domingo, setembro 27, 2020
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Juninho Paulista, uma autoridade em Vasco x Flamengo.

O
Globo – No esquema 4-3-1-2 da seleção de Zagallo, em 1995, o responsável pela
ligação entre meio e ataque era apenas Juninho. Cinco anos depois, o número 1
daria lugar à duplicidade, ao chegar ao Vasco, onde o reizinho era seu homônimo
pernambucano. Obrigado a se diferenciar pelo estado de origem, o meia-atacante
ganhou naturalidade no futebol carioca — e autoridade para falar da rivalidade
entre Vasco e Flamengo — justamente quando se tornou Juninho Paulista.

Um dos
destaques do último título brasileiro do Vasco, foi o único jogador do Flamengo
na conquista do penta. Rubro-negro até hoje, por vestir a camisa do Ituano, do
qual é gestor desde 2009, aos 42 anos, o ídolo ainda está ligado a São
Januário. Atual técnico do Vasco, Doriva levou o clube de Juninho ao título
paulista do ano passado. Apesar das dimensões do feito, amplificadas pela
crença de que tudo é maior em Itu, falta carimbar a identidade na cidade
grande.
— Ele
ficou cinco anos comigo no Ituano. Comandou do sub-15 ao profissional, foi
evoluindo dentro e fora do campo, fez cursos. Logo vai ser um dos grandes nomes
do futebol brasileiro — disse Juninho, que identifica no sorridente Doriva a
capacidade de trazer temperança ao caldeirão de São Januário. — Acho que esse
casamento dá muito equilíbrio, ele é bem maleável e transparente na relação com
os jogadores. Ganha o grupo na honestidade.
Ao
falar de Doriva, Juninho acaba contando um pouco da própria história. Os dois
jogaram juntos no São Paulo do início dos anos 1990, sob o comando de Telê
Santana, para quem respeitar os princípios do futebol é o melhor meio de se
chegar às conquistas. Nas trocas permanentes que a relação mestre/discípulo
oferece, do alto de seu 1,67m, Juninho virou referência. Ex-supervisor de Vasco
e Flamengo, Isaías Tinoco tem hoje, como executivo das divisões de base de São
Januário, a missão de preservar e priorizar o talento para reviver os grandes
momentos que compartilhou com Juninho. Entre eles, a vitória por 4 a 3 sobre o
Palmeiras, fora de casa, na final da Mercosul, depois de o Vasco terminar o
primeiro tempo perdendo por 3 a 0.
— O
Juninho sofreu dois pênaltis e ainda fez um gol. Lembro-me dele perseverante,
acreditando sempre. Foi um gigante no futebol com a estrutura de um David —
disse Isaías, ao voltar ao Antigo Testamento, para profetizar o renascimento do
futebol brasileiro a partir de seus próprios mitos. — Talento não tem idade nem
tamanho. Juninho foi muito importante para mim, e continua sendo, pelo trabalho
como gestor.
Gols perdidos na final de 2001
Sem
ter compartilhado as mesmas glórias, a torcida do Flamengo mostra relativa
gratidão por Juninho, até quando ele defendia o rival. Na decisão do Carioca de
2001, o Vasco podia perder por até um gol de diferença para encerrar a
sequência de derrotas em finais para o rubro-negro. Depois do medo que sentiu
ao ver Juninho entrar diversas livres diante do goleiro Júlio César, restou aos
rubro-negros a sensação de alívio e plenitude quando Petkovic, aos 43 minutos
do segundo tempo, fez, de falta, o gol da vitória por 3 a 1, e do
tricampeonato.

Perdemos muitos gols naquele dia. O Vasco era muito melhor, até o time deles
reconhecia — recordou Juninho que defenderia o Flamengo em duas ocasiões, em
2002 e 2007. — Individualmente, minha primeira passagem foi muito legal. Na
segunda, tive problemas com o (técnico) Ney Franco. Os melhores resultados
foram no Vasco, mas tenho carinho pelas duas torcidas.
Mesmo
que seja diplomática, a declaração reforça a importância da boa convivência
entre contrários num momento em que o futebol carioca é um rio de intolerância.
A volta do antigo regime a São Januário, o mesmo com que conviveu, faz Juninho
se lembrar das perdas e ganhos. O Vasco, diz ele, foi o único clube contra o
qual entrou na Justiça para receber atrasados
— Foi
um dos melhores times em que joguei. Pela qualidade dos jogadores a gente não
deixava que os problemas entrassem em campo — disse, ao enxergar as mazelas do
futebol para além de uma figura que personifique o atraso — O problema é que o
brasileiro é muito individualista, cada um defende só o seu.
Sem imposições táticas
Apesar
da facilidade para correr com a bola, Juninho sabia a hora de soltá-la. Num de
seus lançamentos, deixou Doriva diante da chance que afirma a importância
restante do futebol carioca apesar do empobrecimento do jogo e do debate.
— O
bom do Rio sempre foi a liberdade de jogar, com menos imposição da parte
tática. Por isso era considerado o mais charmoso. O problema hoje não é só no
Rio. Estamos tentando copiar tudo da Europa, mas deveríamos pegar só o que é
bom e preservar nossos princípios — disse Juninho, contra as generalizações. —
O calendário já é melhor do que quando eu jogava. Temos que fazer as coisas bem
estudadas. A mudança só vai se refletir daqui a uns dez anos.
As
construções sólidas resistem ao tempo. Vinte anos depois de surgir como o
pequeno notável da seleção de Zagallo, o ex-jogador acrescentou o paulista ao
nome para ser lembrado pelos dois lados da rivalidade carioca. A duplicidade
que o obrigou a revelar as origens ao chegar ao Vasco é a mesma que o faz
esconder a preferência para clássico de hoje. O número 1 é aquele que levanta a
taça.

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