento, inclusive e sobretudo o próprio autor, contra
a necessidade de escalar – para não desmontar a estratégia de jogo que, somos
forçados a reconhecer, vem funcionando – o irritante Gabriel, o abúlico Cirino
ou o intelectualmente limitado Fernandinho, contra a insistente opção pelo
omisso e taticamente covarde Márcio Araújo, contra o estranho descarte do nosso
único jogador (Mancuello) que chuta, e bem, de fora da área, contra tudo isso e
mais um pouco, o Flamengo permanece na briga.
Não
acreditava que o Palmeiras fosse perder pontos para o Figueirense, e nem assim
eu deixava de achar o empate com o Inter um resultado aceitável. O gol de Sacha
– um gol bobo, de linha de passe, com a bola viajando pelo alto pra lá e pra cá
até se oferecer ao atacante adversário imperdoavelmente desmarcado – tirou a
nossa estabilidade no jogo e nos induziu ao erro de acreditar que, com o
Palmeiras vencendo em Floripa, éramos obrigados a também vencer em Porto
Alegre. Não éramos. O empate, insisto, não teria sido o fim do mundo. Até
porque, nem mesmo a derrota nos dá motivos para deitar o rei no tabuleiro.
Em
primeiro lugar, porque ainda há 21 pontos por disputar, nada se decidiu, e no
lado do principal oponente estão a alma chorona, o espírito ansioso e o
temperamento inconstante do treinador Cuca, capaz de montar bons times ao mesmo
tempo em que descamba para bobagens táticas primárias – como, por exemplo, as
que cometeu nos empates com Flamengo e Cruzeiro.
Além
disso, continuo preso à crença de que, se mantivermos a toada e não pusermos
tudo por água abaixo nessa reta final, 2016 terá que ser considerado, fiquemos
ou não com o título, um ano heroico e produtivo.
Mostrar
rubro-negrismo nas vitórias é mole. Pois agora é a hora da nossa torcida
compreender friamente o quão difícil é o Campeonato Brasileiro e, aproveitando
que o Maraca vem aí, transformar a força do cântico em realidade, provar que
vai começar a festa, ajudar o time a manter equilíbrio e eficiência, dar toda a
força e todo o apoio.
Abandonar
é para os fracos, para os pequenos, para os pouco habituados a vencer, vencer,
vencer.
JORGE MURTINHO

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