Juan celebra nova fase do Flamengo e prevê hegemonia.

Juan e Mancuello comemorando título carioca do Flamengo – Foto: Divulgação

GLOBO
ESPORTE
: Vitorioso
dentro e fora do Flamengo, Juan, de 38 anos, parecia fadado a cumprir o último
ano de contrato com o clube que o revelou sem muitas oportunidades. Titular
absoluto com Muricy Ramalho no início de 2016, perdeu espaço ao sofrer lesão na
coxa esquerda no início do Brasileiro passado. Durante a recuperação, Réver e
Rafael Vaz formaram sólida dupla de zaga. Resultados e atuações ruins fizeram
Vaz ser sacado duas vezes em 2017. Na primeira, deu lugar a Donatti. Na última,
Juan voltou. E bem. No time principal desde o empate por 0 a 0 com o Botafogo,
o camisa 4 tem atuado em bom nível e não esconde a felicidade pelo bom momento
individual, mas sobretudo pelo resgate da credibilidade de sua
“paixão” fora das quatro linhas.

Promessa
promovida aos profissionais em 1996, com apenas 17 anos, dentro de um Flamengo
combalido financeiramente, o zagueiro que já foi garoto no meio dos experientes
Romário, Renato Gaúcho e Júnior Baiano, por exemplo, hoje curte o momento de
jogador cascudo dentro de um clube com crédito no mercado. Casado há 15 anos
com Monick, sua namorada desde os tempos de Colégio Pedro II, o pai de João
Lucas (11 anos) e Miguel (um e meio) celebra a nova – e alegre – fase ao lado
de grandes amores: a família e o Rubro-Negro.
– É uma
etapa nova na minha vida. Feliz, porque, em termos de família, a gente sempre
andou junto, a gente se conhece desde moleque. Moleque eu, né? Ela não (risos).
Nos conhecemos desde novo, sou orgulhoso da família que a gente criou e como a
gente conduz as coisas. Eu não me enxergo como o cara (para os jovens), acho
que sou mais um jogador como todos no elenco. Mais experiente, mais rodado, a
gente procura ajudar os mais novos quando vê algo de errado, mas também aprendo
com eles. Essa mescla sempre deu muito certo no futebol. Estou curtindo, nunca
escondi de ninguém que o Flamengo sempre foi minha paixão. Sou feliz de estar
de volta, curtindo esse momento e, principalmente, vendo esse crescimento do
clube. A gente que sempre esperou que esse momento acontecesse está vendo um
Flamengo fora de campo crescendo muito. É o caminho que tem trilhar – afirmou
Juan, que será titular contra o Santos nesta quarta-feira, às 21h45, na Ilha do
Urubu, pelas quartas de final da Copa do Brasil.
Juan
voltou ao time titular na quarta rodada do Brasileiro, no empate por 0 a 0 com
o Botafogo, e não perdeu mais tal condição – só foi poupado contra a Ponte
Preta e, suspenso, não enfrentou o Bahia. O retorno em bom nível, mesmo diante
da falta de ritmo, chamou atenção. O atleta, porém, disse que o trabalho
realizado nos treinos durante 2017 foi importante para render desta forma.
– Não
(se surpreendeu), porque eu vinha trabalhando para isso. Na verdade meus dois
últimos anos foram muito parecidos (em 2015 no Inter). Nos primeiros semestres,
estive muito bem, com muitos jogos. Depois tive uma ou duas contusões em
sequência. Você acaba perdendo um pouco da forma. Quando volta já é no meio do
Brasileiro, com jogo atrás de jogo, alguns importantes… Nas duas ocasiões
(Inter e Fla) tiveram troca de treinador , eu machucado, e o treinador pega
confiança com o time, é normal que chances as sejam menores. Depois você pega
uma sequência de jogos no campeonato em que é impossível você treinar, acaba
lutando contra o seu corpo para se colocar em forma. Você não joga, vai para o
campo, perde praticamente dois, três dias de treinamento, nos outros não pode
forçar muito, porque sempre são em vésperas de jogos. Para voltar em forma é
difícil – completou Juan, com 293 jogos pelo Fla, 30 gols, cinco estaduais, uma
Mercosul e uma Copa dos Campeões.
Confira
abaixo a íntegra do papo com Juan e por que ele acredita que em 2017 será
diferente. Aos 38 anos, ainda não definiu se pendura as chuteiras nesta
temporada:
Por que 2017 é diferente do ano passado?
Demorei
muito para voltar ao ideal, talvez de outubro para novembro consegui voltar à
minha forma. O time já estava indo bem, o Rafa (Vaz) e o Réver indo muito bem,
então as oportunidades foram poucas. Lembro que no último jogo contra o
Atlético-PR eu pude jogar e bem. Esse ano foi diferente, fiz a pré-temporada
muito bem, praticamente iniciei e não me machuquei. Fiquei fora de duas semanas
de treinamento, mas sempre fazendo algo na parte física.
Tive
algumas oportunidades quando o Zé estava poupando o time titular, o que dá uma
sequência de jogos, uma confiança. Claro, jogar com o time reserva é uma coisa,
com o titular te dá uma credibilidade muito maior. Talvez isso por isso que as
pessoas ficaram surpresas, mas sempre fiquei tranquilo esse ano, porque sabia
que estava bem fisicamente e tecnicamente.
E agora, além de estar jogando bem, você,
se mantiver-se em alto nível, será titular até o fim da Copa do Brasil, já que
Rhodolfo não pode jogar e você teoricamente está na frente do Vaz. Concorda com
isso?
Foi
formado um elenco, e estamos num estágio do ano em que não temos que estar
muito preocupados com quem vai ser titular ou reserva. É estar bem, treinar,
procurar não se machucar e esperar a oportunidade para ajudar o Flamengo. No
próximo mês talvez a gente tenha que rodar muito o elenco, porque é impossível
qualquer um aguentar essa sequência, essa maratona de jogos. Não penso muito em
quem vai ser titular, nesse status que aqui no Brasil a gente gosta muito de
colocar num jogador. Penso em estar bem para poder ajudar o Flamengo dentro e
fora de campo.
No ano passado, durante o processo de
renovação de contrato, o então vice de futebol Flávio Godinho disse que lhe
ofereceria algo para seguir no clube após pendurar as chuteiras. Já lhe foi
proposto isso?
Não
está nada definido. Fico feliz de saber que pessoas ligadas ao Flamengo tenham
esse pensamento comigo, mas ainda me sinto um jogador e enquanto for assim vou
ficar dentro de campo.
Já decidiu se para em dezembro?
Não,
ainda não.
Você foi poupado contra a Ponte Preta.
Seus 38 anos fazem o Flamengo montar um planejamento específico?
Não
tem uma programação, nem para mim nem para ninguém. É ver como está se
sentindo. Natural que naquela situação (jogo contra a Ponte Preta) eu desse uma
segurada, porque vinha de um tempo de jogar muito pouco para, depois do
Botafogo, em uma semana, jogar três vezes seguidas, um no Nordeste, outro no
Sul e um em Volta Redonda. Foi mais precaução para dar uma segurada. Agora
calhou com uma suspensão no momento em que fiz três partidas, não joguei contra
o Bahia. Mas é normal, aqui a gente bate muito no calendário, reconhece toda a
dificuldade que um jogador tem, mas quando tem um rodízio ou alguém que dá uma segurada
num jogo chama muita atenção ainda. É uma coisa que a gente tem que evoluir.
Nesse retorno ao time titular, você
saiu-se muito bem, mas participou diretamente do gol do Avaí, no lance com o
Rômulo, e cometeu pênalti em Richarlison, contra o Flu. Acredita que falhou
nesses lances?
No gol
do Avaí foi uma jogada que poderia ser evitada, com certeza. Achei que o cara
que deu o passe fosse fazer uma jogada, o atacante foi inteligente e fez uma
movimentação contra o meu movimento. Me cobrei muito, porque é uma jogada que
eu sabia que poderia acontecer, mas às vezes, no calor do jogo, você pensa uma
coisa e acontece errado. Eu fui tentar antecipar, mas saí um pouquinho antes e
deu tempo para o cara que estava com a bola ler a jogada, foi nas minhas costas.
O do
Richarlison é uma jogada muito rápida. Eu saí na cobertura, quando um
centroavante do nível dele fica de cara para o seu goleiro, pelo que sempre fiz
na minha carreira, sou obrigado a tentar alguma coisa. Ele foi inteligente,
porque achei que fosse chegar chutando e eu poderia travar a bola, mas ele deu
mais um passo. É uma jogada que, por mais que não tenha pegado muito, é
arriscada, quase todos marcam pênalti. O que aconteceria se eu não fizesse
aquilo eu não posso dizer. Ele poderia perder o gol, Thiago poderia ter feito
pênalti e sido expulso, eu poderia ter ficado com a bola. São coisas que não
tem que pensar na hora. É tentar tirar a bola, claro, com um pouco de
prudência. Ele estava numa zona com muita coisa para fazer, muita opção para
chutar. Eu fiz isso a minha carreira toda, talvez 70%, 80% deram certo, nas
outras, errado.
Sobre o Flamengo, você elogiou a
reconstrução da credibilidade do clube. Acredita que, com a estrutura exaltada
por ti, o clube entra num caminho sem volta para o sucesso e de possíveis
grandes conquistas?
É o
caminho que todo clube que quer ter uma hegemonia tem que passar. Se vai ganhar
ou não, depende dos jogadores, do que vamos fazer em campo, mas o caminho não
tem como não ser esse. Estrutura, clube forte financeiramente, isso dá mais
possibilidades de vencer a longo prazo do que o Flamengo de antes.
Apesar da recuperação financeira, os maus
resultados, sobretudo a eliminação na Libertadores, fizeram a torcida perder a
paciência. Teve até protesto aqui no Ninho, e você abaixou o vidro do carro
para conversar com eles. Qual foi o teor do papo?
Eu não
abaixei o vidro, passei tranquilo. Flamengo, né? No Flamengo a gente sabe que a
torcida cobra muito, principalmente quando as coisas não estão acontecendo como
querem. É início do campeonato, mas eles têm muita expectativa no nosso time,
pelo que fizemos no ano passado e pelos reforços que chegaram. O torcedor tem
todo o direito de cobrar. Com certeza dentro de campo vamos fazer de tudo para
que as vitórias continuem aparecendo. Fazia tempo que a gente não tomava uma
cobrança, porque a gente ganhou muito jogos. Vamos fazer de tudo para ganhar
mais títulos e deixar a torcida feliz.
Voltando ao futebol, você é prata-da-casa,
e os jovens de hoje quase não têm sido aproveitados no time profissional. O que
você fala para Ronaldo, Paquetá, Vizeu e sobretudo o Léo Duarte, que é da sua
posição?
A
gente dá apoio para diariamente continuarem crescendo. São todos jogadores de
muito talento, muito mesmo. A gente vê o que eles fazem nos treinos. O Léo
(Duarte), especialmente, tenho um carinho muito grande. Me vejo muito nele
quando era mais novo, no jogo e no caráter. É um jogador que tem muito
potencial. Quando o cara tem o potencial e a cabeça que ele tem, mais cedo ou
mais tarde vai brilhar. O clube reconhece isso, o Zé foi treinador dele. Ele
foi capitão do Zé, talvez seja uma oportunidade dele aprender com a gente, com
os jogadores mais experientes, mais velhos da posição. Mais cedo ou mais tarde
a hora dele vai chegar. Tenho certeza que ele vai estar preparado e terá um
futuro brilhante.
Como há muitos zagueiros de nome, não
seria o momento de um empréstimo para o Léo?
É
difícil dar um conselho a esse ponto, mas o que quis dizer é que se ele
realmente é bom, o que ele é, reconheço isso, mais cedo ou mais tarde a
oportunidade vai aparecer e ele vai estar preparado. O mais importante para ele
hoje é se preparar bem, crescer, independentemente de estar jogando ou não.
Crescer durante os treinos para ele colocar o potencial dele para fora quando a
oportunidade aparecer.
Falando de garotos, e o seus? Quer dizer
que o João Lucas é mais do basquete?
O João
é esportista nato. Faz tudo. Joga vôlei, futebol, basquete. Ele gosta de tudo,
pegou muito da gente, da Monick (esposa) também. Fico feliz, porque esporte é
com certeza um dos meios mais sadios que existem, na parte física e nas
amizades, parte de crescimento do ser humano. O que ele vai ser, o que vai
gostar, vai depender dele.
E como é para o João ver o pai, após muito
tempo fora, estar jogando no Flamengo? Ele curte?
Ele
curte bem, porque ele me acompanhou durante a carreira toda. Eu estava na Alemanha,
depois cheguei na Itália, e ele tinha dois anos. Cresceu acompanhando futebol,
torcendo por mim, pelos times que eu estava, mas sempre sendo flamenguista.
Hoje essa união, vendo o pai jogar no time dele, está curtindo mais ainda.

Por: FlaHoje

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