domingo, setembro 27, 2020
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José Neto se espelha na NBA e prega intensidade ao Fla.

LANCENET
– Independentemente do resultado do confronto entre Flamengo e Orlando Magic,
amanhã, às 18h, na HSBC Arena, no Rio de Janeiro, pelo NBA Global Games, José
Neto tem bagagem de sobra para avaliar a fase do basquete brasileiro.
Graças
às conquistas pelo clube, o paulista se tornou o principal técnico da
modalidade em âmbito nacional. Se não bastasse, leva conhecimentos sobre as
grandes seleções do mundo desde 2004, fruto do trabalho ao lado de “cérebros”
como Lula Ferreira, o espanhol Moncho Monsalve e o argentino Rubén Magnano.
Motivado
pela chance de novamente marcar o nome do Rubro-Negro na história, desta vez
contra uma equipe da NBA, o treinador não tem dúvidas de que o Brasil já é
visto com respeito pelos outros países.
Mesmo
assim, ele alerta que todos os setores envolvidos no crescimento do basquete
nacional precisam percorrer um longo caminho e, principalmente, evitar o
pensamento de que os Jogos Olímpicos Rio-2016 são a etapa final de um
planejamento que tantos frutos já rendeu.
Ao
LANCE!, Neto não escondeu sua “fome” de provar a si mesmo que pode sempre mais,
garantiu acreditar em um triunfo histórico contra o Orlando, falou sobre
inspirações e contou ter encarado a derrota para o Pioneros (MEX) na Liga das
Américas do ano passado, em casa, como um débito com a torcida. Confira:
LANCE!: Você teve um início promissor no
Paulistano e, depois, dois trabalhos de menor impacto no São Bernardo e no
Palmeiras. Qual a importância do Joinville para sua chegada ao Flamengo?
José
Neto: Quando fui para Joinville, estava em um momento da vida em que queria
voltar a dirigir um time. Eu tinha saído do Palmeiras, e a Confederação
Brasileira de Basquete (CBB) pediu que eu ficasse exclusivo com uma seleção de
desenvolvimento. Eu continuaria nesse processo, mas tive o convite do
Joinville. Gosto do dia a dia do técnico. Ficar esperando uma competição de
curta temporada é algo complicado. Eu era um técnico jovem, precisava viver o
dia a dia de um clube. A equipe tinha perdido jogadores, montou um elenco médio
e surpreendemos. A vinda ao Flamengo foi consequência. Não usei o Joinville
para conseguir outro time. Imaginava que ficaria lá por uns dez anos, porque
estava cômodo. Tive boas relações, as pessoas me acolheram. Mas veio o convite,
e bateu o espírito desafiador. Para um técnico, é algo que não se pode
desprezar. Precisava saber até que ponto teria capacidade de dirigir uma equipe
que disputasse títulos.
LANCE!: Você é o atual tricampeão do NBB.
Qual o segredo para conseguir manter a hegemonia no cenário nacional, mesmo com
a entrada e saída de jogadores?
José
Neto: Quando ganhamos, temos o bônus e o ônus. O bônus é podermos colocar na
história do clube, na nossa e na do basquete uma marca. Outro, é nos tornarmos
referência. Hoje, nos preocupamos não só com o basquete adulto, mas com a base,
a estrutura, em mostrar ao jogador uma maneira de trabalhar melhor. Uma das
coisas que mais me motiva a trabalhar aqui é o grupo de trabalho. Não só os
jogadores, mas a comissão técnica, médica. São pessoas que sabem muito bem o
sentido de trabalhar em grupo. O ônus é a perda de atletas. Quando ganhamos uma
Copa Intercontinental, uma Liga das Américas, jogamos uma NBA, eles ganham uma
visibilidade muito grande. O interesse de outras equipes aumenta também. Uma
vez que um jogador já foi referência em um time, ele desperta atenção.
LANCE!: O título intercontinental no ano
passado (contra o Maccabi Tel Aviv) foi seu ápice. Por outro lado, a perda em
casa da Liga das Américas foi a maior decepção? E até que ponto aquele
resultado foi importante para a conquista do NBB da temporada passada?
José
Neto: Com certeza, foi uma das maiores decepções que eu tive na minha carreira.
A decepção está muito relacionada à expectativa. E a nossa, tendo ganhado no
ano anterior e mais uma vez podendo decidir em casa, era muito grande. Quando
perdemos de um ponto, na prorrogação, na última bola, é claro que ficamos
decepcionados. É algo que marca. Ao mesmo tempo, transformamos isso em uma
motivação para não parecer que estava tudo errado. Não dá para dizer que está
tudo errado por uma bola que não caiu. Como não podíamos voltar atrás, só
podíamos mostrar que ainda éramos uma equipe de referência. Crescemos muito
depois no NBB (só perdeu um jogo no segundo turno e outras duas vezes no
playoff de quartas de final). Isso mostra o caráter e o brio que os jogadores
tiveram para se recuperar daquela frustração.
L!: É correto afirmar que o Flamengo, no
continente, é um time a ser batido muito pelo respeito da camisa, da torcida e
por tudo o que representa?
José
Neto: Não tenho dúvidas de que isso acontece. Mas é uma troca de sentimentos.
Tanto eles (público) promovem isso na gente, quanto nós motivamos a torcida a
comparecer aos jogos, porque sabem que vai ter uma chance ali de gritar: “É
campeão!”. É por isso que nos frustramos tanto com o resultado da Liga das
Américas. Foi um débito nosso com quem confiava em nosso trabalho. Temos uma
responsabilidade grande, porque os adversários sabem o quanto é prazeroso
vencer o Flamengo. Quando chegamos aos jogos, muda até o ambiente, a
característica de cada um. Todos querem ter essa sensação.
L!: Ano passado, o Flamengo atuou contra
as equipes da NBA. O que tirou de lições daquela experiência e o que aplica em
sua metodologia de trabalho?
José
Neto: Se existe algo igual entre a liga que jogamos e a que eles jogam, talvez
seja só a palavra basquete. A regra, a bola, o ambiente, tudo é diferente. Mas
muita coisa nos pode ser útil. A maior lição que ficou é a intensidade. Não é
que não a tenhamos. Talvez, nos falte a resistência dessa intensidade que eles
têm. Procuramos jogar de maneira intensa a maior parte dos jogos. Mas, no
decorrer da partida, ela diminui. Eles têm 14, 15 jogadores com qualidade. Se
alguém vai para a NBA, não importa se será titular, ou o 12. Fomos lá conhecer
a estrutura das equipes. Em termos de equipamentos, eles têm uma condição
econômica muito melhor. O que pagam dez, nós pagaríamos 100 para trazer esses
aparelhos. Mas a mentalidade deles de treinos temos de colocar em prática.
L!: Em tese, o Orlando não fez grandes
mudanças em relação ao time do ano passado. É uma equipe jovem, mas longe de
ser uma potência da NBA. A vitória é muito mais uma possibilidade real do que
uma surpresa?
José
Neto: Nós acreditamos que podemos ganhar. Não estamos trabalhando para ir
jogar, mas para fazermos o nosso melhor. E se fizermos isso, teremos uma
chance. Se tivermos 1% de chance, vou trabalhar em cima disso. Sabemos que quem
estiver lá terá a expectativa de vivenciar um cenário histórico. Quem imaginava
que poderíamos ganhar uma Copa Intercontinental? O basquete mostra que quando
há a possibilidade, temos de acreditar nela. A palavra impossível só significa
que temos de nos dedicar um pouco mais. Não sei se iremos ganhar. É difícil,
muito difícil. Mas acreditamos em nossa capacidade.
L!: O Brasil vem em evolução nos últimos
torneios em que atuou com sua força máxima. A medalha na Olimpíada do Rio é uma
possibilidade real?
José
Neto: Se pegarmos como referência o último Campeonato Mundial, na Espanha, os
Estados Unidos foram ouro, a Sérvia foi prata e a França, bronze. Quinze dias
antes de esses dois últimos ganharem as medalhas, o Brasil os venceu. Então,
não tem como não pensarmos nisso, ainda mais em casa. Vamos focar na medalha
sim, não tem conversa, não tem “vamos jogar para ver o que vai dar”. A
competição é dura, mas trabalharemos para colocar a melhor equipe e brigar pela
melhor posição.
L!: Por outro lado, o Brasil fez campanhas
pífias quando não tinha os jogadores que atuam na NBA, sobretudo em Copa
América. Preocupa para os próximos ciclos olímpicos?
José
Neto: Eu sou exigente. Sempre acho que pode ser melhor. O basquete brasileiro
pode ser melhor. Mesmo que nós consigamos mostrar nos clubes que podemos
disputar campeonatos internacionais e que tenhamos um cenário bom na Seleção
Brasileira, com base na última Olimpíada e no Mundial, acho que muito pode ser
feito. Não podemos pensar que vai acabar tudo depois de 2016. Não, temos de
pensar na Olimpíada de 2020, no próximo Mundial, com formato diferente de
classificação. Muita coisa está sendo feita. Já estão sendo criadas as
associações dos técnicos, dos jogadores e dos árbitros, para que os setores
possam se organizar e se desenvolver melhor. Pode melhorar? Claro que pode. Mas
é nessa possibilidade de evoluir que as coisas já estão acontecendo.
L!: O que falta para o NBB se tornar um
campeonato com mais postulantes ao título?
José
Neto: O pouco que fazemos hoje é muito. Estamos em um momento delicado no país.
Infelizmente, equipes como o Limeira, que era uma das potências, tiveram de se
retirar devido a uma condição do país, não do basquete. Mas não temos de olhar
só de cima e falar que há poucas equipes no NBB. Temos de olhar embaixo e ver
qual é o trabalho que vem sendo feito, se há clubes procurando fomentar a
modalidade. É algo além de manter um Limeira ou um Uberlândia na liga nacional.
L!: Por ser auxiliar nos últimos anos, e
pelo momento como técnico do Flamengo, acredita que é o substituto natural do
Magnano na Seleção? Estaria preparado caso fosse chamado?
José
Neto: Não trabalho pensando na Seleção. É tudo consequência. Até porque, não
compete a mim. Alguém vai ter de me chamar, e quero estar preparado. Toda a
experiência que venho tendo de competições internacionais me agrega valores.
Hoje, estou muito satisfeito em ser assistente do Rubén. Para mim, é um dos
melhores técnicos do mundo. Ele tem muito a dar ao basquete, não só brasileiro.
É uma satisfação trabalhar com ele. Só penso em ajudá-lo a conquistar uma
medalha olímpica.
AS INSPIRAÇÕES
Pat Riley
Um dos
maiores técnicos da história da NBA, o presidente do Miami Heat é autor de
livros que estão na estante de José Neto.
Phil Jackson
O
presidente do New York Knicks faturou 11 títulos como técnico e dois como
atleta, e também é escritor.
Mike Krzyzewski
Para
José Neto, o técnico dos Estados Unidos é exemplo de como gerir pessoas.
Rubén Magnano
O
técnico da Seleção Brasileira é a grande fonte de inspiração de Neto hoje.
Ambos trabalham juntos na equipe desde 2010.

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