Mais que uma vitória do Flamengo, o triunfo de uma ideia.

Jogadores do Flamengo aplaudindo a torcida na Ilha do Urubu – Foto: Gilvan de Souza

CHUTE CRUZADO: Por Pedro Henrique Torre

O viajar da bola, a curva precisa, o encaixe no ângulo esquerdo e o
sorriso escancarado do camisa 26 refletiram o explodir da Ilha do Urubu. Mais
do que sacramentar a vitória diante do Santos, o golaço marcado por Cuellar foi
o triunfo, ainda que momentâneo, de uma ideia. Sim, volantes técnicos têm vez.
Contribuem para o jogo. Para vitórias. Fazem gols. Sabem marcar. E sabem
passar. Foi o volante colombiano quem mais trocou passes no Flamengo nos 2 a 0
sobre o Santos, pela Copa do Brasil. Tentou 57 vezes. Acertou 54, de acordo com
o site Footstats. Um alento a um time que ainda precisa ressurgir e evoluir. E
que, enfim, teve boa atuação após as cinzas da Libertadores.

Talvez
os dois resultados recentes, diante de Chapecoense e Bahia, em que pesem
atuações nada brilhantes, tenham contribuído para restabelecer o mínimo de
confiança para o Flamengo reencontrar o seu jogo. Diante do Santos, no mesmo
4-2-3-1 de sempre, foi uma equipe rubro-negra mais ao chão do que pelo alto.
Não que tenha abandonado o jogo aéreo. Ainda é um time que tem gosto por jogar
a bola nas pontas para explorar cruzamentos ou busque lançamentos pelo meio.
Mas havia uma mudança. Cuellar estava de volta ao time. Embora alternasse com
Márcio Araújo em poucas vezes, mais como primeiro volante na primeira etapa.
Iniciava o jogo com mais qualidade, fazia a bola girar. Havia espaço no meio.
O
Santos era um time que não disputava a bola. Esperava, pelos acasos da partida,
tê-la no pé para enfim jogar. Também em um 4-2-3-1, o time de Levir Culpi
incomodou pouco o Flamengo. Não conseguia entrar no jogo pelas pontas. Pelo
lado direito, Zé Ricardo acertou em cheio ao escalar a dupla Pará e Berrío. Ambos
cumprem muito bem o papel defensivo, anulando Copete, e davam trabalho no
ataque, diante do mais uma vez improvisado Jean Mota. O atacante colombiano foi
quem tumultuou a vida de Vanderlei. Em um lançamento de Everton, matou a bola
com categoria, cortou Jean Mota e bateu no contrapé. O arqueiro pegou. Minutos
depois, ele chutou de novo por dentro e mais uma vez parou em Vanderlei. Era
bom o jogo.
Pois o
Flamengo tinha um volante com a qualidade de saber sair para o jogo. Cuellar,
como dito, postava-se mais como primeiro homem, recebendo a bola dos zagueiros
e iniciando o jogo. Márcio Araújo, o conhecido cão de guarda, estava mais à
frente, correndo atropeladamente e, por vezes, até marcando a saída de bola
santista ao lado de Diego e Guerrero. Pois bem. Com o início centrado em
Cuellar, o jogo girava. Foi ele quem iniciou um lance do campo defensivo,
invertendo bola da direita para a esquerda.
O
Flamengo trocou passes, para frente e para trás, para os lados. Esgarçando o
meio de campo santista. De repente, com a bola no pé, o zagueiro Rever avançou
e enxergou um buraco. Com passe rasteiro, viu Guerrero. O toque de letra do
peruano deixou Everton de frente para o gol. Batida de chapa, com o pé direito,
por cima de Vanderlei. No bonito estufar da rede, um belo gol. 1 a 0. O Santos
tinha dificuldades. Porque até tinha espaço pelo meio, já que o Flamengo tinha
Cuellar mais atrás, com Diego por vezes também recuando para pegar a bola. Mas
Lucas Lima não aproveitava, tímido na criação. Bruno Henrique, vá lá, ainda
tentava superar Trauco. Mas Kayke, estático, era inexistente. Levir percebeu.
No
segundo tempo, colocou Vitor Ferraz mais avançado. Talvez na esperança de dar
um diálogo no passe para Lucas Lima e criar as jogadas. Mas, também, fez o
Santos ser mais combativo, brigar pela posse da bola. O time atendeu.
Adiantou-se e pressionou um Flamengo que, inteligentemente, cedeu campo para
tentar matar o jogo no contra-ataque. Mas encontrou, de novo, o velho problema.
Fixou-se pelos lados para cruzar bolas em excesso. O jogo passou a ser menos
pelo chão.
Em um
desses lances, Berrío quase marcou de bicicleta. Parou de novo nele mesmo,
Vanderlei. O goleiro santista já evitava um prejuízo ainda maior. Levir sacou
Jean Mota e tentou frear as voadas de Berrío pela direita colocando Caju, mais
ofensivo, na lateral esquerda. Funcionou pouco. O jogo, na verdade, não parecia
ter saído das mãos do mandante, mesmo com o Santos em melhor nível. Ainda era
um time muito pálido na criação. Com o passar do tempo, o Flamengo voltou a avançar
casas. Cuellar, responsável pelo nascedouro do jogo, já estava mais à frente.
Márcio
Araújo posicionou-se no velho papel de perseguir adversários a partir da
intermediária defensiva. Por vezes, iniciava o jogo, mas a diferença era
tremenda. Atropelava as passadas diante de tanto espaço e, por vezes, errava o
toque ou era desarmado. Cuellar, não. Projetava-se à frente, dava botes mais
precisos quando ia ao ataque. Evitava viagens perdidas. Acabou recompensado no
fim. Guerrero tentou a jogada individual sobre Lucas Veríssimo. Entrou na área,
foi desarmado, mas voltou a ter a bola. Olhou para trás e viu Cuellar pela
esquerda, na entrada da área. Não é dos volantes que olham para o lado e apenas
passam a bola, em vão. Também não faz o tipo de girar para atrás, segurar a
vitória magra e rolar para a defesa. Com espaço, ajeitou o corpo e mandou no
ângulo esquerdo de Vanderlei. Golaço.
O
triunfar de uma ideia. Com menos posse de bola, o Flamengo trocou perto de 400
passes e teve 12 finalizações contra cinco do Santos. Mandou sete bolas na
meta. Vanderlei salvou cinco. Uma ideia de um time técnico, digno do tamanho do
elenco, que acabou representada na noite desta quarta-feira por Cuellar. Um
volante que passou 54 passes certos, desarmou oito vezes e fez um gol. Um
alento. A não ser que a ideia novamente seja relegada à reserva já no próximo
jogo. Sim, há espaço para vida inteligente na saída do jogo rubro-negro.

Por: FlaHoje

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