quinta-feira, setembro 24, 2020
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Líder de receitas, Flamengo foi o único a reduzir dívidas.

Globo
Esporte – No balanço financeiro de 2014 publicado pelos 16 principais clubes do
Brasil, as receitas apresentaram queda de 3% e chegaram ao valor de R$ 2,9
bilhões. O maior responsável: a transferência de jogadores. Antes responsável
por 21% do faturamento em 2013, agora representa 14%. O efeito da derrota do
Brasil por 7 a 1 para a Alemanha e consequente eliminação da Copa pode ser um
dos responsáveis. Mas diante de um ano de dificuldades, há quem possa
comemorar: o Flamengo lidera o ranking de receitas (R$ 347 milhões) e é o único
a diminuir sua dívida. Em 2013, ocupava o topo da tabela, com R$ 757,4 milhões.
Em 2014, é de R$ 697,9 milhões.

Clube
com maior faturamento em 2013, o São Paulo, agora ocupa a terceira posição no
ranking, com R$ 255,3 milhões. Quando liderava, era de R$ 364,7 milhões. O
Corinthians mantém o segundo posto, apesar da diminuição de R$ 316 milhões para
R$ 258,2 milhões. Palmeiras e Cruzeiro ocupam quarto e quinto lugares, com R$
247,6 milhões e R$ 223,2 milhões. Os números são de levantamento realizado pelo
consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi e têm como base o
balanço financeiro publicado pelos clubes.


Enquanto o mercado está parado, o Flamengo fecha com o maior superávit de sua
história. Hoje a gestão do Flamengo é única no Brasil. É o modelo, é a exceção.
Está usando o tripé fundamental para o equilíbrio: maximizar receita, controlar
gastos e pagar dívidas. Durante sete, oito anos, a gente sempre ouvia que o
clube era um gigante adormecido. Todo mundo via o Corinthians e o São Paulo
crescendo, e o Flamengo, parado. A partir do momento que esta gestão assumiu o
pior clube do Brasil naquela ocasião, tudo mudou – afirmou Amir Somoggi.
O
consultor de marketing e gestão esportiva cita como comparação a administração
Patrícia Amorim, anterior à atual. Na época, o clube faturava R$ 32 milhões em
marketing. Hoje, chega a R$ 80 milhões. Segundo Amir, a diretoria fez a lição
de casa. Não tem o time mais competitivo, mas não abusou nos custos do futebol
e está pagando dívidas de décadas. Ao passo que clubes como Corinthians, São Paulo
e Atlético-MG, entre outros, aumentam seus déficits.

O
líder das dívidas agora é o Botafogo, que passou de R$ 698,8 milhões para R$
845,5 milhões, ultrapassando o Flamengo, em segundo. Aliás, os quatro grandes
clubes do Rio continuam encabeçando a lista dos cinco maiores devedores, na
companhia do Atlético-MG, quarto colocado, com R$ 486,6 milhões. O Vasco é o
terceiro, com R$ 596,4 milhões, e o Flu ocupa a quinta posição, com R$ 439,6
milhões.
– O
Botafogo tem a situação mais trágica. Vai ter que fazer o mesmo trabalho do
Flamengo. O passivo trabalhista e fiscal é muito grave. Precisa fazer um plano
a longo prazo – alertou o consultor, lembrando que, se os cariocas ainda se
mantêm entre os primeiros em dívidas, hoje já têm companhia próxima de clubes
como Grêmio, Santos e São Paulo, que estão se aproximando.

O dado
mais assustador dos balanços foi no que se refere aos déficits. Os 16 clubes
somados apresentaram perdas de R$ 595 milhões no ano passado. Em 2013, foram de
R$ 375 milhões. Em dois anos somaram perdas de quase R$ 1 bilhão. Nos últimos
quatro anos os déficits somados atingiram R$ 1,3 bilhão. Para piorar, as
dívidas desses 16 clubes cresceram 18%, atingindo R$ 6 bilhões em 2014. Esse
endividamento dos clubes, ainda segundo Amir Somoggi, está subindo muito em
função de operarem de forma alavancada. A participação das dívidas fiscais
sobre a dívida total vem caindo, passando de 41% em 2011 para 34% em 2014. Isso
significa que os pesados empréstimos, os altos custos com os acordos
trabalhistas, os débitos com os jogadores e dívidas com fornecedores estão
crescendo em um ritmo muito acelerado.

Temos nesse balanço o pior resultado em termos de déficit do futebol
brasileiro. É o pior dos cenários. Chegamos a três conclusões: a receita está
estagnada há dois anos. Os déficits são monstruosos. Com os prejuízos, há
aumento do endividamento – disse Amir.
A
queda na transferência de jogadores foi o fator que mais influenciou na
diminuição das receitas dos clubes. O mau desempenho do Brasil na Copa do Mundo
certamente teve influência.
– O 7
a 1 da Alemanha, sem dúvida, causou impacto negativo. Os jogadores brasileiros
passaram a ser mais questionados no exterior. Com isso, os clubes acabaram
inseridos no contexto da crise.

Para
não dizer que tudo foi ruim,  Amir
destaca ainda: os clubes que impactaram positivamente os números com superávits
foram o Flamengo, com R$ 64,3 milhões, Atlético-PR, com R$ 43,2 milhões, e
Vitória, com R$ 268 mil. Todos os demais apresentaram perdas em 2014.
Outro
dado interessante: as receitas que mais cresceram em 2014 foram com a TV (R$
1,04 bilhão), o clube social e sócio-torcedor, com um total de R$ 428 milhões
gerados. Os patrocínios e a bilheteria tiveram uma queda nas receitas de R$ 5
milhões cada uma. A bilheteria dos clubes atingiu R$ 295 milhões, e os
patrocínios, R$ 443 milhões.

– O
contrato com a TV Globo é a garantia para os clubes correrem atrás de
empréstimos. Em 2016 haverá renegociação, que pode segurar um pouco a crise. no
primeiro ano haverá equilíbrio, mas já no segundo as despesas continuarão
crescendo. O contrato com a TV acaba sendo o combustível para os déficits
futuros. Os clubes precisarão ser mais criativos para sair dessa situação –
alertou Amir Somoggi.

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