sábado, setembro 26, 2020
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Liga de futebol americano prospera com filho de Lula.

FOLHA
DE SÃO PAULO – No domingo, 3 de outubro, o Vasco da Gama Patriotas enfrentou o
T-Rex no Rio. A disputa atraiu pouco mais de 300 pessoas que pagaram R$ 10 para
assistir à partida do Torneio Touchdown, organizado por Luis Cláudio Lula da
Silva, 30 anos, filho caçula do ex-presidente Lula.
A
despeito do público escasso de um esporte que engatinha no Brasil, a liga
ostenta patrocinadores cobiçados, como a cerveja Budweiser e o energético TNT.
Os valores das cotas são sigilosos.
“O
site é amador, o público pequeno, o evento e os jogos não são transmitidos na
tevê, por isso o retorno para patrocinadores é baixo”, avalia o
especialista em marketing esportivo Amir Somoggi.
“Mas
o mercado de futebol americano pode ser o futuro e a NFL, liga norte-americana,
é uma das mais valiosas do mundo, chegando a faturar US$ 50 milhões só com
ingresso da final”, pondera.
São
com números como esses que Luis Cláudio justifica sua entrada no torneio, que
viu a prosperidade chegar com ele, em 2011. A quantidade de times saltou de 7
em 2010 para 20 em 2014 e hoje está na marca dos 16.
Duas
temporadas –de 2012 e 2013– foram televisionadas. Os clubes passaram a receber
uma ajuda de custo anual de R$ 20 mil e dinheiro para confecção de uniformes.
No
e-mail em que comunicou a fãs da modalidade a sociedade com Luis Cláudio, o
criador do Touchdouwn André Adler, morto em 2012, disse que ele vinha para
“elevar o potencial de captação”.
Na
mensagem também comemorou o fruto da parceria, a final da temporada de 2011 no
estádio do Ibirapuera, em São Paulo. Na plateia do jogo estava Lula. Em
entrevistas, o petista disse que, da mesma forma que o Brasil trabalhou para
que o futebol brasileiro desse certo nos EUA, acreditava que o americano
poderia vingar no Brasil.
Menos
de dois anos depois o campeonato contava com sete patrocinadores. Além dos
atuais TNT e Budweiser, investiam no Touchdown Tigre, Sustenta Energia, do
grupo JHSF, Qualicorp e GOL.
Outra
patrocinadora nos anos 2012 e 2013 foi a Caoa Hyundai, que segundo o jornal
“Estado de S. Paulo” contratou o escritório de lobby Marcondes &
Mautoni, investigado pela Polícia Federal e pela CPI do Carf, para obter a
extensão da desoneração fiscal por meio de uma medida provisória que teria sido
comprada por lobistas.
O
escritório M&M também teve relações com Luis Cláudio. Em 2014, a M&M
contratou a LFT Marketing Esportivo, a outra empresa do filho do ex-presidente,
por R$ 2,4 milhões. Segundo Mauro Marcondes, sócio do escritório, um dos
serviços prestados se referia a um projeto de um ônibus que circularia pelo
Brasil durante a Copa do Mundo divulgando uma patrocinadora do mundial.
Os
planos não saíram do papel. Outro trabalho foi a assessoria a um projeto para
integrar modalidades esportivas em um centro de exposições que está sendo
planejado no interior de São Paulo. “Considerei o valor caro, mas fiquei
satisfeito com o resultado que ele me apresentou”, afirmou Marcondes.
A
realidade do Touchdown é bem diferente da vivida pela CBFA (Confederação
Brasileira de Futebol Americano), entidade oficial do esporte que organiza
desde 2012 um campeonato nacional paralelo ao do filho de Lula. Nas suas quatro
temporadas realizadas, ela nunca angariou um patrocínio anual.
É de
um escritório em um prédio comercial nos Jardins, em São Paulo, que Luis
Cláudio gerencia suas duas empresas voltadas para o ramo esportivo: a Touchdown
Promoções e Eventos Esportivos, que administra a liga de futebol americano, e a
LFT Marketing Esportivo, dedicada a projetos para outras empresas.
Clientes
relatam que o espaço tem três cômodos, poucos funcionários e o irmão Fábio
Luis, o Lulinha, entre os vizinhos. O apelido é o mesmo que Luis Cláudio
carrega nos gramados, apesar de rechaçá-lo.
Nos
documentos da Touchdown, a empresa criada para gerenciar o torneio, Luis
Cláudio aparece como “diretor geral”. Segundo donos dos times que
participam da competição, é ele o responsável pelas principais atividades, como
definição de locais onde acontecerão as partidas e prospecção de verbas. O
valor captado não é partilhado com os times.
“Não
sabemos quanto Luis Cláudio capta, mas parte disso é direcionado para
nós”, conta o presidente da equipe do Flamengo no torneio, Rogério
Pimentel.

Formado
em educação física, Luis Cláudio passou pelos principais clubes de futebol de
São Paulo trabalhando como auxiliar de preparadores físicos.
O São
Paulo foi o primeiro a abrir as portas para o filho do ex-presidente da
República, que trabalhou ali por cerca de três meses. Luis Cláudio também atuou
no Palmeiras quando Vanderlei Luxemburgo era técnico do time, em 2008. Em 2009,
quando ingressou no Corinthians, ganhou mais visibilidade na imprensa com ajuda
do clube.
EXPERTISE
O
advogado de Luis Cláudio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, afirmou que a
atuação de seu cliente no Torneio Touchdown é “natural” por ele
“ser um entusiasta do futebol americano” e isso se somar ao
“potencial do esporte no Brasil”.
Segundo
o advogado, por Luis Cláudio ser formado em educação física e ter passagem
pelos “maiores” clubes de futebol de São Paulo, “é evidente que
ele tem uma visão do setor esportivo e que possa trabalhar com ela fazendo
negócios como análises setoriais, projetos, prospecções, entre outros”.
Sobre
a captação de patrocínio para o campeonato, o advogado afirma que “em
hipótese alguma o ex-presidente Lula chegou a se envolver na área” mesmo
tendo um dos filhos como proprietário.
Martins
também afirmou que a empresa Touchdown não abre valores e validade dos
contratos por se tratar de uma atividade privada.
“A
relação (com os patrocinadores) é direta e compatível com a relação que as
marcas têm com outros esportes de contato e esportes radicais”, diz.
“O
questionamento que a reportagem faz decorre mais de um preconceito de uma
incapacidade dos filhos do ex-presidente de realizarem uma atividade
empresarial concreta do que de um questionamento real”, diz o advogado.
Procuradas,
as empresas citadas na reportagem confirmaram que patrocinaram o Touchdown, mas
se recusaram a informar os valores dos contratos. Elas também não responderam
se o parentesco entre Luis Cláudio e Lula influenciou a decisão de fazer o
investimento.
Questionada
sobre o patrocínio ao Torneio Touchdown, a Caoa Hyundai confirmou que investiu
nas temporadas 2012 e 2013 “da mesma forma que patrocina outros diversos
eventos esportivos”.
A
Budweiser afirmou que é patrocinadora oficial da competição desde 2013 e que
também investe em futebol americano em diversos países, “inclusive é a
cerveja oficial da NFL, liga americana da modalidade”.
A
Qualicorp disse que patrocinou o Touchdown em 2013 como “parte de suas
estratégias de marketing”.
A
Tigre confirmou o patrocínio nas temporadas de 2012 e 2013 “como parte do
projeto de expansão de mercado e internacionalização da marca” devido ao
futebol americano ser tradicional nos Estados Unidos, onde o grupo tem unidade.

As
empresas Sustenta Energia, do grupo JHSF, e TNT, da Cervejaria Petrópolis, não
responderam às perguntas enviadas pela Folha.

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