quarta-feira, setembro 23, 2020
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Kalil rebate Feldman: “Não tenho que tratar nada com CBF.”

GLOBO
ESPORTE – A Primeira Liga vem sendo pauta de discussões que parecem
intermináveis entre Alexandre Kalil e a CBF. Na última terça-feira, a nova
competição foi aprovada em decisão unânime, mas com ressalvas, após assembleia
entre a principal entidade do futebol brasileiro e as federações estaduais.
Apesar da conclusão do encontro ter sido favorável à liga, a “briga”,
aparentemente, não acabou. Após a reunião, Walter Feldman, secretário-geral da
CBF, fez críticas à postura de Alexandre Kalil, dizendo que o dirigente estava
sendo agressivo em suas atitudes e afirmando que a CBF não trataria mais do
assunto com o executivo-chefe da Primeira Liga, e sim diretamente com os
clubes. Kalil rebateu e disse não se importar com as declarações de Feldman.
– Eu
não estou preocupado, eu acho que eu não tenho que tratar nada com a CBF. Eu já
sou veterano no futebol, esse moço que está lá é muito velho de idade, mas no
futebol ele é muito novo. Eu nem o conhecia, é uma figura muito nova. Eu é que
não quero tratar com ele, porque ele não conhece, não é do ramo, não passa de
um politiqueiro, mas se a Liga determinar que eu trate, eu vou tratar e ponto
final – respondeu o dirigente em entrevista à Rádio Itatiaia.
Além
dos aparentes problemas na relação entre Kalil e CBF, outro impasse para que a
Liga seja formalizada no calendário do futebol brasileiro da próxima temporada
são as questões técnicas. As datas apresentadas pela Liga, segundo a CBF, não
atendem a algumas exigências envolvendo folga dos atletas, espaço de tempo
entre jogos, entre outras coisas. Apesar disso, Alexandre Kalil mantém o
discurso de independência e já está agindo para que a competição saia,
independentemente da formalização ou não por parte da CBF.
– Eu
tive a obrigação de ir à Justiça Comum e receber o ok, ir à Justiça Desportiva
e receber o ok, recebi o ok de todos os segmentos. A arbitragem, eu estou
viabilizando, vamos viabilizar súmula, através de federação, delegado, juiz,
bandeirinha. Estádio nós já temos, nome já temos, torcida nós temos. Acabou.
Não estamos pedindo nada, pedimos apenas para que não nos obriguem a passar
fome. Nos deixem trabalhar. A CBF falando em lei comigo? Eles não têm
conhecimento. Não sei se é de propósito ou sem querer, se é por maldade ou
ignorância. Nosso torneio pode não ser excelente em 2016, mas em 2017, 2018 e
2019 vai ser uma das coisas mais rentáveis do futebol brasileiro.
Acusado
de nepotismo, já que teria empregado um filho e um sobrinho na equipe de gestão
da Primeira Liga, Kalil se defendeu e revelou que, por muito pouco, não
renunciou ao cargo.

Depois do que tentaram fazer com minha família, eu fui pedir demissão desse
negócio. O presidente da Liga, que é o presidente do Cruzeiro (Gilvan de Pinho
Tavares), foi o primeiro a pegar o microfone e dizer que não aceitaria minha
saída e foi acompanhado por vários outros presidentes. Eu fui presidente do
Atlético-MG, com orçamento de mais de R$ 200 milhões, durante seis anos. Eu não
coloquei nenhum amigo lá, que dirá filho. Vou colocar filho meu para trabalhar
em um negócio que não é meu? Que não sou eu quem manda? É só uma voz mansa da
política covarde e canalha, que vem agredir e se aproveita de quem fala alto.
Questionado
sobre o futuro do futebol Brasileiro, Kalil afirmou que há esperança e que ela
passa pela melhor distribuição de renda entre os clubes. Além disso, afirmou
que a Liga é necessária para que a mudança aconteça.
– Os
clubes são aqueles elefantes que têm um cara com um banquinho e um chicote,
domando. O elefante não sabe que se ele vai pegar a pata dele, ele esmaga
aquele cara que está chicoteando e empurra-o para debaixo da terra. Agora o
elefante despertou. Enquanto nós estivermos às moscas no futebol, não tivermos
quem pegue e resolva, nós não vamos fazer. Nós temos que pôr o pé na porta
mesmo, porque o jeito manso já foi tentado. Enquanto o Santos recebe 24 milhões
de reais no campeonato paulista, Atlético-MG e Cruzeiro recebem 7. A voz do
politiqueiro destrói a liga tranquilamente, chamando os clubes e falando que a
cota do estadual vai ser a mesma pra todo mundo, que isso foi resolvido com a
televisão. Aí acabam as ligas. Pra que fazer liga se há justiça e igualdade? A
liga é uma necessidade, a liga não foi uma brincadeira. Que brincadeira é essa?
Eles dizem que não querem mais falar comigo, então põe o dinheiro na mesa.
Ninguém quer conversa não, nós queremos pagar salário.

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