domingo, setembro 27, 2020
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Lutador se supera após perder perna na saída de Fla-Flu.

Globo
Esporte – Era para ser um dia de comemoração. O Flamengo havia derrotado o
Fluminense nos pênaltis e sagrara-se campeão da Taça Guanabara, primeiro turno
do Campeonato Carioca de futebol. Mas uma briga de torcidas na saída do
Maracanã mudou para sempre o destino de Guilherme Borrajo. Na época bicampeão
brasileiro de taekwondo, o atleta se viu no meio da confusão e, ao tentar
escapar do tumulto, foi atropelado por um ônibus. Depois de ter a perna
esquerda amputada, o atleta se reinventou para continuar contribuindo com o
esporte nacional. Mais de uma década depois do acidente, Guilherme trabalha no
Comitê Rio 2016 e vai buscar seu terceiro título dos Jogos Parapan-Americanos
com a seleção brasileira de vôlei sentado em Toronto.
O
carioca sempre viveu para o esporte. O taekwondo, que começou a praticar aos 9
anos de idade, era sua grande paixão. Da categoria mirim ao adulto foram oito
títulos estaduais e dois brasileiros. Aos 18 anos, o futuro que Guilherme
vislumbrava era como lutador profissional. Mas o fatídico jogo interrompeu esta
trajetória. Ao fim da partida, a torcida organizada de que o atleta faz parte
seguiu para um ônibus que os levaria para festejar o título. Mas o veículo foi
cercado por torcedores rivais, e uma confusão generalizada se instaurou.
Entenda as modalidades do Parapan
Segundo
Guilherme, o ônibus em que estavam foi apedrejado, e quem estava dentro foi
obrigado a descer para a rua. Os torcedores entraram em confronto, e a polícia
interveio com truculência. O atleta tentou entrar em outro ônibus para fugir do
local, mas o motorista, assustado com o quebra-quebra, arrancou antes do
esperado. Ainda na porta, Guilherme se desequilibrou e caiu. Uma das rodas do
veículo passou por cima de suas pernas.
Foram
cerca de 15 cirurgias e dois meses de internação no hospital até receber alta.
A perna esquerda precisou ser amputada, mas a vida de Guilherme seguiu em
frente. Cerca de duas semanas depois, ele estava de volta aos estádios para
torcer pelo time de coração.

Foi uma recuperação muito difícil porque tive infecção, mas tive muito apoio da
família e dos amigos. E, pelo fato de ser atleta e ter uma boa formação física,
consegui voltar à minha rotina. Depois de uns 15 dias em casa eu já voltei a ir
ao Maracanã. Não tem como ficar longe. Só o que mudou é que hoje em dia não
chego mais ao estádio com a torcida. Na arquibancada fico junto e tudo, mas na
chegada e na saída vou de carro, de uma forma mais tranquila.
Se
como torcedor Guilherme voltou logo à ativa, o retorno à vida de atleta também
não tardou. Apresentado por um amigo à Associação Niteroiense de Deficientes
Físicos (Andef), ele buscou alguma luta ou vôlei, esporte praticado por várias
pessoas em sua família. Naquela época, nenhuma das duas modalidades era
praticada no local, e o atletismo surgiu como opção. Apesar de não gostar
muito, era a melhor forma disponível de redescobrir o esporte.
Quando
um time de vôlei sentado foi aberto na instituição, logo ligaram para
Guilherme. Ali começava uma trajetória vitoriosa. Foi campeão brasileiro e
eleito melhor levantador em seu primeiro ano e, desde que entrou para a seleção
nacional, acumulou títulos, incluindo duas medalhas de ouro nos Jogos
Parapan-Americanos do Rio de Janeiro e de Guadalajara. Na temporada regular de
clubes, o destino reservou a ele uma situação curiosa: até um mês atrás, o
jogador defendeu o Vasco da Gama, o maior rival do time de coração.

Foi tranquilo jogar pelo Vasco. Tem que ter profissionalismo. Eu respeitei o
clube e dei meu máximo enquanto estive em quadra. Mas agora defendo a equipe
Totvs.
Hoje
Guilherme tem 33 anos e uma rotina rígida. Às 6h da manhã treina Va’a,
modalidade de canoagem polinésia, à tarde trabalha na área de transportes do
Comitê Rio 2016 e treina vôlei à noite. Tamanha doação ao esporte exige uma
disciplina exemplar, elogiada pelo técnico Fernando Guimarães.
– O
Guilherme está conosco há bastante tempo e é muito dedicado. Com isso do
taekwondo, ele é determinado a fazer o que é designado. É um exemplo de atleta,
que trabalha muito a condição física, se alimenta bem, dorme cedo, tem uma
cultura do esporte. Ele tecnicamente ajuda bastante e está brigando para ficar
entre os 12 (convocados) para 2016.
Em
busca do tricampeonato, o Brasil estreia no Parapan às 18h (de Brasília) deste
sábado contra o México. Na fase classificatória, como todos jogam contra todos,
a seleção encara ainda Canadá, Costa Rica, Colômbia e Estados Unidos. Os quatro
melhores classificados avançam às semifinais.
No
feminino, o Brasil estreia mais cedo, às 10h (de Brasília), contra Cuba. Canadá
e Estados Unidos são os adversários na sequência. Como há apenas estas quatro
equipes na disputa, a primeira fase definirá apenas os confrontos das
semifinais.

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