quinta-feira, outubro 1, 2020
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Inspirado no Real Madri, Fla busca receita de meio bilhão.

Globo
Esporte – O
Flamengo está longe de ter um balanço com números semelhantes ao do Real
Madrid, mas o modelo do documento é adaptado do clube espanhol. Isso porque a
empresa que faz a auditoria dos demonstrativos financeiros da atual gestão
rubro-negra – e que constatou a dívida de R$ 750 milhões – é a mesma da equipe
europeia. Se a fase não é boa o suficiente para trazer um Cristiano Ronaldo,
não é mais tão ruim que o clube não possa projetar uma contratação de impacto
ainda neste ano. De acordo com Rodrigo Tostes, vice-presidente de finanças, já
foram pagos R$ 225 milhões em dívidas e, com o aumento de receitas (para 2015
estão previstos R$ 365 milhões brutos), há uma “reserva” para
investir no futebol.


Vamos colocar sempre. Acho que ninguém faz isso. A gente tem uma consultoria da
Ernst & Young, que copia basicamente um modelo de gestão lá de fora. Eles
fazem o do Real Madrid. Nós estamos no mesmo formato de apresentação de balanço
do Real Madrid. Eles dão consultoria para o Real Madrid e nos deram essa
sugestão – explicou.
A
meta, segundo Tostes, não é dívida zero. O clube busca, até 2018, ter uma
dívida estabilizada em torno de R$ 200 milhões e alavancar as receitas para
atingir R$ 500 milhões por ano nas próximas temporadas. Um dos fatores que pode
ajudar é um aumento substancial no contrato de transmissão de jogos, que deve
crescer cerca de R$ 100 milhões em 2016. Desta forma, diz o vice de finanças
que será perfeitamente possível administrar o Fla com um “lucro
absurdo”.
Confira
outros trechos da entrevista de Rodrigo Tostes ao GloboEsporte.com:
GloboEsporte.com: Qual a grande vitória do
Flamengo nesse balanço?
Rodrigo
Tostes: É demonstrar que está fazendo as coisas direito. Mostrar que estamos
seguindo o que planejamos. Há dois anos e meio, quando assumimos o Flamengo, a
ideia era colocar a casa em ordem nos primeiros dois anos. E nesses dois anos
estamos mostrando que é possível. Agora, os próximos dois anos terão uma outra
estratégia.

A partir do momento que a casa está em ordem, o que a torcida pode esperar em
termos de time?
A
gente não vai sair de um time que tinha R$ 750 milhões de dívida para virar o
Barcelona, mas a perspectiva é, sim, nesse ano de 2015 e no próximo ter uma
consolidação, para ter um crescimento maior em 2017 e 2018. Assim que foi
pensado em termos de projeto. A cada ano a torcida pode esperar um time melhor,
sim. Mas o passo mais difícil é esse agora. A torcida comprou a ideia de a
gente efetivamente arrumar a casa, esse time de 2015 já é melhor, na minha
opinião, do que 2013 e 2014 e a crescente vai acontecer. A torcida pode
esperar, sim, um time muito melhor do que os anteriores.
No orçamento para o ano passado, o
Flamengo projetou metas altas de bilheteria e sócio torcedor. Teve de ser feito
um ajuste. Neste ano, a receita foi projetada já bem acima do ano passado, R$
365 milhões, com mais ou menos a mesma estimativa de sócio-torcedor e
bilheteria, sendo que o ano já começou com o estadual dessa maneira. Isso
assusta? Tem impacto direto nesse investimento que você citou?
Na
verdade, o campeonato estadual, os primeiros quatro meses do ano são um peso
muito grande, ou seja, a gente não consegue motivar um aumento do
sócio-torcedor, não consegue alavancar bilheteria, pelo contrário, porque os
jogos são de baixíssimo interesse, de baixíssima qualidade, não tem um atrativo
para levar o torcedor ao estádio. Fora isso tem o custo do Maracanã, que talvez
seja o mais alto do Brasil entre esses estádios herdados da Copa, então esses
primeiros quatro meses pesam muito. Esse aumento do sócio-torcedor é balizado
em uma série de novas iniciativas que estão sendo testadas. Acredito que vamos
conseguir cumprir o orçamento, ele é revisado a cada três meses. Como qualquer
empresa, você projeta, mas vai fazendo revisões trimestrais e, caso haja um
descompasso muito grande, a gente leva de novo para aprovação no conselho. O
problema, hoje, são os primeiros quatro meses, em déficit, ou seja, você tem um
terço do ano trabalhando em déficit. É muito pesado para um clube que quer dar
o passo que a gente quer dar. Por isso a gente prega uma mudança nessa
estrutura do Estadual.
O Flamengo projetou cerca de R$ 4 milhões
de receita no estadual. Isso foi atingido?
Ainda
não fechamos, mas acredito que seja bem menos do que isso. Se bobear, não vamos
conseguir sequer a metade. No último jogo contra o Botafogo no Maracanã, com R$
2 milhões de renda, ficamos com R$ 350 mil. Ou seja, tem um custo alto com
elenco, leva o espectador, e fica com 15% da receita bruta do espetáculo. Não
faz nenhum sentido. Hoje em dia, não faz nenhum sentido jogar o estadual.
Deixar os jogadores treinando, talvez, financeiramente, valha mais a pena.
De 2013 para 2014, o Flamengo perdeu R$ 8
milhões em bilheteria. Por quê?
Porque
há um impacto da final da Copa do Brasil muito grande, e tem premiação também
dentro desse valor de bilheteria. Essa foi a grande diferença, mostra quanto é
importante um time estar disputando título. Em 2013, o Flamengo também jogou
muito fora de casa. Em 2014, a gente tinha planejado jogar oito partidas fora,
mas como o time estava na zona de rebaixamento, preferimos jogar em casa. E as
finais da Copa do Brasil que conseguimos colocar R$ 2 milhões.
Qual é a dívida atual do Flamengo?
R$ 525
milhões, já reduziu R$ 225 milhões.
Mas ao passo que há essa redução da
dívida, são feitos empréstimos e adiantamentos de receita, mesmo além do atual
mandato da diretoria. Como isso é balanceado?
Isso
vem de uma lógica muito simples. Primeiro, voltar a ter credibilidade. Só tem
crédito no mercado quem paga suas contas em dia. Então o primeiro passo foi
renegociar todas as dívidas com os credores que a gente assumiu. Pegar tudo o
que o Flamengo devia, colocar em um plano de longo prazo e encaixar aquilo
dentro de um fluxo de caixa. Mas esse fluxo de caixa logicamente é projetado,
precisa de novas receitas para pagar essas dívidas. No momento em que você
começa a gerar essas receitas para ir pagando essas dívidas, começa a ver que
está pagando valores que não deveria estar mais pagando, já que gerei novas
receitas para pagar. Pego uma dívida que tem uma taxa de X% por uma dívida
menor para aquele mesmo montante, mas só consigo ter essa sobra se tenho menos
despesa ou mantenho a despesa equilibrada. O Flamengo só conseguiu pegar
dinheiro na frente porque sobrou caixa na frente.
Essa não era uma prática bastante
criticada em gestões anteriores de adiantar verbas fora do prazo do mandato?
Não, é
completamente diferente. Adiantar receita para aumentar a despesa é uma coisa,
para quitar dívidas com um custo mais barato é totalmente diferente. O que foi
feito em administrações anteriores era adiantar receita para comprar um atleta,
para fazer a compra do Romário, para aumentar a despesa. O que a gente fez foi
pegar receitas para matar dívidas, ou seja, menos juros. Faz todo sentido você
pegar um financiamento em um banco X para cobrir uma dívida no banco Y se o
banco X te dá uma taxa melhor. É diferente de pegar e não cobrir a dívida. É
igual ao camarada que tem uma dívida no cartão de crédito. Aí o cara renegocia,
e em vez de pagar a dívida vai comprar um produto parcelado. Isso que era
feito, se pegava empréstimo não para pagar dívida, mas para se endividar mais.
O que a gente ofereceu como garantia foi justamente não se endividar mais, os
números estão aí. O cara que te empresa quer saber se vai conseguir pagar. É a
pergunta que todo mundo faz. Vai usar esse dinheiro para quê? Para pagar a
minha dívida. No momento que pago a minha dívida, sobra mais dinheiro para te
pagar. O cara empresta. Agora, se pega e fala o seguinte: vou comprar o Vágner
Love, o Ronaldinho Gaúcho, mas vou vender 50 milhões de camisas e te dou esse
negócio. Isso que era feito. Pegava dinheiro para investir numa despesa com
potencial de receita que você não sabia qual era. Isso que gerou os R$ 750
milhões. Aí para de pagar imposto, essas coisas todas, vai gerando essa bola de
neve. Ainda vejo isso no futebol, mas acho que o Flamengo não tem mais espaço
para isso e não vamos deixar isso acontecer. Essa troca de uma dívida por
outra, todo mundo faz isso em todos os lugares do mundo, só quem não quer
entender o que isso representa fica jogando com essas palavras.
É possível prever dívida zero?
A
gente não busca isso, não busco dívida zero. Porque a dívida zero traria a
necessidade de pagar todas as dívidas, teríamos de adiar muito esse objetivo de
fortalecer o time, investir na base. O Flamengo hoje com uma receita de R$ 400
milhões por ano e uma dívida entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões alongada no
tempo é absolutamente administrável com um lucro absurdo. Teria uma
estabilidade muito grande. Não preciso necessariamente acabar com todas as
dívidas, porque em um horizonte com R$ 400 milhões, R$ 500 milhões de receita,
que a gente almeja daqui a algum tempo, não precisa de dívida zero, pode ser
administrado com uma dívida controlada. O que você precisa? Previsibilidade. É
a regra do jogo. Uma dívida que você saiba o que ela é e que esteja negociada,
não que venha de uma hora para outra R$ 150 milhões de uma penhora. Isso aí
acaba, isso sempre matou o Flamengo.
Em quanto tempo dá para atingir esse
cenário ideal?
Acho
que em seis anos. O nosso objetivo é chegar a uma receita de meio bilhão em
2017, 2018, e estar com uma dívida estabilizada na casa de R$ 200 milhões, o
que é totalmente administrável ter uma receita de duas vezes e meia a sua
dívida.
O clube projeta um lucro de R$ 105 milhões
para 2015. Qual a principal diferença em relação a 2014, onde o lucro foi de R$
64 milhões?
A
principal diferença é um potencial de sócio-torcedor que a gente vê para o
segundo semestre. A gente entende que isso possa fazer diferença. E também
projeta alguma venda de atleta a mais do que foi no ano anterior. A gente tem
algumas negociações em andamento, mas hoje não existe nada efetivado. Nossa
esperança de aumento sempre é o sócio-torcedor e voltar a chegar numa final
como aconteceu nos anos passado e retrasado, e o time também permitir que a
gente jogue um pouco fora. Hoje em dia, jogar fora do Rio é essencial para o
Flamengo. A diferença é muito grande.
Os jogos com o mando do Flamengo…
Isso
acaba ficando sempre muito pesado, porque descobriram nossa fórmula e estão
levando os jogos do Flamengo para fora e se apropriando da nossa… Por
exemplo: o Santos leva o jogo contra o Flamengo para o Nordeste, aí se apropria
da nossa torcida para vender o jogo para lá.
E o mandante fica com 100% da renda. É o
melhor modelo para o Flamengo?
Não
sei se esse é o melhor modelo. A gente é a maior torcida em todos os lugares.
Com exceção de São Paulo e alguns outros lugares, a gente tem a maior torcida.
Não sei se esse modelo é o ideal para a gente. Mas é um combinado que não sai
caro.
O Flamengo ainda não recebeu o dinheiro da
venda do Hernane. Por que o valor consta no balanço?
Lógico
que o Flamengo tem um crédito, e isso está registrado no balanço. São as regras
contábeis. A questão da negociação está sendo capitaneada pelo futebol em
conjunto com o departamento jurídico, que questiona o financeiro sobre as
condições. E o nosso ponto é muito claro: qualquer negociação que venha a ser
feita necessita de garantia bancária para a segunda parcela. O Flamengo não vai
aceitar tirar a ação na Fifa contra o clube (Al Nassr), e vamos ganhar. Por
isso o clube veio tentar negociar, mas qualquer negociação pressupõe uma
garantia bancária de um banco internacional para as próximas parcelas. Isso
ainda não está acordado, e o Flamengo não vai aceitar nenhuma negociação que
não tenha essa condicionante.
Como o senhor avalia o desempenho do programa
de sócio-torcedor?
O
Flamengo precisa reinventar o programa sócio-torcedor e está trabalhando nisso.
Criando um pacote novo de benefícios, estimulando os jogos fora. Agora, grande
salto do sócio-torcedor, algo onde o Flamengo possa potencializar 100 mil, 150
mil, é quando tiver o estádio. Porque aí você ter um programa de venda de
cadeira perpétua, carnê, colocar nome na cadeira, trabalhar aquele complexo. O
cara tem desconto em todas as lojas dali… Você consegue ativar o
sócio-torcedor: essa é a sua casa. E o cara paga por esse conforto. Uns pagam
mais, ou menos, mas pagam. Mas, mesmo sem isso, acho que o Flamengo já deveria
ter 80 mil sócios-torcedores hoje,
um número justo. E temos 54 mil. Precisa trabalhar uma política melhor de
benefício para o sócio-torcedor hoje: desconto em posto de gasolina, em lojas,
em outros estabelecimentos. É uma estratégia em que estamos trabalhando.

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