quinta-feira, outubro 1, 2020
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Kalil fala tudo sobre a Liga Sul-Minas-Rio.

Folha
de São Paulo – Primeira Liga. É este o nome da união entre clubes do Rio de
Janeiro, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que
pretende colocar em disputa um novo torneio já em 2017.

Para o
CEO eleito da liga, Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético-MG, trata-se do
embrião de uma liga nacional, que para ele é uma coisa obrigatória nos dias de
hoje.
Ele
diz que não há guerra, nem oposição à CBF, que organiza o Campeonato
Brasileiro, mas reclama da postura das federações estaduais, que tentam impedir
a liga.
Folha – Como você vê a liga?
Alexandre
Kalil – Eu me assustei com o que eu vi. Em todos os meus anos de futebol, eu
nunca vi tanta união entre os clubes. Tanto desprendimento e tanta
generosidade. Estou impressionado. Além de ser muito progressista, o movimento
é antes de tudo generoso. Nós sabemos que um clube é maior do que o outro, mas
ninguém está lá para engolir ninguém.
É reflexo do que?
Poderia
falar que é do 7 a 1. Mas não vou falar isso. O fracasso do futebol brasileiro
afetou todo mundo. Acertou os clubes no peito. Antes da Copa, tinha uma
proposta atrás da outra. Agora, não tem mais isso. Os clubes foram muito
atingidos. O que a gente tem de pensar é o que aconteceu nesses 25 anos para
tamanho atraso nosso.
Aonde ela pode chegar?
No dia
que essa estiver pronta e sentar com a liga do Nordeste e a Verde, e se juntar
com São Paulo, vai ser a hora de fazer uma liga nacional. O dinheiro não está
dando para pagar a conta. O que não pode é ter sabotagem, gente querendo fazer
o futebol andar para trás. O que as federações têm de se meter no que um clube
faz? Isso não é coisa de gente normal.
Uma liga nacional no Brasil é obrigação?
É. Até
porque a CBF não tem estrutura organizacional e comercial para isso. Ela não
tem tempo, nem cabeça. Ela tem que comercializar a seleção e as coisas dela.
Ela não divide isso com ninguém. Temos que cuidar de nós.
A liga é um movimento que reflete a
falência da CBF?
Não. É
um movimento do aperto que os clubes estão. Claro que tiveram erros dos clubes
no passado. Colocaram salários altíssimos. Mas por que houve erro, a gente vai
ser condenado à morte e fim? Alguém achou que a Copa ia salvar o futebol. Não
foi uma Copa, foi uma tragédia. Você tem um monte de estádio construído e
ninguém está preso. Tem um estádio em Cuiabá e ninguém está preso.
Quem tinha que estar preso?
Não
sei, ué. Um estádio de R$ 2 bilhões em Brasília não tem a menor lógica.
Você acha que a CBF está falida?
Não. A
CBF é milionária. Só vai alterar a vida de quem mama. A CBF não mama nos
clubes. Quem gosta de colocar a boca na teta é que vai sentir a falta da teta.
Temos que dar a teta para os clubes.
São as federações que perderão?
Acho
que sim. Mas a gente pode sentar e ver o que pode ser feito. Ninguém quer matar
ninguém. O que eu não aceito é um presidente de federação bater no peito e
falar que a liga não vai acontecer. Que negócio é esse?
As federações precisam acabar?
Ela
pode cuidar das coisas. Baixa o custo, racionaliza, bola um campeonato para ser
rentável. O que não pode é alguém dizer que não vai acontecer nosso campeonato.
Isso não tem lógica. Não vai ter? Por quê?
A liga vai acontecer de qualquer jeito?
Sim.
De qualquer jeito. Temos a Lei Pelé ao nosso lado. Avisamos a CBF que fomos lá
apenas para comunicar a criação da liga. A gente pode procurar o Governo. Não
pra pedir alguma coisa, mas para nos dar respaldo também.
O ex-presidente da CBF está preso. Isso
desmoralizou o futebol brasileiro?
É um
negócio triste, humilhante. Eu tenho vergonha do mundo saber que o
ex-presidente da CBF está preso. Estou triste. Eu tenho medo do que pode
acontecer com ele, pela idade que ele tem. A prisão da Suíça deve ser boa. Se
fosse aqui, era capaz de ter morrido há muito tempo. É doloroso para a família.
O presidente Del Nero não viaja desde
então. O que pensa sobre isso?
Eu não
vou comentar desses assuntos. Eu quero apenas fazer da nossa liga algo
rentável. A gente tem de construir a Primeira Liga. Tenho que vender. As
mazelas do futebol brasileiro, eu deixo para vocês da imprensa.
Não é uma guerra contra a CBF e as
federações?
Não. É
uma questão de sobrevivência. A gente não quer tomar nada de ninguém. Mas não
há guerra nenhuma. Os paulistas estão felizes com o campeonato deles. Ótimo.
Temos que aplaudir. A gente quer ser feliz do lado de cá.
Como buscar patrocínios neste momento da
economia?
Vai
ser difícil. Ainda é o melhor produto de mídia. Mas estamos sendo procurados.
Há interessados. Nós vamos levar o futebol para o patamar que ele sempre
deveria ter alcançado.
Quanto você imagina que a liga pode
lucrar?
Não
sabemos ainda. Estamos fazendo um estudo.
Como vai ser a divisão do dinheiro?
Vai
ser uma coisa mais generosa. Não adianta ficar pensando que um clube é maior
que o outro.
O que significa isso?
Você
pega as maiores ligas do mundo, a diferença entre o que mais ganha e o que
menos ganha é de 50%. As piores, chega a 5 ou 7 vezes. Vamos transformar nosso
produto em pó? A gente tem de copiar o que deu certo.
Vocês tentaram aproximação com os
paulistas?
Eu
brinquei e disse que dou até a presidência para eles. Mas eles estão felizes no
campeonato deles.
Mas você quer os paulistas na liga?
Claro.
Acho que não vai ser na minha gestão, mas esse tem que ser o caminho. Ninguém
vai para uma coisa se estiver feliz na que está. Se nós estivéssemos feliz com
a nossa situação, ninguém ia pensar nesse negócio de liga.
Você ofereceu a presidência para o Andrés
Sanchez, a mágoa do clube dos 13 já passou?
Claro
que passou. Isso não vai acontecer nunca mais. Nós aprendemos. Nós do Clube dos
13 erramos muito.
O Andrés falou que tem que ser alguém de
mercado para exercer esse cargo…
Ninguém
conhece mais desse negócio do que eu. Pode conhecer igual. Mais do que eu,
ninguém.
A liga pode servir para negociar com a TV?
A liga
é comandada pelos clubes. O que eles quiserem, a gente vai fazer. A assembleia
é soberana.
Pode ser um caminho?
Sim.
Acho que pode. Por que não?
O seu cargo é remunerado?
Ainda
não falamos disso, mas com certeza vai ser. O meu e da diretoria. É muito pouco
dinheiro envolvido agora. Nada demais. Não é contrato de jogador de futebol,
não (risos).
Quer mandar recado para os Paulistas?
Tem
que estar todo mundo feliz. Se o Paulista está bem, nos deixem ser feliz aqui.
Quando todo mundo tiver infeliz, todo mundo se junta. O Paulista foi
renegociado e muito bem renegociado.
ALEXANDRE KALIL
NASCIMENTO
Belo
Horizonte (MG), 25.mar.1959 (56 anos)
CARREIRA
Ex-presidente
do Atlético-MG e CEO da Primeira Liga
CLUBES QUE REPRESENTA
Flamengo,
Fluminense, Inter, Grêmio, Atlético-MG, Cruzeiro, Coritiba, Atlético-PR,
Joinville, Chapecoense, Criciúma, Avaí e Figueirense.

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