sexta-feira, setembro 18, 2020
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Jogar futebol não é profissão.

Estádio
Vip – O Dia do Trabalhador deste ano precede o fim de semana de encerramento da
maioria dos campeonatos estaduais pelo Brasil. Em dois dias, boa parte dos 584
dos 684 clubes registrados na CBF que não disputam nenhuma das divisões do
Brasileirão entrará em um longo período de ostracismo, desempregando 82% dos
cerca de 20.000 atletas profissionais do país. Como PLACAR revelou em março,
essa fatia expressiva da mão de obra da bola enfrenta condições precárias de
trabalho, calote dos patrões, falta de alimentação e alojamento adequados. Uma
clara expressão da escravidão contemporânea que se instalou no futebol.
O Dia
do Trabalhador deste ano precede o fim de semana de encerramento da maioria dos
campeonatos estaduais pelo Brasil. Em dois dias, boa parte dos 584 dos 684
clubes registrados na CBF que não disputam nenhuma das divisões do Brasileirão
entrará em um longo período de ostracismo, desempregando 82% dos cerca de
20.000 atletas profissionais do país. Como PLACAR revelou em março, essa fatia
expressiva da mão de obra da bola enfrenta condições precárias de trabalho,
calote dos patrões, falta de alimentação e alojamento adequados. Uma clara
expressão da escravidão contemporânea que se instalou no futebol.
Antes
postos de emprego desejados pelos craques, clubes tradicionais tornaram-se alvo
da cobrança de dívidas trabalhistas e beiram a falência. A Portuguesa se
desdobra para quitar débitos com mais de 130 funcionários e evitar que o
estádio do Canindé vá a leilão. Recentemente, parte do terreno foi penhorada
pelo Tribunal Regional do Trabalho, que cobra 47 milhões de reais do clube
referentes a processos de oito atletas. Situação semelhante à do Guarani, de
Campinas, que viu o Brinco de Ouro ser arrematado no fim de março por uma
empresa de empreendimentos imobiliários depois de ação da Justiça e do
Ministério Público do Trabalho.
No
Congresso Nacional, tramita a Medida Provisória 671, que prevê contrapartidas
como responsabilidade fiscal e quitação de salários para que clubes refinanciem
suas dívidas com o governo. No entanto, a MP só deve ser votada pela Câmara dos
Deputados em junho. Dirigentes e CBF pressionam para que a medida seja aprovada
sem compensações. Enquanto trabalhadores se mobilizam neste 1º de maio contra a
lei da terceirização que também corre no Congresso, os jogadores de futebol
seguem reféns de clubes mal administrados e estruturados, de uma rotina de
atrasos de pagamento e fraudes trabalhistas de toda sorte. PLACAR ouviu quatro
representantes do “futebol de verdade”, que dão o tom de desilusão entre a
classe dos jogadores no Dia do Trabalhador.
Eu
comecei no Taboão da Serra e joguei a série B do Brasileiro pelo Grêmio
Barueri. Nunca tive carteira assinada. Na verdade, a primeira vez que assinei
um contrato foi aqui, no Barcelona da Capela. Quando fui para a Bahia, joguei
como amador pelo Serrano, de Vitória da Conquista. Cheguei a viajar 15 horas de
ônibus para disputar uma partida no mesmo dia. Refeição, só arroz e feijão. Em
dois anos, entre Serrano e Barueri, não recebi nada de salário. O que ganhava
era o bicho [premiação por vitórias], de vez em quando. Não vou entrar na
Justiça para receber. Quem faz isso acaba ficando ‘queimado’ no meio. Por
sorte, minha família me ajuda. Já dei chuteiras para alguns companheiros e vi
muita gente boa parar por não ter dinheiro pra botar comida em casa.”

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