segunda-feira, setembro 28, 2020
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Jogo empolgante, com direito a duas viradas.

Cosme
Rimoli – Há duas visões da empolgante goleada do Palmeiras, com direito à dupla
virada.
A
primeira. A reação de um time que precisava de meio de campo. A excelente
entrada de Cleiton Xavier e as investidas de Zé Roberto pela intermediária
carioca mudaram o destino do jogo. E deram uma vitória sensacional aos
paulistas. Digna de despertar a confiança para um time caro, que vinha de três
derrotas consecutivas. E que tem a obrigação de conseguir, pelo menos uma vaga
à Libertadores.
A
outra análise cabível e que não anula a primeira. O Flamengo foi tremendamente
prejudicado no jogo de hoje em São Paulo. Primeiro pelo árbitro Igor Júnior
Benevutto. Ele teve a coragem de não marcar um pênalti claro de Andrei Girotto
em Pará. Logo aos três minutos de partida, quando estava 0 a 0. Indecente.
“Eu
espero que o Flamengo faça alguma coisa contra a CBF, contra a comissão de
arbitragem, não sei. Mas tem que fazer alguma coisa. É uma situação que não
pode acontecer”, desabafava Guerrero, diante do pênalti não marcado em
Pará.
O
outro inimigo flamenguista é o seu setor defensivo. Faltam volantes e
principalmente zagueiros. Qualquer bola trabalhada pelo adversário causa
pânico. E as levantadas são quase certeza de gols. Não é por acaso que tomou
cinco gols nas últimas cinco partidas. Assim, Guerrero e Sheik não têm como
fazer milagres. O time de maior torcida do país terá de se contentar em ficar
no meio da tabela, de novo, em 2015. Isso se sua fraquíssima defesa não piorar
ainda mais as coisas. Tomou 28 gols em 19 jogos. Só a zaga do Vasco, lanterna,
consegue ser pior, com seus 31 gols.
“Foi
um dos jogos mais fáceis que fizemos fora de casa. Dominamos o jogo. Mas
acabamos tomando uma virada. E gols em seguida. Éramos para ter vencido essa
partida”, analisava Márcio Araújo. “A gente fala, fala e não
adianta”, desabafava, irritado Pará.
“Precisávamos
vencer. Era a hora de mudar o rumo das coisas. Conseguimos ganhar de um grande
adversário. Com o apoio da torcida. Mostramos que merecemos a confiança do
nosso torcedor. Eu estou muito feliz pelo que fiz em campo”, dizia,
empolgado, Alecsandro. Ele trocou a Gávea pelo Palestra Itália. E foi decisivo
nos dois últimos gols palmeirenses que sacramentaram a vitória contra seu
ex-clube.
Marcelo
Oliveira precisava mudar o Palmeira. Nas três derrotas seguidas contra Atlético
Paranaense, Cruzeiro e Coritiba, ficou claro. A ausência de Gabriel fez uma
diferença absurda. Típica de time em formação. Seu principal marcador, e esteio
da equipe, sofreu grave contusão. Em uma falha do planejamento do comprador
Alexandre Mattos, não há peça de reposição. Não com o mesmo potencial.
Além
disso, o treinador e o executivo de futebol palmeirenses sabem. Valdivia
termina seu relacionamento tempestuoso de cinco longos anos amanhã. Mattos, o
responsável pela saída, não conseguiu contratar um meia talentoso à altura. E
Cleiton Xavier parecia dominado pela doença do sono, depois de cinco anos no
ucraniano Metalist.
A
missão de Marcelo Oliveira em 2015 é classificar o Palmeiras à Libertadores de
2016, quando novos e poderosos reforços são prometidos. Para enlouquecer ainda
mais a torcida que não para de lotar na nova arena, como hoje. Conca segue
sendo o alvo principal.
O
Flamengo de Cristóvão Borges seguia fazendo sua campanha no limite de seu
elenco. Bom do meio para a frente. E péssimo do meio para trás. Sheik e Emerson
tentam compensar do enorme desequilibro no time. A equipe foi formada com o
objetivo principal e, não assumido, de não ser rebaixado. Lutar como puder na
Copa do Brasil. E manter Bandeira de Mello favorito à reeleição. E seguir
saneando a ultrajante dívida flamenguista.
O
encontro de clubes com metas tão diferentes foi empolgante. O fraco poder
defensivo dos dois times proporcionaram os seis gols. Para quem estava apenas
querendo se divertir, torcer, sem compromisso em um domingo de manhã, excelente
programa. Mas tanto Cristóvão quanto Marcelo de Oliveira tiveram seus níveis de
stress levados a um perigoso estágio. Sem conseguir marcar o adversário,
flamenguistas e palmeirenses mostraram gravíssimos defeitos. A ponto de sabotar
qualquer boa estratégia.
Aos
três minutos, um erro imperdoável do árbitro mineiro Igor Junior Benevenuto.
Andrei Girotto entrou de maneira estabanada em Pará. O derrubou de maneira
clara, incontestável. Mas cadê a firmeza do juiz para marcar? O Flamengo foi
muito prejudicado.
Para
tornar ainda mais revoltante a situação, dois minutos depois, a sua patética
zaga toma o primeiro gol. Zé Roberto cobrou escanteio e Jackson fez até pose
antes de cabecear para a rede. 1 a 0, Palmeiras…
Mesmo
com a vantagem no placar, o Palmeiras era envolvido pelos cariocas. Cristóvão
detectou a falha na escalação de Marcelo Oliveira. Arouca, Andrei Girotto e
Robinho eram três volantes sem poder de marcação. E não tinham nem como pensar
em articular, ajudar o ataque. Porque o Flamengo tinha quatro, muitas vezes,
cinco atletas no setor. O Flamengo era dono das intermediárias. Lucas estava
bem vigiado pelo ótimo Jorge. E Zé Roberto estava preso por opção do treinador.
Rafael
Marques, Dudu e Alecsandro estavam isolados do time. Tinham de viver de chutões
da defesa ou de Fernando Prass. Estratégia ridícula para um clube com tantas
ambições.
Fernando
Prass conseguiu segurar a vantagem palmeirense graças a uma espetacular defesa,
na cabeçada de Guerrero. O 1 a 0 no primeiro tempo mostrava que a partida
estava completamente indefinida. O Flamengo teve nada menos do que 72% de posse
de bola nos 45 minutos iniciais!
No
intervalo, Cristóvão ousou. Tirou o combativo volante Jonas e colocou o hábil,
rápido Ederson para auxiliar Guerrero e Sheik. Transformou a partida em um
inferno para o Palmeiras.
Apenas
11 minutos de pressão na zaga palmeirense, mal protegida pelos volantes, e o
Flamengo marcou dois gols. E acertou ainda o travessão de Fernando Prass. No
empate, Emerson deixou Ederson frente a frente com os zagueiros. Ele driblou
fácil Jackon e na hora do chute, a bola desvio em Vítor Hugo e enganou Prass.
Cinco minutos, 1 a 1.
O
Flamengo continuou firme pressionando. Guerrero tocou para Pará. Ele descobriu
Sheik livre. O ex-corintiano chutou com raiva. A bola explodiu no travessão.
Eram nove minutos. Todos que assistiam à partida previam a virada. E ela veio.
Da maneira mais infantil possível. Com inveja da zaga flamenguista, a
palmeirense permitiu que Enderson cabeceasse livre o escanteio cobrado por Alan
Patrick. 2 a 1…
A
torcida que lotava a belíssima arena começou a vaiar, a cobrar e até xingar os
palmeirenses. Parecia que iria acontecer nova tragédia. Mas todos se esqueciam
da fraca zaga flamenguista. Marcelo Oliveira antes fez sua obrigação. Colocou
Cleiton Xavier, meia mais ofensivo e talentoso. Tirou Robinho que fez outra
partida inútil.
Nesta
manhã, o meia que veio da Ucrânia estava acordado. Um bate rebate bobo, de
frente para os zagueiros flamenguistas acabou com o empate. Arouca cabeceou
para a área, Cleiton Xavier cabeceou fraco. A bola desviou em Samir e entrou 2
a 2. Logo aos 12 minutos…
O
placar era injusto. O empate mexeu com os nervos flamenguistas. Assim como o
fato de o Palmeiras ter um meia efetivo e Zé Roberto ter deixado a lateral para
compor o meio de campo. O jogo dos paulistas começou a fluir. E a zaga carioca
a falhar.
Foi
aí que veio a inesperada goleada. Com participação de Alecsandro, que estava
para ser substituído por Cristaldo. Aos 20 minutos, gol típico e manjado de
futsal. Zé Roberto tocou para o truculento irmão de Richarlyson e ele fez o
pivô para Dudu. Ele entrou livre e tocou na saída do desesperado César. 3 a 2
Palmeiras.
Cristóvão
escancarou seu time, buscando o empate. Esqueceu quem comandava. Cinco minutos
depois, tomava o 4 a 2. Cleiton Xavier colocou na área para Dudu disputar com
Jorge. O lateral flamenguista conseguiu tirar de calcanhar, a bola ficou
dividida entre Alecsandro e César Martins. O atacante se antecipou, deu um
toque e chutou para as redes. Goleada confirmada aos 25 minutos…
Depois,
o ritmo caiu. O Palmeiras preservava o importantíssimo resultado. E o Flamengo
não teve mais forças sequer para tentar descontar.
A
empolgante partida deixa lições fundamentais para o segundo turno dos dois
times. Ou melhoram seu poder de marcação, ou sofrerão muito nestas 19 partidas
que faltam…

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